Sexta-feira, Fevereiro 17, 2012

O Rei


CAMPOS LIMA

Lisboa, 1908
Livraria Gomes de Carvalho
[1.ª edição]
20,5 cm x 14 cm
16 págs.
acabamento com um ponto em arame
exemplar com a capa envelhecida; miolo limpo
45,00 eur

João Evangelista Campos Lima de seu nome por extenso esteve no cerne do anarquismo em Portugal, no âmago mesmo do derrube do obsoleto regime monárquico. Deve-se-lhe, por exemplo, a edição do breve periódico A Gafanha (oito fascículos apenas, dos quais no incontornável n.º 5 propõe a reconstrução de Benavente sob o modelo da comuna libertária), assim como a criação da editora Spartacus, que revelou glórias intelectuais como Ferreira de Castro e Mário Domingues.
Aqui, no vertente poema-panfleto, estigmatiza ele o rei D. Manuel II, assim:
«[...] Ha pois uma creança ingenua e delicada
Num throno apodrecido, um throno em derrocada.
A aurora ao pé da noite, o passado e o futuro.
É o caso da flôr nascida no monturo.
Quanto mais linda fôr, erguida sobre a haste,
Melhor nos fará ver, pelo rude contraste,
O lôdo onde brotou, a lama d’onde veiu.
Quanto mais seiva e luz tiver dentro do seio
Mais negro nos parece o sitio onde nasceu...
Passou o tempo já dos milagres de Orpheu:
E á voz d’um homem só não se transforma a vida,
Caprichosa, febril, ardente, dolorida.
Um throno será sempre o signal do poder,
A casta, as oppressões, mandar e obedecer:
A vida realisada em modo desegual,
Contrária á natureza, á sciencia e á moral.
Um rei, só pelo ser, deixa de ser humano,
Que um rei, por menos rei que seja, é um tyrano,
Porque detém a luz, a força d’uma ideia,
Constrange a liberdade e mette-a na cadeia.
A voz da multidão é-lhe odiosa e passa
Na bocca do rebelde o laço da mordaça.
Suppondo-se um destino, uma missão, não vê
Aquelles que não téem como elle a mesma fé. [...]»


pedidos para:
telemóvel: 919 746 089