ALEXANDRE HERCULANO
Lisboa, 1858
Typographia do Jornal do Commercio
1.ª edição (em separata)
23 cm x 16,9 cm
16 págs.
subtítulo: Extrahida
do Jornal do Commercio
plano tipográfico de oito páginas não aparadas impresso
frente e verso, dobrado em caderno de dezasseis páginas por abrir, sem costura
nem agrafo e por encapar
encontra-se no estado físico em que circulou na época
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
sinais de antiga goma no canto inferior esquerdo
peça de colecção
70,00 eur
Texto publicado primeiramente no Jornal do Comércio de Lisboa, a 23 de Maio de 1858, acerca do seu
conteúdo nos esclarecem José Custódio e José Manuel Garcia (ver Opúsculos I, 2.ª ed., Editorial Presença,
Lisboa, 1982):
«Há dois textos fundamentais para o
estudo das propostas de reforma administrativa de Alexandre Herculano. Ao
primeiro, chamaram-lhe o “credo político” e foi publicado em O Portuguez (1853). O segundo é a Carta aos Eleitores do Círculo de Sintra (1858).
Datam ambos do período regenerador
e integram-se numa fase muito rica de consequências das atitudes políticas de
Herculano. Após a expectativa e o desaire do movimento regenerador de 1851, o
velho liberal inicia uma fase de “contestação”
sistemática das orientações da política oficial, em especial do partido
liderado por Fontes Pereira de Melo e por Rodrigo da Fonseca. Como resultado,
Herculano entrincheira-se no círculo dos princípios e das formas puras do
liberalismo, cujas consequências são, por um lado, o utopismo e, por outro, o
desencanto versus abandono da vida política.
No “credo político”, Herculano
propõe a divisa da representação municipal directa, ou seja, o “governo do País
pelo País”. Consistia este
princípio na aceitação do sistema representativo completo, apoiado no
alargamento da participação política a todas “as extremidades do corpo da Nação”. Logo o alargamento da vida
política à vida local, de modo que o “governo central possa representar o
pensamento do País”. A adopção deste princípio
é marcadamente anticentralizadora, no sentido da rejeição tanto do centralismo
absolutista, como das influências centralizadoras do sistema
político-administrativo de Paris, como
ainda da estratégia dos partidos políticos – “sejam eles quais forem”
–, porque eles só tinham a ganhar com a centralização.
A apologia do municipalismo – como também a prática consequente
que dele faz – leva-o a propor
a eleição de campanário, ou
seja, a escolha inequívoca do representante político em função do local
onde esse representante vivia, onde era conhecido
e estimado pelos respectivos eleitores. É este precisamente o assunto da
Carta que dirige aos
eleitores de Sintra, que o querem ver assumir o lugar no Parlamento em defesa
dos interesses estremenhos. [...]»
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