Quinta-feira, Fevereiro 02, 2012

O Monge



[MATTHEW GREGORY] LEWIS
trad. («do francez livremente») por Manoel Martins Cunha

Lisboa, 1861
Typographia Franco-Portugueza (Rua do Thesouro Velho n.º 6)
[ed. tradutor]
1.ª edição [única]
19,8 cm x 13 cm
4 págs. + 350 págs. + VIII págs. (lista de assinantes)
encadernação antiga em pele e papel de fantasia, com cantos em pele, nervuras na lombada com gravação a ouro e engenhosos relevos secos em ambas as pastas
exemplar sem capas de brochura, pouco aparado, em muito bom estado de conservação; miolo limpo e fresco
peça de colecção
55,00 eur

Obra-prima do romance fantástico, cuja franca licenciosidade custou a Lewis a apreensão policial. Diz-nos Egito Gonçalves, poeta que no século XX empreendeu nova tradução, em nota de badana da respectiva edição (Editorial Inova, 2.ª ed., Porto, Dezembro de 1974):
«[...] Publicado no final do século XVIII [1795], há a anotar a particularidade interessante de ter sido escrito por um moço de vinte anos. [...] Como uma cunha, o pecado instala-se no coração de Ambrósio, inspirado pregador de um convento de dominicanos em Madrid, apreciadíssimo pelo dom da palavra de que é senhor e venerado pela irrepreensível virtude que aparenta. Lewis vai empenhar-se em mostrar como, na conjunção de um certo número de factores, a minúscula fenda instalada na alma do monge é susceptível de fazer periclitar toda a estrutura antes julgada férrea. Tentado por Satã, a “pequena mancha” do orgulho crescerá, crescerá até englobar, primeiro, a bela Matilde, que lhe revela um mundo desconhecido de desvairada sensualidade; depois, uma jovem mulher por quem se sente irresistivelmente atraído e que acabará por violar. Para saciar o apetite despertado e enlouquecido, valer-se-á dos mais torpes estratagemas e dos mais abjectos crimes. Um sopro tempestuoso premonitor do Inferno abre caminho aos seus passos, nem sempre firmes, mas finalmente inexoráveis, sendo as páginas em que Lewis descreve o fogo infernal obras-primas de “horror sagrado”. Fantásticos, realistas ou ingénuos, entrecruzam-se no livro – demónios, assassínios, fantasmas, torturas, lúgubres subterrâneos, encontrando-se subjacente no romance uma potente crítica aos barbarismos de um poder que de espiritual decerto toma o nome. Inúmeros episódios secundários concorrem para criar em O Monge aquele “esplêndido céu de tempestade” referido [pelo surrealista] André Breton.»


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