A.[LEXANDRE]
HERCULANO
Lisboa, 1857
Na Typ. de José Baptista Morando
1.ª edição
22,9 cm x 14,4 cm
2 págs. + XII págs. + 58 págs.
exemplar estimado, com restauros na capa nomeadamente na
lombada; miolo limpo
peça de colecção
50,00 eur
Temos aqui um dos grandes textos do liberalismo, em que
Herculano afirma a sua oposição relativamente às “políticas” da Igreja católica,
do mesmo modo que se distancia da perniciosa influência desta última na
formação mental do povo português. Mas o que estava, sobretudo, aqui em jogo era
a discussão do tratado nacional a vir a ser assinado com a Santa Sé, e que
enquadraria deveres religiosos nacionais a gosto da reacção absolutista. Num
dos seus múltiplos aspectos, esse tratado – a Concordata – destinava-se a
atrofiar a ambição imperial portuguesa na Ásia. Diz Herculano, a dado passo, nas
suas Palavras Preliminares:
«[...] A guerra é com a usurpação estrangeira e com o
jesuitismo e ultramontanismo ad hoc de certo grupo de reaccionarios,
fezes de todos os partidos, mas principalmente das facções liberaes.
O catholicismo, ainda o mais fervoroso, é estranho á
contenda. Não se tracta hoje da crença que herdámos de nossos pais e que
devemos transmittir intacta a nossos filhos: tracta-se do direito: tracta-se de
manter os limites do sacerdocio e do imperio. [...] O que não somos obrigados a
acceitar é os erros e abusos dos seus [da Igreja romana] ministros ou a
deslealdade dos nossos; o que não podemos tolerar é a insaciavel ambição de
dominio da curia romana, incapaz de se desenganar de que as doutrinas de
Gregorio VII ácerca da supremacia politica de Roma sobre os reis e sobre os
povos não triumpharão jámais. [...]»
Estava, pois, outra vez reaberto – os dois primeiros volumes
de Da Origem e Estabelecimento da
Inquisição em Portugal, em 1854-1855, haviam sido um primeiro episódio – o aceso
e vasto debate de ideias que sedimentaria nos republicanos, mais tarde, o seu
espírito anticlerical.
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