Segunda-feira, Janeiro 24, 2011

O Almocreve de Petas e outras prosas


JOSÉ DANIEL RODRIGUES DA COSTA
selecção, pref., leitura de texto e notas de João Palma-Ferreira
maqueta de Manuel Correia

Lisboa, 1974
Estúdios Cor
1.ª edição (na presente forma)
25,5 cm x 19 cm
188 págs. + 24 folhas em extra-texto
profusamente ilustrado
impresso sobre papel superior, ilustrações impressas em rotogravura
encadernação editorial em sintético com gravação dourada a imitar antigo
guardas impressas reproduzindo gravuras da época
folha de rosto impressa a duas cores e relevo seco
exemplar novo
é o n.º 298 de uma tiragem declarada de 1.100 exemplares
50,00 eur

Segundo o Diccionario Bibliographico Portuguez, de Inocêncio Francisco da Silva (tomo IV, Imprensa Nacional, Lisboa, 1860):
«José Daniel Rodrigues da Costa, natural da cidade de Leiria, e nascido a 31 de Outubro de 1757, conforme as informações que tenho por mais veridicas. Contava apenas dous annos d’edade, quando foi trazido para Lisboa, e entregue por falecimento de seu pae ao amparo de umas senhoras charidosas, que o educaram e sustentaram, ás quaes depois valeu agradecido em suas precisões, como elle proprio nos declara nas Rimas [...]. Não podendo cursar os estudos superiores aos de primeiras letras e grammatica latina por falta de recursos pecuniarios, acolheu-se á protecção do desembargador Antonio Joaquim de Pina Manique, administrador da Alfandega das Septe Casas, o qual lhe conferiu a administração chamada das quatro portas da cidade e ramo de Belem; e como remuneração dos serviços que ahi prestara obteve a final uma tença, e a propriedade de um officio de escrivão e tabellião de notas em Portalegre. Foi Ajudante das ordenanças de Alemquer, e promovido depois a Major da legião nacional do Paço da Rainha. Casou-se quando contava trinta e um annos d’edade. Dotado de bom humor, e maneiras affaveis, era bem quisto de todos que o conheciam, e que applaudiam os seus chistes e ditos naturalmente engraçados, e satyricos. Viveu por muitos annos decentemente dos proventos do seu emprego, e do producto dos muitos papeis que imprimia, e que eram bem acolhidos do publico. Sabendo amoldar-se ás circumstancias politicas do tempo, escreveu successivamente a favor das idéas liberaes e do governo absoluto. O sr. D. Miguel lhe concedeu uma pensão annual de tres moios de trigo, que pouco tempo desfructou, falecendo aos 7 de Outubro de 1832 em casa propria, na travessa do Forno n.º 2, freguezia de N. S. dos Anjos, em cuja egreja parochial foi sepultado defronte do altar do Sanctissimo. Era de maravilhar a ancia com que nos tempos antigos, pelo testemunho dos que o presencearam, se procuravam os seus escriptos, publicados na maior parte periodicamente, e que (cousa não muito ordinaria entre nós) foram reimpressos ainda em sua vida. [...]»


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Quinta-feira, Janeiro 13, 2011

O Marquês da Bacalhoa, seguido de A Execução do Rei Carlos

ANTÓNIO DE ALBUQUERQUE
na capa e nas folhas de guarda reproduções fotográficas de Joshua Benoliel

Lisboa, 1 de Fevereiro, 2008
frenesi
1.ª reedição das edições princeps de 1908 e 1909
19 cm x 13 cm
384 págs.
subtítulo: Monárquicos e Republicanos
as imagens reproduzidas nas folhas de guarda devem ser consideradas inéditas
exemplar novo
24,00 eur

Transcrição integral do «Exórdio» à vertente edição:
«Grosso escândalo com o livro do Albuquerque – O Marquês da Bacalhoa. Este Albuquerque, conhecido pelo Lêndea, é o último descendente, pelo pai, do grande Afonso de Albuquerque, e, pela mãe, do grave, do douto João de Barros. Ainda aqui há anos, quando o rei visitou uma terra de província e se hospedou na casa dele, saíram das lojas caixotes de louça da Índia, que nunca tinham sido abertos. Ele tem tido uma vida de aventuras: bateu-se em duelo em Madrid, caçou no Cabo com lordes, tocou guitarra em Trouville e teve uma loja de instalações eléctricas na Itália. Agora é jornalista, escritor, poeta, e publica este livro de escândalo, em que a rainha, senhora na mais alta acepção da palavra, é posta de rasto… Mas faça-se-lhe justiça: tudo aquilo – e pior – anda por aí de boca em boca há muito tempo. E não vem de baixo – vem de cima…» (Raul Brandão, Memórias, I)
É num contexto histórico de revolta popular armada generalizada contra a ditadura do ministro monárquico João Franco que surge o romance panfletário de António de Albuquerque, em Janeiro de 1908; e, no dia 1 de Fevereiro, o inevitável regicídio, assumido por Manuel Buíça e Alfredo Costa. Fossem os deputados António José de Almeida, Egas Moniz, Afonso Costa, etc., ou o escritor Aquilino Ribeiro, as prisões enchiam-se de presos políticos, enquanto esquadras e quartéis iam sendo assaltados ou meramente destruídos à bomba. Timor, Moçambique, Angola, por exemplo, eram então autênticos viveiros de deportados… Só para se fazer uma ideia da influência ravacholista (a «poesia da dinamite») entre a população comum: a Carbonária, segundo o historiador Borges Grainha – que nem é único a dar à posteridade um tal retrato –, contava com algo como quarenta mil aderentes. «O lisboeta medroso foi substituído pelo lisboeta que dá tiros nos cafés…» (ainda nas palavras de Brandão). Deste mesmo modo, certos escritos da época, por seu turno, saíam dos entrefolhos da Literatura, descuidados na confecção estilística, respondendo à urgência do momento: consolidar uma opinião pública, legitimando d’avance a acção directa dos revoltosos.
Nunca se terá visto unanimidade mais geral, como a que os raros dicionários que se lhe referem patenteiam quando põem a sua garra sobre este autor: «escritor medíocre». E quando é Júlio Dantas, com a sua Ceia dos Cardeais, quem recolhe o elogio de «correcção formal», está tudo dito! Todavia, viviam-se dias pródigos em jornais de caricatura agressiva, e, entre o traço grosso e a reportagem de costumes, são esses os mais óbvios inspiradores da pena do nosso Albuquerque.
Gomes Leal, o fino poeta e panfletário, também ele frequentador das celas do Limoeiro, disto teve a visão à época, e, ao longo de três fascículos do seu Verdades Cruas, foi um dos arautos de Albuquerque. Começando por indignar-se com a ínvia apreensão do livro – «infeliz reputação régia que precisa de tais expedientes de confisco, mordaça e repressão, para encobrir e tapar as suas malhas podres, se acaso as tem, ou as há» (Verdades Cruas, n.º 15) –, acaba, em troca de correspondência pública com o autor, por tecer-lhe o necessário elogio:
«Reconheço a necessidade da severa História, da Sátira, do Panfleto, da Crítica dos costumes. A crápula do império romano, sem o desabafo dos historiadores e dos satíricos, seria uma vergonha hedionda e eterna da consciência Humana.
Disse-lhe que o seu romance era bem escrito, verdadeiro, mas cruel, e não me desdigo. A isto pode retorquir-me: Dura lex, sed lex!
Disse-lhe também que o seu romance fora mal revisto e continha muitos erros de imprensa que o apoucavam, e a isto retorquiu-me bem que ele fora impresso com imensas dificuldades, atabalhoadamente composto por tipógrafos inábeis, e em locais acanhados e secretos, para evitar as pesquisas e perseguições políticas. Compreendi então todos os defeitos que o maculavam, e que fizeram dizer à crítica injusta que o romance era mal feito, mal escrito, mal posto em acção e num péssimo português mascavado.
Console-se porém de todas as contrariedades e anátemas que lhe acarretaram o seu livro. Lembre-se que vai em camaradagem com muitos outros espíritos superiores excomungados pelos anátemas dos injustos contemporâneos, por perpetrarem também livros chamados revolucionários, hereges e malditos.» (Verdades Cruas, n.º 17)
Figuras gradas da época podem, então, aí ser identificadas sob a máscara ridícula do seu nome romanesco. Sabendo-se que a família real é dada pelos Bacalhoas, torna-se fácil decifrar, por exemplo, o ditador João Franco num João Nunes dos Santos, Mouzinho de Albuquerque num coronel Luna, o marquês de Soveral num Álvaro Negrão, o próprio autor em José Gusman, etc., etc., numa girândola implacável que, ao semear a saudável risada, colheu o ódio da polícia. Reproduz-se adiante, frente e verso, uma das muitas folhas que, por vezes, os leitores iam deixando dentro dos livros, onde identificavam, à sua responsabilidade, os figurões: procurar confirmação do que lá se afirma, é hoje tarefa de ratazana universitária.
A Execução do Rei Carlos (de 1909; óbvio desenlace do livro anterior) fica-se pela marca azeda de um fugitivo às sequelas do regicídio, cônscio de como fora traído, ou pelo menos frustrado nas expectativas. Sentimento, aliás, comum a tantos revolucionários sempre que deixam para trás de si portas abertas desaproveitadas… A (in)acção decorre em Espanha, e, para além do lamento pessoal, capta, da boca de um directo interveniente nos acontecimentos que vitimaram a família real, detalhes desse dia que virou o país de pernas para o ar. Limpando os escolhos “literários”, subsiste na sua pungência original uma passagem da nossa História, das difíceis de se lhe omitir a parte maldita.
E no fim de tudo (Junho, 1923), de novo Raul Brandão não se esquecerá de redigir um apontamento sobre a morte, em Sintra, do autor d’O Marquês da Bacalhoa:
«Já há longos meses que tinha desaparecido dos cafés. Nos últimos tempos queixava-se:
– Enquanto fui pobre, tive sempre saúde, agora, que herdei, estou sempre doente.
Morreu dum cancro na bexiga, depois de sete meses dum sofrimento horrível. Vivia enovelado, sobre um charco de urina, a gemer, num quarto onde ninguém podia entrar por causa do fedor. Tinham-lhe feito uma operação à bexiga e, quando lhe deram com o cancro, já lhe não puderam coser toda a abertura.
Estava sempre a gritar e a mijar-se. Antes de morrer, mandou pedir perdão à rainha e chamou um padre, pedindo perdão a Deus.
O Marquês da Bacalhoa chamou-se primeiro Enseada Azul. Quem lhe insinuou o título definitivo foi o Gualdino Gomes. Imprimiram-no num quarto andar da rua do Arco do Bandeira, numa dessas pequenas oficinas a que os tipógrafos chamam catraia. Mas quem o escreveu? Alguns dos capítulos não são do António de Albuquerque…» (Vale de Josafat, Memórias, III)


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Quarta-feira, Janeiro 05, 2011

Emmène-moi au bout du monde!...

BLAISE CENDRARS

Paris, 1956
Éditions Denoël
1.ª edição (tiragem comum)
18,5 cm x 11,9 cm
304 págs.
exemplar manuseado mas muito aceitável; miolo limpo
45,00 eur

De seu nome próprio Frédéric Louis Sauser, o aventureiro e escritor suíço é conhecido entre nós desde, pelo menos, a publicação em 1917 de um conjunto de poemas seus no Portugal Futurista. A sua atenção ao idioma português levou-o mesmo a pegar de frente o mais importante romance de Ferreira de Castro, A Selva, e, ao traduzi-lo para francês, a dar-lhe uma notável e invulgar volta, transformando-o numa peça literária merecedora de, a partir daí, voltar a ser trazida para português.
Da nota de contracapa:
«Pour la première fois dans son œuvre, Blaise Cendrars publie un roman ou le personnage central est une femme.
Comédienne vieillie, mais toujours triomphante, Thérèse va interpréter le rôle le plus étonnant de sa carrière: Madame l’Arsouille. C’est que ce rôle – ou presque – elle le joue quotidiennement dans l’existence. Aucune sensation, aucun vice ne lui est étranger. Ses amants, ses amis, se recrutent dans tous les milieux. Elle brûle non seulement les planches du Théâtre, mais celles de la Vie. Elle entraîne le lecteur parmi les drames, les jalousies, les rivalités des coulisses, et en même temps le fait pénétrer dans le Paris Interdit où souteneurs, drogués, artistes de génie, ratés, gens du monde et du demi se côtoient et sont mêlés, aujourd’hui à un fait divers crapuleux, demain à la plus brillante des générales. [...]»


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Terça-feira, Janeiro 04, 2011

[Grieg – Piano]



EDVARD GRIEG

Leipzig, s.d.
C. F. Peters
s.i.
2 volumes
30,5 cm x 24 cm (álbum)
[16 págs. + 12 págs. + 16 págs. + 3 x 24 págs. + 20 págs. + 16 págs. + 12 págs.] + [20 págs. + 4 x 12 págs. + 24 págs. + 54 págs. + 28 págs. + 8 págs. + 28 págs.]
reúne as seguintes vinte pautas para piano e para cravo:
Vier Stücke für das Pianoforte, op. 1
Poetische Tonbilder für das Pianoforte, op. 3
Humoresken für das Pianoforte, op. 6
Sonate (Emoll) für das Pianoforte, op. 7
Nordische Tänza für das Pianoforte übertragen, op. 17
Aus dem Volksleben. Humoresken für das Piano, op. 19
Ballade in Form von Variationen über eine norwegische Melodie für das Pianoforte, op. 24
Albumblätter für das Pianoforte, op. 28
Improvisata über 2 norwegische Volksweisen für Pianoforte, op. 29
Aus Holbergs Zeit. Suite im alten Stil für Pianoforte, op. 40
Klavierstücke nach eigenen Liedern, op. 41 (I e II)
Klavierstücke nach eigenen Liedern, op. 52 (I e II)
Norwegische Volksweisen für das Pianoforte, op. 66
Norwegische Bauerntänze (Slatter). Freie Bearbeitung für Pianoforte solo, op. 72
Stimmungen Sieben Klavierstücke, op. 73
Trauermarsch zum Andenken an Rikard Nordraak
Sturmwolken, Gnomenzug, Im wirbelnden Tanze
encadernações uniformes antigas em tela, um pouco gastas, com gravação a ouro nas pastas anteriores e nas lombadas
exemplares estimados apenas com um restauro e uma pequena falha de papel na quarta pauta do volume I sem afectar a mancha de impressão; miolo limpo
muito discretas assinaturas de posse no frontispício de todas as pautas
alguns carimbos das lojas importadoras, como por exemplo: Eduardo da Fonseca, Casa Moreira de Sá, Raul Venancio, ou o Centro Musical Raymundo de Macedo
90,00 eur

Grieg é talvez o mais notável compositor norueguês e, seguramente, o mais evidente defensor da tradição folclórica escandinava. A casa editora alemã fundada por Carl Friedrich Peters fez da obra dele – na passagem dos finais do século XIX para o XX – o núcleo forte do seu catálogo, cuja momentânea interrupção só se deveu ao confisco e “arianização” da empresa por parte do regime nazi. As cópias impressas, que constituem o presente conjunto, terão sido publicadas durante esse período, em que os responsáveis editoriais se estabeleceram em Nova Iorque.


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Wagner a Carlsrühe – L’Artiste du Siècle


CHAMBRUN, Comte de

Paris, 1898
Calmann Lévy, éditeur
1.ª edição
24,9 cm x 16,1 cm
4 págs. + 32 págs. + 4 folhas em extra-texto
ilustrado
miolo impresso sobre papel superior; fotogravuras impressas em cromo e coladas sobre velino previamente chanfrado com relevo seco, protegidas por papel de cristal
encadernação modesta antiga em tela e papel de fantasia com o selo de execução da casa Carmelita
conserva as capas de brochura
exemplar não aparado e em muito aceitável estado de conservação; miolo limpo
25,00 eur

Trata-se de um dos primeiros panegíricos ao grande compositor que foi Richard Wagner. O mesmo libertário Wagner companheiro de Bakunine e participante nas barricadas revolucionárias de Dresden em 1849, artista cujo ideal artístico, tanto como o seu humanismo anarquizante, «só poderiam vingar uma vez destruída esta civilização inteiramente devota ao “bezerro de oiro” [o dinheiro]» (Carlos da Fonseca, introd. A Arte e a Revolução, de Richard Wagner, trad. José Miranda Justo, Edições Antígona, Lisboa, 1990).
A abordagem panorâmica do conde de Chambrun, porém, cinge-se às qualidades musicais e poéticas de uma extensa, mas vinculativa, obra.


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Sábado, Janeiro 01, 2011

Morte e Vida Severina

JOÃO CABRAL DE MELO NETO

s.l., s.d. [São Paulo (Brasil), 1965]
TUCA – Teatro da Universidade Católica
[1.ª edição]
18,1 cm x 12,4 cm
32 págs.
subtítulo: Auto de Natal Pernambucano
acabamento com dois pontos em arame
exemplar muito estimado, apresentando apenas uma mancha na capa que transpirou para o interior sem afectar o texto
peça de colecção
40,00 eur

Serviu a vertente dramatização do poema de Melo Neto para o rompimento inaugural do Teatro da Universidade Católica de São Paulo, no Auditório Tibiriçá, a 11 de Setembro de 1965. Na sequência do seu estrondoso sucesso, a empresa discográfica Philips editará no ano seguinte o seu registo em LP, imortalizando-lhe as composições musicais, que trazem assinatura de Chico Buarque de Hollanda.
Para Alexandre Pinheiro Torres, tratava-se de «[...] um dos mais belos poemas de toda a literatura em língua portuguesa, obra-prima incontestável. [...]» (in prefácio a Poemas Escolhidos de João Cabral de Melo Neto, selecção de Alexandre O’Neill, Portugália Editora, Lisboa, 1963).


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L’Arrache-Cœur [junto com] Chansons Possibles, ou Impossibles


BORIS VIAN
pref. R.[Raymond] Queneau

Paris, 1971 e 1968
Jean-Jacques Pauvert éditeur
Philips
livro: 38.º milhar [neste editor, a edição original é de 1953 nas Éditions Pro Francia-Vrille]
disco: prensagem original
[21 cm x 13,4 cm] + [31,4 cm x 31,4 cm]
228 págs. + 1 disco LP estereofónico (vinil)
exemplar do livro bem conservado, miolo limpo; disco como novo
55,00 eur

Vian, engenheiro, músico de jazz, tradutor, boémio crítico do existencialismo sartreano, como escritor será um sucesso de vendas livreiras póstumo, apesar de ter até aberto as hostilidades sob o heterónimo Vernon Sullivan com um livro logo apreendido e interditado em tribunal por “ultraje aos bons costumes”. Via-se ele, a si mesmo, como alguém nascido «[...] à porta de uma maternidade fechada por uma greve com ocupação. Grávida das obras de Paul Claudel (desde aí é que o não gramo), a minha mãe já ia no 13.º mês e não podia esperar mais pela Concordata. [...] Em força e juízo cresci, mas sempre feio apesar de enfeitado com um sistema piloso descontínuo embora muito farto. No que respeita à cara, era igual à da Vitória de Samotrácia. De repente, porém, a minha fisionomia transformou-se e comecei a parecer-me com o Boris Vian. Daí o meu nome.» (Fonte: Aníbal Fernandes, «A Espuma de Bison Ravi: Uma Cronologia», in As Formigas, Assírio e Alvim, Lisboa, 1984)
Para não variar, ao vertente romance ninguém prestou qualquer atenção até o editor Pauvert, em 1962, o haver restituído a uma geração de leitores predispostos a transformar o seu autor em objecto de culto. E é neste contexto que também as empresas discográficas se dão conta do irónico filão musical contido em canções como «La Java des Bombes Atomiques», «Fais-Moi Mal Johnny», «Le Déserteur» ou «Complainte du Progrès», algumas delas vocalizadas pelo próprio Vian.


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