Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

A Vénus de Kazabaïka

LEOPOLD VON SACHER MASOCH
trad. Anna [sic] Hatherly
pref. Júlio Moreira
grafismo de António Sena

Lisboa, 1966
Afrodite (de Fernando Ribeiro de Mello)
1.ª edição
17,9 cm x 16 cm
216 págs. + 9 folhas em extratexto
ilustrado
exemplar em bom estado de conservação; o verso da capa dianteira apresenta rasto de traça; miolo irrepreensível
35,00 eur

Do prefácio:
«[...] Diz-se que noutras civilizações que nos precederam, e terão chegado mesmo a coexistir com a nossa, o amor era uma fonte de alegria, um domínio superior de prazer e plenitude.
Na nossa, a principal realização erótica (termo derivado de Eros, devindade [sic] da antiguidade clássica difìcilmente inteligível nos nossos dias) reside no “pecado”.
[...] Nos traços comuns que reúnem Sade e Masoch, um outro aspecto, independente, pelo menos superficialmente independente, das suas “concepções” do amor, que os celebrizaram, parece digno de nota. Ambos, nascidos nas melhores famílias dos seus países, pertencendo a uma aristocracia com todos os previlégios, tomaram posição ao lado das correntes políticas mais avançadas do seu tempo.
Não foi só por ter atentado contra a moral que Sade passou a vida na prisão. [...] Sade não só colaborou activamente na revolução francesa, como foi um dos primeiros a denunciar o ditador Napoleão.
Masoch, por seu lado, foi um conhecido sociólogo do seu tempo, “autor dum sistema político aparentado com o socialismo de Tolstoi e o liberalismo de Saint-Simon” [...].
Ambos, Sade e Masoch, são portanto indivíduos de vanguarda, atentos às directrizes históricas que têm conduzido as sociedades humanas de maneira a confirmar a sua própria visão.
Não são os “taradinhos sexuais” que a vista curta ou as más intenções têm querido fazer deles, próprios para alimentar edições pornográficas, mas sim os desmistificadores lúcidos e atentos ao mundo dentro e fora de si, dispostos a ir, com o próprio martírio, ao fundo das coisas. [...]»
De uso, as adaptações cinematográficas feitas para tal obra são limpas desta componente incómoda para o espectador apenas sedento do vulgar exibicionismo carnal, veja-se, por exemplo, Venus in Furs dos realizadores Maartje Seyferth e Victor E. Nieuwenhuijs.


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Domingo, Dezembro 19, 2010

Nicolau Tolentino ou o Cabrion da Litteratura de Hoje



[ANÓNIMO]

Lisboa, 1867
Typographia de J. G. de Sousa Neves
[1.ª edição]
17,2 cm x 11,5 cm
2 págs. + IV págs. + 154 págs.
subtítulo: Almanach para 1868 – 1.º anno – contendo 103 artigos de critica litteraria. Redigidos por alguns socios da Academia dos Humildes e Ignorantes e offerecidos aos collegas da Academia das Sciencias
encadernação modesta da época, meia-inglesa com ferros a ouro na lombada, onde pode ler-se o nome do antigo proprietário «M. L. [?] Barboza»
sem capas de brochura
exemplar muito estimado, miolo como novo
ostenta o ex libris de Manuel de Mello Corrêa no verso da pasta anterior, desenhado por J. P. Abreu e Lima em 1954 e gravado por Paes Ferreira
40,00 eur

Para além das secções de informação útil sobre festejos eclesiásticos, marés, calendário, tabelas dos toques de incêndio, estações telegráficas, etc., etc., tanto a abertura, em forma de carta dirigida ao «Ill.mo e ex.mo sr. In Hoc Signo Vincis» e assinada mordazmente pelo pseudónimo «Nicolau Tolentino», como as mais de cem páginas dos artigos de crítica literária são corrosivas dos narizes de cera que então pululavam nas artes, nas letras e nas ciências do século. Teófilo Braga, por exemplo, Gomes de Amorim, Fonseca Benevides, Camilo Castelo Branco, Arnaldo Gama, Manuel Roussado, Bulhão Pato, Luz Soriano, Guilherme de Azevedo, Rangel de Lima e imensos outros surgem ali tratados como devem sempre ser tratados os narizes de cera: a pontapés de sarcasmo.
Damos especial relevo a mais um texto, volvidos cerca de dois anos, que pode ainda acrescentar pontos à polémica da denominada Questão Coimbrã.


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Quinta-feira, Dezembro 16, 2010

A Miragem


FÈLIX CUCURULL
trad. Manuel de Seabra
capa de Agostinho de Castro
direcção gráfica do arquitecto António de Macedo


Lisboa, 1959
ed. tradutor
Clube Bibliográfico Editex, Lda. (distribuidor)
1.ª edição
19,3 cm x 12,4 cm
220 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
[as manchas visíveis na capa acima reproduzida são parte integrante do seu desenho]
assinatura de posse na pág. 5
20,00 eur



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Vida Terrena


FÉLIX CUCURULL
trad. de António Macedo / Carlos de Oliveira

prefácio de Carlos de Oliveira

Lisboa, 1966
Editora Ulisseia
1.ª edição (bilingue)
18,3 cm x 10,3 cm
XXVI págs. + 210 págs.
orientação gráfica do pintor Espiga Pinto
com sobrecapa de alcatrão
é o n.º 12 da prestigiada Colecção Poesia e Ensaio
exemplar estimado com pequeno restauro à cabeça da lombada, vinco vertical na capa; miolo limpo
20,00 eur

Poeta e ficcionista catalão, resistente anti-franquista que dedicou muito da sua acção cultural a verter e divulgar autores portugueses na sua língua. «[...] Um desses raros homens que nos surgem de quando em quando no caminho» – elogia-o rasgadamente o escritor Carlos de Oliveira no Prefácio –, «dispostos a saber quem somos, porque somos assim e não assado, porque escrevemos isto e não aquilo, trazidos quase sempre pela literatura, às vezes entusiasmados por um simples livro, o que dá aos escritores portugueses uma razão de ser mais transcendente que a condição oficiosa actual de cogumelos na sua maioria venenosos. Um parente de Storck e Le Gentil. [...]»


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O Deserto


FÈLIX CUCURULL
prefácio de Fernando Namora
trad. Albertina de Sousa Dias
capa de João da Câmara Leme

Lisboa, 1965
Portugália Editora
1.ª edição
19,3 cm x 13,1 cm
188 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
20,00 eur

Do Prefácio:
«[...] A literatura [do catalão] Fèlix Cucurull é uma literatura descarnada, dir-se-ia ascética: feita de palavras ásperas que, para quem as saiba ouvir, para quem as saiba ler, vibram como cordas retesadas; feita de uma grave simplicidade; feita de um pudor que reprime a fácil emoção, dirigindo-se sem coacções aos nervos e sobretudo à consciência do leitor. [...]»


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Dois Povos Ibéricos (Portugal e Catalunha)

FÈLIX CUCURULL
trad. Carlos Loures
capa de Dorindo Carvalho

Lisboa, 1975
Assírio & Alvim
1.ª edição
20,4 cm x 12 cm
180 págs.
exemplar como novo, sem qualquer vestígio de quebra na lombada
20,00 eur

É uma lição transnacional acerca dos traços históricos e culturais comuns entre dois povos peninsulares, assim como de ignorâncias recíprocas. Outro traço comum sobressai da leitura deste ensaio: a luta secular contra o poder expansionista de Castela.
Poeta e ficcionista catalão, Cucurull, também resistente anti-franquista, dedicou muito da sua acção cultural a verter e divulgar autores portugueses na sua língua. «[...] Um desses raros homens que nos surgem de quando em quando no caminho» – elogia-o rasgadamente o escritor Carlos de Oliveira no Prefácio a Vida Terrena (Editora Ulisseia, Lisboa, 1966) –, «dispostos a saber quem somos, porque somos assim e não assado, porque escrevemos isto e não aquilo, trazidos quase sempre pela literatura, às vezes entusiasmados por um simples livro, o que dá aos escritores portugueses uma razão de ser mais transcendente que a condição oficiosa actual de cogumelos na sua maioria venenosos. Um parente de Storck e Le Gentil. [...]»


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Fèlix Cucurull


FÈLIX CUCURULL
trad. e prefácio de Manuel de Seabra

[capa de Victor Palla ?]

Coimbra, 1959
Atlântida – Livraria Editora, Ld.ª
[1.ª edição]
21,2 cm x 15,3 cm
200 págs. + 1 folha em extra-texto
exemplar em bom estado de conservação
20,00 eur

Da nota editorial na badana:
«[...] “Se tens um monstro escreve-o”, disse um dia Goethe no seu exílio de Weimar. As páginas deste volume são o “monstro” de Cucurull, monstro angustiante que nos seus famosos romances A Miragem e O Silêncio e o Medo assume características de epopeia – a grande epopeia do homem do nosso tempo, prisioneiro de um mundo que ainda não entende.»


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Domingo, Dezembro 12, 2010

O Homem Quase Novo



PAULO DA COSTA DOMINGOS

Lisboa, 2010
frenesi
1.ª edição [única]
19 cm x 13 cm
1 folha desdobrável constituída por 16 págs. não numeradas
impressão azul sobre papel reciclado creme
exemplar novo
5,00 eur

Inclui poesia inédita recente.


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Pantagruel, Rei dos Dípsodos

FRANÇOIS RABELAIS
tradução de Aníbal Fernandes
capa de pcd sobre desenho de Gustave Doré

Lisboa, 2006
frenesi
3.ª edição [revista]
19,8 cm x 13,8 cm
216 págs.
subtítulo: Restituído à verdade com seus factos e proezas espantosos escritos pelo falecido mestre Alcofribas abstractor de quinta-essência
impresso sobre papel superior
encadernação editorial inteira em pele gravada a relevo seco na pasta anterior e na lombada, guardas em papel de fantasia
é o n.º 19 de uma tiragem de 21 exemplares numerados e assinados a lápis pelo editor
exemplar novo
peça de colecção
150,00 eur

Desde a 1.ª edição na editora & etc a esta 3.ª edição as traduções deste texto quinhentista francês vêm diferindo umas das outras dado o apuramento linguístico levado a cabo pelo tradutor, pelo que qualquer das três tem idêntico valor cultural. Como o mercado bibliófilo não se pauta por tais valores, houve, no entender do editor, que assinalá-la por meios extraordinários. Merecidos esforços estes – de tradutor e editor em consonância –, em prol de um escritor perseguido e abafado durante duzentos anos, e que somente os românticos e o século XIX irão trazer definitivamente para a ribalta. «[...] Do lado dos rendidos – tantos –, o depoimento de Jean Cocteau continua a ser dos mais belos: “Rabelais é as entranhas da França, os grandes órgãos de uma catedral cheia de esgares do diabo e do sorriso dos anjos. Só o respeito me impediu de escrever sobre a sua obra. Sonhamos com um Rabelais ilustrado por Hieronymus Bosh. Talvez esse livro maravilhoso exista num céu qualquer.” [...]»


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Sábado, Dezembro 11, 2010

Floradas na Serra

DINAH SILVEIRA DE QUEIROZ
capa de [Marcelino] Vespeira

Lisboa, 1958
Editora Ulisseia Limitada
[1.ª edição (em Portugal)]
20,2 cm x 13,6 cm
240 págs.
capa impressa a uma cor (preto) e relevo seco, revestida com sobrecapa
apresenta manchas periféricas nas dobras de ambas as badanas, mas no geral o miolo está limpo
20,00 eur

É o romance de estreia da Autora, que foi casada em segundas núpcias com o escritor diplomata Dário de Castro Alves. Publicado por cá quando sucessivas edições brasileiras e uma transposição cinematográfica já lhe haviam cimentado uma reputação cultural.


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Terça-feira, Dezembro 07, 2010

Lisboa en 1870. Costumbres, Literatura y Artes del Vecino Reino [junto com a tradução portuguesa]



G.[GONZALO] CALVO ASENSIO
[trad. Jorge Pereirinha Pires]

Madrid, 1870 / [Lisboa, 2009]
Imprenta de los Señores Rojas / [frenesi]
1.ª edição [únicas] (ambos)
2 volumes
18,5 cm x 12 cm [19 cm x 13,2 cm]
150 págs. [136 págs.]
encadernação modesta da época, meia-inglesa com ferros a ouro na lombada
pastas e festo cansados, pequena falha no topo do lombo, sinais de traça somente nos bordos das folhas de guarda
o exemplar ostenta o ex-libris do olisipógrafo Luiz Pastor de Macedo no verso da pasta anterior
assinatura de posse da actriz E[mília] das Neves à cabeça do frontispício
[o exemplar da tradução editada pela frenesi, que a título de oferta completa o lote, é novo]
145,00 eur

«[...] Calvo Asensio [director de El Democrata] professava as mesmas ideias de liberalismo avançado que seu pai, D. Pedro Calvo Asensio, conhecido notável do antigo partido progressista, que por muito tempo defendeu os ideais políticos de um grupo numerosíssimo e influente a partir das colunas de La Iberia. No início da Revolução de Setembro foi D. Gonzalo nomeado secretário da Legação de Espanha em Lisboa, cargo que exerceu até 1872, altura em que foi eleito deputado às Cortes [espanholas]. O Congresso, de que fez parte, nomeou-o seu secretário.
Terminado o período revolucionário com o advento da Restauração, Calvo Asensio pôs a sua pena de jornalista e a sua clara inteligência ao serviço do partido democrático-progressista, a cuja direcção pertencia.
Era Calvo Asensio um desses homens que têm o singular dom de captar a simpatia geral, pela afabilidade do seu carácter e pela doçura do seu trato. Os seus grandes padecimentos, consequência de uma doença do peito, que há anos havia contraído, não puderam suprimir-lhe dos lábios o amável sorriso que atraía irresistivelmente quantos alguma vez se aproximavam dele. A sua vida extinguiu-se tranquilamente, sem agonia; de modo que os amigos que o rodeavam pensaram tratar-se de um desmaio. [...]» (La Ilustración Española y Americana, ano XXIV, n.º 37, Madrid, 8 de Outubro de 1880)


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