Terça-feira, Abril 24, 2012

No Fundo deste Canal


ALFREDO MARGARIDO

Lisboa, 1960
Editora Arcádia Limitada
1.ª edição
18 cm x 10,5 cm
276 págs.
capa de Victor Palla
é o n.º 16-17 dos livros de bolso Colecção Autores Portugueses
exemplar em bom estado
20,00 eur

O autor, até aos finais dos anos 50, chegou a gravitar nas fileiras dos surrealistas, que depressa trocou pela norma abstractizante do “nouveau roman” e de que o presente livro constitui bom exemplo. Todavia, a sua acção cívica, na resistência ao Estado Novo, nunca se apaziguou.


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Quarta-feira, Abril 18, 2012

O 25 de Abril visto pelas crianças



[ANÓNIMO]

Lisboa, 1978
Mil Dias, Editora (Sérgio Guimarães)
1.ª edição
23,4 cm x 16,4 cm
160 págs. [não numeradas]
profusamente ilustrado a cor
exemplar estimado; miolo limpo
27,00 eur

Com «desenhos cedidos pelo FAOJ e União dos Clubes de Campolide» documenta-se aqui, em desenhos – alguns cativantes –, o olhar das crianças teleguiado pela vontade dos pais e das educadoras de infância.

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O Depoimento de Américo Thomaz



JOSÉ VILHENA

Lisboa, 1975
Edições Branco e Negro (ed. Autor)
[1.ª edição]
16,5 cm x 11,4 cm
144 págs.
ilustrado com reproduções fotográficas
exemplar como novo, sem qualquer marca de quebra na lombada
20,00 eur

O popular humorista José Vilhena, saindo um pouco do seu habitual estilo erótico-fescenino, aproveita as ondas-de-choque político do 25 de Abril para atacar, com a rudeza que também lhe era habitual, algumas figuras que haviam sido sustentáculo da governação e do “pensamento” durante a ditadura do Estado Novo. Depois de Vitorino Nemésio – na sua faceta televisiva de «se bem me lembro» –, é, no vertente livro, chegada a vez do ex-presidente Américo Thomaz, alcunhado de O Cabeça de Abóbora e por aí fora, num despautério de insultos à figura carismática do fascismo-à-portuguesa. Humor grosseiro, de porta de taberna, aliás como sempre; num escritor e caricaturista que ficará apenas na memória de uma geração pouco ou nada subtil, mais sensível às coxas redondas e aos lábios vermelhos das fêmeas do que ao primado da inteligência.

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Tomás, por ele mesmo


ORLANDO NEVES, org. e pref.

Lisboa, s.d. [1978]
Edições Saber Porquê
[1.ª edição]
23 cm x 16 cm
80 págs.
profusamente ilustrado
exemplar estimado; miolo limpo
25,00 eur

Livro publicado como protesto pela permissão do regresso de Américo Tomás a Portugal. Palavras de Orlando Neves no seu texto introdutório:
«Nenhum processo foi instaurado, após o 25 de Abril de 1974, contra o homem que, durante quase dezasseis anos ocupou o cargo do “mais alto magistrado da Nação” (fórmula preferencial do fascismo para designar o Chefe do Estado) e daí que o actual Presidente da República por razões, ao que parece, “humanitárias”, lhe permita o regresso a Portugal, após a sua expulsão do Continente na noite de 25 para 26 de Abril de 1974. Se, obviamente, espanta qualquer português antifascista a decisão de permitir o regresso de Américo Tomás (e não foi espantoso também que, tanto ele como Marcelo Caetano e outros, comodamente tivessem sido instalados na Madeira e, depois, generosamente enviados para o Brasil?!), o que realmente assombrará a História será o facto de o regime democrático, pós 25 de Abril, jamais se ter lembrado de acusar A. Tomás de algo que o fizesse comparecer na barra dos tribunais. Como se um homem que, ao longo da sua carreira militar, e mais tarde, política, deu cobertura e aval a todos os crimes contra a liberdade cometidos durante os consulados de Salazar e Caetano, pudesse ser equiparado ao mais inocente ou inócuo dos cidadãos! Como se A. Tomás não tivesse sido, organicamente, o mais responsável de todos os fascistas que nos governaram! Como se a ele, pela qualidade do cargo que desempenhou, não devesse ser assacada a responsabilidade de crimes comuns em que avultará o assassínio de Humberto Delgado, o seu opositor nas urnas em 1958, que, pelo menos, permitiu ficasse sem investigação nem julgamento! Como se A. Tomás não tivesse sido Comandante-em-Chefe de umas Forças Armadas em guerra e, como tal, permitido ou ocultado os massacres da guerra colonial! Como se A. Tomás não tivesse, em tudo isto, exercido o crime de “abuso de poder” que uma Constituição, que ele permitiu fosse completamente desrespeitada, previa! Como se A. Tomás não fosse o garante de um regime moralmente condenado por todas as forças democráticas do mundo e, inclusivamente, pela ONU!
É evidente que muita matéria deveria haver – pensaria o cidadão comum – para que A. Tomás, a regressar a Portugal, o fizesse directamente para a prisão.
[...] Com que direito se aduzem “razões humanitárias” a favor de um homem que, conscientemente, sempre as esqueceu no que respeitava aos outros?!...
E assim ficamos perplexos. Como foi possível passarem-se quatro anos (e não esqueçamos que não houve ainda prescrição para os crimes de que A. Tomás poderia ser acusado) sem que o ex-almirante tivesse sido questionado em tribunal?! [...]
Resta, aos antifascistas, o protesto. E esse protesto pode ser vário. O que pretendemos neste pequeno livro, para além de tudo o que aqui fica dito, é recordar, episodicamente, um homem que “à frente dos destinos da Nação” (outro cliché do Estado Novo dolorosamente verdadeiro) se revelou um convicto e feroz fascista através de uma personalidade que, mais que teórica, se nos mostrou ridícula, sem deixar de ser repressiva e policial. Muito mais que criador de palavras de ordem (coisa em que Salazar era perito) A. Tomás simbolizou em si um estado cultural conservador, antiprogressista, reaccionário, retrógado, limitado, raiando a idiotice (é exemplar a sua frase, que consta deste volume, a propósito de Salazar: ... “a Providência poupou-o à visão bem triste do mundo de hoje, que o progresso ajudou a alucinar”).
Não admira, portanto, que se o “mais alto magistrado da Nação” era aquele que as fotos e as frases de sua autoria recolhidas neste livro nos revelam (em breve antologia), o povo que o fascismo dominava havia de ser mantido ao menos a esse nível cultural. Este um ponto é importante. O fascismo só sobreviveu durante 48 anos porque tudo se fez para manter o povo na ignorância e estupidificação através de uma catequese pertinaz das forças políticas da época em que teve papel preponderante, como exemplo e mentor, A. Tomás. [...]»

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Mensagem de Ano Novo do Chefe do Estado


[AMÉRICO TOMÁS, almirante]

Lisboa, Janeiro de 1974
Secretaria de Estado da Informação e Turismo
[edição única]
25 cm x 18,3 cm
sem numeração [34 págs.] + 1 cartão de visita
inclui fotografia do autor (durante o discurso) em extra-texto
junto com o cartão de visita do contra-almirante Henrique dos Santos Tenreiro, ao que julgamos para personalizar a oferta do fascículo a um destinatário (não identificado)
exemplar como novo
peça de colecção, com interesse para a história do fim da ditadura do Estado Novo
70,00 eur

Trata-se efectivamente do último discurso que Portugal foi obrigado a ouvir da lavra do almirante; o Dia da Libertação veio quase logo a seguir, desmentindo as expectativas de um género de governo com quase meio século. E pela mão daqueles que não haviam chegado ao 10 de Junho na qualidade de mortos gloriosos.
Algumas palavras do discurso:
«[...] finalmente, de acordo com o procedimento seguido em todos os anos dos meus mandatos, procedi às sessões solenes inaugurais dos novos anos lectivos realizadas em todos os estabelecimentos militares de ensino. Destacadamente me refiro à cerimónia militar que se realizou no Terreiro do Paço, no dia 10 de Junho. Mais uma vez essa patriótica cerimónia decorreu com o brilho que lhe é peculiar, nela tendo sido condecorados os bravos combatentes que mais se distinguiram na defesa das terras portuguesas de Angola, de Moçambique e da Guiné. E, além das distinções concedidas, evocaram-se, saudosamente, comovidamente e com toda a gratidão, aqueles que nessa defesa perderam a vida. E, como tem sucedido nos anos anteriores, cerimónias semelhantes se realizaram noutras cidades da Metrópole e no Ultramar e em todas elas o fulgor das cerimónias foi idêntico. [...]»

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As Paredes em Liberdade


JOSÉ MARQUES, fotografias
maquette de Fernando Felgueiras e Amélia Afonso

Lisboa, Agosto de 1974
Editorial Teorema / Lobo Mau
1.ª edição [única]
13,5 cm x 19,7 cm (oblongo)
160 págs. (não numeradas)
impresso a duas cores
exemplar estimado; miolo limpo
35,00 eur

Este volume testemunha de a outra revolução, que também houve. De algum modo, mostra-nos como evoluíam, à época, os meios de comunicações de massa.
Palavras do texto de abertura:
«Ao longo de 48 anos, as paredes e os muros fizeram parte da imprensa clandestina portuguesa. Na calada da noite, arriscando a integridade física, mãos anónimas redigiam apressadamente a palavra de ordem, a crítica, o ataque antifascista.
Foi assim que as nossas paredes e os nossos muros passaram a ser um reflexo vivo da nossa consciência política, do nosso inconformismo, da nossa ânsia de liberdade em plena opressão.
Com o 25 de Abril, já conquistada a liberdade, as inscrições murais multiplicaram-se, verificando-se uma extrema diversidade de directrizes e de opiniões. Dir-se-ia até que a imprensa mural, por esse Portugal fora, se revitalizou intensamente, reflectindo uma pluralidade de pensamento só exprimível abertamente em democracia. [...]»


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As Paredes na Revolução – Graffiti



[ANÓNIMO]

Lisboa, 1978
Mil Dias, Editora (Sérgio Guimarães)
1.ª edição
23,8 cm x 16,9 cm
160 págs. [não numeradas]
profusamente ilustrado a cor
exemplar estimado; miolo limpo
27,00 eur

Importante acervo fotográfico cobrindo quase todos os quadrantes ideológicos da comunicação política urbana. Hoje, apenas por aqui é possível ter uma ideia das vozes de comando e palavras de ordem, destinadas às massas, oriundas na pseudo-espontaneidade partidária. Tal como os hinos nacionais, é suposto repeti-las – sinal de um cego compromisso – sem pensar sequer no significam.

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Os Anos da Guerra, 1961-1975




JOÃO DE MELO
[com o jornalista JOAQUIM VIEIRA]

capa e arranjo gráfico de José Teófilo Duarte

Lisboa, 1988
Círculo de Leitores
1.ª edição
2 vols. (completo)
28,7 cm x 21,9 cm (álbum)
224 págs. + 280 págs.
subtítulo: Os Portugueses em África – Crónica, Ficção e História
profusamente ilustrado
encadernação editorial com sobrecapas
exemplares como novos
55,00 eur

Trata-se da mais correcta abordagem daquilo que teria que conduzir, inevitavelmente, à revolta militar em 25 de Abril de 1974: a guerra colonial. Impressionante conjunto de documentação fotográfica explicita aquilo que, por vezes, as palavras não conseguem exprimir: o horror. E qual será o cúmulo do horror?...: Os velhos obrigarem os novos ir morrer à guerra.


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Terça-feira, Abril 17, 2012

Horizontes Fechados



RAUL REGO

Lisboa, 1969
ed. Autor
1.ª edição
19,5 cm x 12,5 cm
248 págs.
subtítulo: Páginas de Política
exemplar estimado, apresentando a lombada sinais da continuada acção da luz; miolo limpo, por abrir
25,00 eur


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Diário Político



RAUL RÊGO

Lisboa, s.d. [circa 1969, cf. BNP]
ed. Autor
1.ª edição
20,7 cm x 14,8 cm
144 págs.
exemplar estimado, com as capa e contracapa sujas; miolo limpo
com foto recortada de um jornal da época e colada na pág. 7
25,00 eur

Páginas de apontamentos esparsos, que cobrem o período dos primeiros meses de governação de Marcello Caetano. De reflexão em reflexão, assistindo ao brotar da fingida “primavera marcelista”, entre tantas outras esta passagem:
«[...] De todas as restrições e perseguições, as que mais afectaram o País e que mais difìcilmente serão reparáveis, são sem dúvida as que produziram na educação da juventude, no carácter das gentes e na cultura de todos nós, verdadeiras entorses espirituais, ondas de raquitismo e abaixamento de ideal. Crime inominável contra a nação foi esse da Inquisição portuguesa do século XX, originando uma onda emigratória intelectual bem semelhante à da segunda metade do séc. XVI. [...]»

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Segunda-feira, Abril 16, 2012

Pela Liberdade



JOSÉ MAGALHÃES GODINHO
pref. António Reis

Lisboa, 1990
Publicações Alfa, S.A.
1.ª edição
19,1 cm x 13,8 cm
274 págs.
cartonagem editorial em sintético gravado a ouro e relevo seco
exemplar como novo
20,00 eur

Antologia de textos com proveniências diversas, que muito bem documentam a clareza de ideias e a coragem cívica do resistente antifascista, advogado e maçon co-fundador do Partido Socialista.

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Falar Claro


JOSÉ MAGALHÃES GODINHO

Lisboa, 1969
ed. do Autor
1.ª edição
19,5 cm x 12,6 cm
208 págs.
exemplar como novo, por abrir; a contracapa apresenta muito pequenas falhas
20,00 eur

Reunião de artigos que o Autor vinha publicando no Diário de Lisboa e na Seara Nova, aqui revelados na íntegra, dados os cortes a que a imprensa periódica estava sujeita por ordem dos serviços da censura. Diz-nos ele, logo no Prefácio:
«[...] falar claro, para ver se gregos e troianos se dispõem finalmente a reconhecer que Portugal é, e tem de ser, de todos os portugueses e que todos temos o direito de fazer ouvir as nossas vozes e de participar na vida política nacional. [...]
Não pode continuar este divórcio entre governantes e governados que dura há longos quarenta anos. [...]»
Livro publicado no convulso quadro do plebiscito que conduziu Marcelo Caetano à governação do Estado Novo após a morte de Salazar. Obviamente, foi proibido e apreendido. (vd. Livros Proibidos no Estado Novo, Assembleia da República, Lisboa, 2005)

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A Ideia da Liberdade no Pensamento Português



ROMEU DE MELO, org. e pref.
capa e grafismo de Tòssan

Lisboa, 1985
Terra Livre – Direcção-Geral da Comunicação Social
1.ª edição
20,4 cm x 14,6 cm
172 págs. + 16 págs. em extra-texto
exemplar muito estimado; miolo limpo
20,00 eur

Antologia de reflexões cuja temática, ora filosófica ora sócio-política, preocupou intelectuais como, entre outros, Fidelino de Figueiredo, Almeida Garrett, Basílio Teles, António Sérgio, Raul Leal, José Marinho, Raul Brandão, Afonso Botelho, etc. Raul Proença, por exemplo, circunscreve-lhe os adversários:
«Liberdade e igualdade, tais seriam, segundo a escola reaccionária, os dois conceitos funestos da democracia. Não só as realidades constituiriam a sua evidente negação, como toda a vida social seria profundamente lesada pelo facto de se propor aos homens a realização progressiva desses dois conceitos. A Declaração dos Direitos do Homem, que os afirmou como bases da sociedade política, seria assim o catecismo da quimera e da mentira, o “Organon” da anarquia e da dissolução social. [...]»

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Domingo, Abril 15, 2012

Lei de Imprensa – Liberdade de Imprensa



JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS
capa de Manuel Augusto

Lisboa, 28 de Maio de 1972
Prelo Editora, S. A. R. L.
1.ª edição
17,9 cm x 11,9 cm
104 págs.
exemplar como novo
20,00 eur

Uma passagem do texto:
«[...] Durante muitos e muitos anos clamou-se em Portugal por uma Lei de Imprensa, nas colunas de jornais e revistas que de todo não se tinham enfeudado ao poder. Mas o que de facto se reclamava, ou reivindicava, através de um eufemismo para escapar às apertadíssimas e rigorosíssimas malhas censórias – era a Liberdade de Imprensa, pois lei tinhamo-la nós. [...]
O que, portanto, se pretendia era a liberdade de imprensa – ou nem tanto, mas apenas a extinção da forma mais primária e brutal de a asfixiar – a censura prévia (ou, mais correctamente: a censura prévia oficial, dado haver ainda, muitas vezes, uma censura interna dentro dos jornais). Uma censura que, a pretexto de evitar a perversão da opinião pública, tem como fim essencial defender o poder constituído, impedindo a divulgação de todos os factos, notícias ou comentários que lhe sejam desfavoráveis, ou simplesmente incómodos, ou às vezes, até, que apenas (sem que se saiba mesmo porquê) lhe desagradem. [...]»

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Sexta-feira, Abril 13, 2012

Dois Annos de Troça



EDUARDO FERNANDES (ESCULAPIO)
pref. Antonio de Campos Junior

Lisboa, 1900
Empreza da Historia de Portugal – Sociedade editora
1.ª edição
16,6 cm x 12 cm
XIV págs. + 242 págs. + 1 folha em extra-texto
subtítulo: Gazetilhas publicadas em O Seculo (94-95)
cartonagem editorial
ilustrado com um retrato do Autor gravado por Francisco Pastor
exemplar estimado, com restauro nas págs. XIII-XIV; miolo limpo
25,00 eur

Reunião de versos satíricos inicialmente publicados no jornal O Século, as «gazetilhas [...], tantas d’ellas encantadoras de singeleza e admiraveis de graça, muito portuguezas no rir e na fórma, o que é já raro merecimento n’estes  apagados tempos de alta e baixa desnacionalisação; todas impregnadas de um certo sabôr comico muito nosso e d’uma espontaneidade que nos lembra as mais deliciosas quintilhas do Tolentino. [...]» (Ver nota introdutória de Campos Junior).
Eduardo Fernandes era, na época, basto conhecido como empresário teatral, também dramaturgo e figura notória da Baixa lisboeta.

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Quinta-feira, Abril 12, 2012

Discurso de António Champalimaud em reunião de trabalho do Banco Pinto & Sotto Mayor


ANTÓNIO CHAMPALIMAUD

Lisboa, 1978
Banco Pinto & Souto Mayor
1.ª edição
20,8 cm x 14,9 cm
16 págs.
acabamento com dois pontos em arame
exemplar como novo
17,00 eur

A lição que deve tirar-se desta breve intervenção do banqueiro Champalimaud na reunião trimestral da direcção do referido banco constitui menos a expressão de um visionário do que o alerta frio e acutilante para aquilo com que a banca em geral veio, posteriormente, fazer escola. Quem hoje vê o estado selvagem a que chegou a finança, à escala planetária, certamente encontrará ressonâncias assustadoras nas palavras a seguir transcritas:
«[...] Dentro do estatuto legal que nos rege, de banco comercial, seria puro jogo de azar recolher depósitos sob a sua égide e lançá-los por forma generalizada no mercado do financiamento que está protegido por outro estatuto que é aquele que rege os bancos de investimento, até aqui monopólio do Estado.
Proceder por forma diferente conduziria necessariamente a praticar lances de fortuna. Ora, recordo, meus senhores, que um banco não é um casino.»


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Terça-feira, Abril 10, 2012

Fumos de Ópio


CLAUDE FARRÈRE
trad. e pref. de Teixeira Leite


Lisboa, 1949
Editorial Enciclopédia, Lda.
[1.ª edição]
19 cm x 12,5 cm
216 págs.
capa de João Carlos [Celestino Gomes]
exemplar em muito bom estado
25,00 eur

Pseudónimo de Frédéric-Charles Bargone. Trata-se do segundo livro do autor, que, por um outro título seu, veio a receber o Prémio Goncourt no ano seguinte (1905).
Uma passagem:
«[...] O pesadelo. Ninguém, a não ser o fumador de ópio, sabe o que é o pesadelo.
Sei de pessoas que dizem: Esta noite tive um sonho terrível: as paredes aproximavam-se uma da outra e esmagavam-me. Ou, então: caía num precipício. Ou, ainda: via minha mulher e meus filhos torturados, sem que eu os pudesse socorrer. – E essas pessoas põem as mãos diante dos olhos, e exclamam horrorizadas: Que pesadelo!
No meu pesadelo, não há precipício, nem paredes, nem mulher, nem filhos. Não há nada. Há o vácuo, o nada e a escuridão. Há a assustadora realidade da morte – tão próxima, tão próxima, que o condenado que espera a guilhotina, não vê a eternidade tão próxima como eu. [...]»


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Domingo, Abril 08, 2012

A Restauração de Portugal




L.[UÍS] A.[UGUSTO] PALMEIRIM, dir.
et alli
desenhos e gravuras de Caetano Alberto e Manuel de Macedo

Lisboa, 1885 [aliás 1889*]
Empresa do Occidente («Publicado sob os auspicios da Commissão Central Primeiro de Dezembro de 1640»)
1.ª edição [única]
37,5 cm x 26,5 cm
36 págs.
subtítulo: Opusculo Historico
ilustrado
encadernação antiga em meia-francesa em pele e tela gravada a ouro na pasta anterior e na lombada, com vinhetas românticas e nervuras pontuadas, autenticada com o selo do encadernador Raúl de Almeida
muito pouco aparado, conserva as capas de brochura
exemplar muito estimado; miolo limpo* vagamente oxidado nas primeira e última folhas
peça de colecção
80,00 eur

Inclui colaborações literárias de, entre outros, Alberto Pimentel, Cunha Belém, Brito Aranha, Vilhena Barbosa, Júlio César Machado, Luciano Cordeiro, Bulhão Pato, visconde de Benalcanfor, Júlio de Castilho, Sanches Baena, etc. No geral, o contributo de todos os autores trata de divulgar episódios históricos que de algum modo levaram à restauração da independência do país e às derradeiras lutas contra a dominação da vizinha Espanha.

* Todos os exemplares que compulsámos ostentam, colado na pág. 2, um agressivo extra-texto assinado por Quintino Augusto da Costa, secretário da referida Comissão, e que reza o seguinte: «A Commissão Central 1.º de Dezembro de 1640 não publicou o presente opusculo no dia da inauguração do Monumento aos Restauradores em 28 de Abril de 1886, por não concordar com as doutrinas de alguns dos artigos d’este opusculo, e por não serem officiaes e não estarem exactas, as contas que se mencionam a paginas 14, da receita obtida para a construcção d’aquelle Monumento. [...]» E a notícia de tal desentendimento entre as partes vai ao ponto de todos os exemplares terem sido riscados a lápis em passagens de artigos nas págs. 14 e 30.

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Terra Lusa – Revista de Arqueologia Artistica e Etnografia




Lisboa, Outubro de 1951, Julho de 1952 e s.d.
Livraria Ferin
dir. Sebastião Pessanha e Alberto Sousa
colecção completa (3 números)
30 cm x 22,8 cm
96 págs. (numeração contínua [3 x 32 págs.]) + 3 folhas em extra-texto, duas das quais têm 1 cromo colado + 2 cromos (ex-libris) colados na pág. 96
profusamente ilustrados
exemplares manuseados mas aceitáveis; miolo limpo
acondicionados em elegante estojo próprio de recente manufactura
115,00 eur

Colaboração, entre outros, de Rocha Madahil, Augusto e Fernando Pires de Lima, Jorge Dias, Luís Chaves, Cardoso Marta, Ary dos Santos (pai), Azinhal Abelho, Ernesto de Oliveira, Pedro Batalha Reis, etc.
Da proposta inicial, assinada por D. Sebastião Pessanha:
«[...] Terra Lusa será principalmente mais um repositório de materiais adrede reunidos para um melhor conhecimento de Portugal e do seu povo – e neste desejo se alarga, quanto possível, o âmbito da sua actividade –, ao mesmo tempo que procurará defender, por todas as formas, o que resta do património material e espiritual que herdamos das passadas gerações, que o mesmo é que defender a própria nacionalidade. [...]»

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Domingo, Abril 01, 2012

Vida Contemporânea – Revista mensal de estudos económicos, financeiros, sociais e literários



Lisboa, Maio de 1934 a Abril de 1936
dir. Cunha Leal
redactor principal Vasco da Gama Fernandes
colecção completa (24 números)
24,9 cm x 19,2 cm
710 págs. (distrib. por 8 fascículos, numeração contínua) + 1.182 págs. (distrib. por 16 fascículos, numeração contínua) + 1 encarte («Aviso aos srs. assinantes»* incluso no n.º 14) + 198 págs. em extratexto (anunciantes, distrib. por todos os fascículos)
impresso sobre papel avergoado
exemplares manuseados mas aceitáveis, alguns com sujidade e pequenas falhas de papel apenas nas capas; miolo limpo no geral
alguns exemplares ostentam o carimbo do Centro Republicano Académico de Coimbra
225,00 eur

Escreve Daniel Pires no Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1900-1940) (Grifo, Lisboa, 1996):
«[...] Revista que por diversas vezes exaltou os ideais da República, evo­cando acontecimentos fulcrais como o 5 de Outubro ou o 31 de Janeiro, apresentou alguma colaboração que não pode deixar de ser referida: Almada Negreiros insurge-se contra a situação caótica da arte em Portugal; Abel Salazar relaciona ciência e direito ao longo de vários números e faz crítica de arte; José Lopes faz o balanço da poesia de Cabo-Verde; Aquilino Ribeiro debruça-se sobre o fenómeno da guerra; Vasco da Gama Fernandes e Cunha Leal escrevem artigos doutrinários [...]»
Colaboração, entre outros, de Pimenta de Castro, Lobo Vilela, Almerindo Lessa, Hipólito Raposo, Henrique Vilhena, Armando Cortesão, André Brun, Severo Portela, Campos Lima, Carlos Amaro, Fidelino de Figueiredo, etc.

* O conteúdo deste Aviso é de crucial importância para se perceber como funcionavam, já então, os contra-informadores. Sic: «Como se propalasse sem qualquer fundamento que a Vida Contemporânea iria interromper a sua publicação, em virtude do seu director se encontrar residindo fóra do país, vem esta administração [António Casanovas Augustine] afirmar que tal não é verdade e que esta revista, à semelhança do que tem acontecido, continuará a sair nos princípios de cada mês e como até agora sob a direcção do sr. engenheiro Francisco Pinto da Cunha Leal. – Lisboa, 1 de Junho de 1935 – A Administração

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15 Anos de Obras Públicas, 1932-1947





MARQUES DA COSTA (dir. gráfica, vol. I)
MANUEL LAPA (capa e desenhos, vol. I)
LUÍS TEIXEIRA (texto e compilação, vol. II)
LUÍS REIS SANTOS (dir. gráfica, vol. II)


Lisboa, 1948-1949
Comissão Executiva da Exposição de Obras Públicas
1.ª edição
2 volumes (completo)
32,7 cm x 25,5 cm (formato de álbum)
[188 págs. (180 págs.*) + 138 págs. (extra-textos com fotografias a preto e branco) + 3 folhas (extra-textos com desenhos de página inteira impressos a cor)] + [328 págs. + 64 págs. (extra-textos com fotografias a preto e branco)]
* em nota de rodapé na pág. 184 deste vol. I o editor assinala um erro de numeração entre as págs. 88 e 97
subtítulos:
I volume – Livro de Ouro
II volume – Exposição e Congressos de Engenharia e de Arquitectura
impressão sobre papel superior avergoado executada por Imprensa Nacional de Lisboa, Litografia de Portugal e Neogravura (vol. I); Oficinas Gráficas de Ramos, Afonso & Moita, Bertrand (Irmãos) e Neogravura (vol. II); acabamentos de Paulino Ferreira e de Frederico d’Almeida, respectivamente
cartonagem editorial
exemplares manuseados mas aceitáveis; miolo limpo
260,00 eur

Acervo detalhado das obras públicas do regime ditatorial, numa época particularmente marcada por dois engenheiros e, também, ministros de Estado fora de série: Duarte Pacheco e Frederico Ulrich. Colaboram na feitura dos volumes, entre outros, Cottinelli Telmo, Diogo de Macedo, Eduardo Arantes e Oliveira, Bissaia Barreto, Augusto de Castro, Jorge Segurado, Fernando Pamplona, etc.


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