CHRISTINE GARNIER
fotografias de Bret Koch e [António Rosa] Casaco
Paris, 29 de Fevereiro, 1952
Bernard Grasset, Éditeur
1.ª edição
tiragem privada em papel Japão Imperial
24,2 cm x 16,3 cm
254 págs. + 12 folhas em extra-texto (reproduções
fotográficas)
encadernação luxuosa da época (assinada pelo encadernador
Victor Santos), inteira em pele com nervuras, gravada a ouro em ambas as
pastas, na lombada e nas seixas; aparado e carminado à cabeça, conservando por
aparar todo o plano de entrada na máquina de impressão; mantém as capas de
brochura
a vinheta na lombada representa a Fénix
exemplar como novo
É O EXEMPLAR N.º I DE UMA TIRAGEM ESPECIAL FORA DO MERCADO,
DE APENAS OITO, TENDO O VERTENTE SIDO IMPRESSO «SPÉCIALEMENT POUR: SON EXCELLENCE
LE GÉNÉRAL CRAVEIRO LOPES, PRÉSIDENT DE LA RÉPUBLIQUE PORTUGAISE»
1.750,00 eur
No memorial de Antónia Maria
Pereira, Parceria A. M. Pereira – Crónica
de Uma Dinastia Livreira (Pandora Edições, Lisboa, 1998), recorda essa descendente
do fundador a circunstância em que Salazar “entra” na editora que foi a casa
portuguesa designada para a edição nacional da obra em referência:
«[...] A mulher de AMP, Maria
Helena, tem um sentido mais prático da vida e resolve, ela própria, pedir ajuda
ao Chefe de Governo em carta manuscrita onde invoca a sua condição de esposa
de AMP, católica praticante e mãe de quatro filhos e comunica a impossibilidade de concretização do desejo
manifestado por Sua Excelência de
manutenção da casa centenária dentro da mesma família, pois a livraria irá ser vendida a
uma editora estrangeira – possibilidade verídica – devido a uma inaguentável
situação financeira. Salazar não responde, mas ordena que a CNE – Companhia
Nacional Editora, pertença do Estado, adquira, de imediato, as quotas de familiares
sócios de AMP, proceda ao saneamento financeiro da empresa, para, depois, as mesmas
serem readquiridas e tudo ficar dentro da mesma família. AMP, se já
venerava o estadista, passa a adorá-lo e, qual crente a quem é concedida a
graça de estar perante o seu Deus, não consegue sequer ir pessoalmente
agradecer a benesse, pois teme não controlar as suas emoções perante a LUZ...
Entre as intenções e a realidade
vai um abismo e AMP, depois de tanta luta e sofrimento para manter a casa, cai
nesse abismo para não mais se levantar. Salazar dera ordens mas tem de que se
ocupar, não pensa mais no assunto e os delegados da CNE, no bom espírito do
Estado Novo, concebem o encargo como um bom “tacho”. Publica-se Férias com
Salazar, da jornalista francesa Christine Garnier, com fotografias do pide
António Rosa Casaco – o eventual primeiro gesto de saneamento financeiro da
empresa –, e o êxito é estrondoso, cinco edições esgotam rapidamente; a sexta,
porém, já não ostenta o nome da Parceria mas o da CNE... [etc., etc...]»


