Quinta-feira, Agosto 30, 2012

Vinte Anos de Coimbra



D. MANUEL GONÇALVES CEREJEIRA
pref. Manuel, bispo de Helenópole, e António Garcia Ribeiro de Vasconcelos

Lisboa, 1943
Edições Gama
1.ª edição
19,2 cm x 12,4 cm
XL págs. + 236 págs. + 1 folha em extra-texto
capa impressa a duas cores e relevo seco, rosto impresso a duas cores
exemplar estimado com pequenos restauros nos topos da lombada; miolo limpo
30,00 eur

Já então arcebispo de Mitilene e amigo pessoal de Salazar, substitui António Mendes Belo no cargo de cardeal-patriarca de Lisboa em 1929. «Gonçalves Cerejeira, ex-estudante da Universidade de Coimbra, ex-militante e dirigente do CADC [Centro Académico de Democracia Cristã] de Coimbra e da Acção Católica portuguesa, ex-redactor e principal dinamizador do semanário Imparcial (o órgão oficial do CADC de Coimbra entre 1912 e 1919), ex-docente de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, apologista e divulgador da leitura oficial e maioritária do ideal democrata-cristão (“autoritário”, “teocrático”, corporativista, nacionalista e colonialista; antiliberal, antidemocrático e anti-socialista), [é a] figura cimeira da Igreja Católica portuguesa quase até ao fim da Ditadura.» (João Paulo Avelãs Nunes, in História de Portugal em Datas, Círculo de Leitores, Lisboa, 1995)

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Para um Diálogo com o Sr. Cardeal Patriarca [junto com] Na Hora do Diálogo



RAUL RÊGO
MANUEL GONÇALVES CEREJEIRA

Lisboa, 1968 e 1967
ed. Autor
União Gráfica
1.ª edição (ambos)
[19,2 cm x 12,4 cm] + [19,4 cm x 13 cm]
48 págs. + [84 págs. + 1 folha em extra-texto]
ambos impressos sobre papel superior
exemplares estimados, o primeiro com as capa e contracapa sujas; miolo limpo
40,00 eur

Duas passagens de mais um texto, o de Raul Rego, que ajuda a iluminar as trevas caídas sobre toda uma época:
«A palestra de D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Cardeal Patriarca de Lisboa, na altura do aniversário da sua entronização no sólio patriarcal, transmitida pelos emissores da rádio e da televisão, e depois publicada em volume, sob o título de Na Hora do Diálogo, não suscitou reacções na imprensa, a não ser os elogios habituais a tudo quanto dizem pessoas altamente colocadas. Os cargos eminentes estão a ser autênticos altares onde só os fumos do incenso chegam.
Intitulando-se de “diálogo” pareceu-me que havia observações a fazer a Sua Eminência e apresentei-lhas em [duas cartas] [...].»
E um pouco adiante: «[...] Junto envio a Vossa Eminência uma prova de Censura que talvez lhe seja de algum interesse. Trata-se da notícia do jornal de que sou redactor, tal como eu a escrevi e depois mutilada pela Censura, a ponto de em certa passagem ficar sem sentido. Suponho interesse a Vossa Eminência por se tratar da publicação em volume da resposta a muitas questões que pretendeu dar em vésperas de completar trinta e oito anos de Patriarca de Lisboa e que intitulou Na Hora do Diálogo. Mas, como vê, não pode haver diálogo. Apenas o monólogo do governo totalitário e daqueles que, consciente ou inconscientemente, o servem. A Censura tudo rasoira. [...]»

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Domingo, Agosto 26, 2012

Dinossauro Excelentissimo




JOSÉ CARDOSO PIRES
ilust. João Abel Manta

Lisboa / Rio de Janeiro, 1972
Editora Arcádia / Editora Civilização Brasileira S. A. R. L.
1.ª edição
24,7 cm x 17,4 cm
96 págs. + 21 folhas em extra-texto
profusamente ilustrado em separado
encadernação editorial em sintético com gravação a ouro na pasta dianteira e na lombada, protegida com a mica de origem
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
É O N.º 1 DE UMA TIRAGEM DECLARADA DE 120 EXEMPLARES IMPRESSOS SOBRE PAPEL ESPECIAL DE COR MOSTARDA, ASSINADO PELO ESCRITOR E PELO ILUSTRADOR
peça única, de colecção
1.750,00 eur

Sátira política, escrita de forma desabrida e sem rodeios ou hesitações, ao estilo oitocentista da Viagem à Roda da Parvónia (Gil Vaz, pseud.). O livro caricaturiza Salazar e a parte da nação que o aplaudia e perpetuava numa descarada busca de benesses e privilégios. Caricatura feroz, que João Abel Manta reforça com os seus desenhos igualmente corajosos. As primeiras linhas desta alegoria anunciam desde logo o que vai seguir-se: «[...] não há muito tempo existiu no Reino do Mexilhão um imperador que na ânsia de purificar as palavras acabou por ficar entrevado com a paralisia da mentira. Ainda lá está, dizem. E não é homem nem estátua porque a ele, sim, roubaram-lhe a morte. Não faz parte deste nosso mundo nem daquele para onde costumam ir os cadáveres, embora cheire terrìvelmente. Quando muito é isso, um cheiro. Um fio de peste a alastrar por todas as vilas do império. [...]» O sabor da narrativa espraia-se daí em diante, mesmo os personegens de Cardoso Pires têm nomes de cena que, só por si, dizem tudo, como o Juiz das Causas Combinadas, ou frei Pantaleão das Bulas. É a contemporânea História de Portugal, o seu resumo imediato, desfiando-se como reportagem por dentro do regime sócio-político vigente na altura, e igual a si próprio, até ao capítulo Epílogo, este uma pequena obra-prima da literatura panfletária portuguesa. Lá se lê, com um sorriso amargo e um aperto no estômago, como foi possível mascarar o colapso da governação de Salazar, sem que o próprio disso se apercebesse, após a sua queda da cadeira em Agosto de 1968 e até Julho de 1970, enquanto o seu sucessor, Caetano, contava as espingardas e garantia um lugar na vergonha pátria.

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Dinossauro Excelentissimo




JOSÉ CARDOSO PIRES
ilust. João Abel Manta

Lisboa / Rio de Janeiro, 1972
Editora Arcádia / Editora Civilização Brasileira S. A. R. L.
1.ª edição
24,7 cm x 17,4 cm
96 págs. + 21 folhas em extra-texto
profusamente ilustrado em separado
encadernação editorial em tela encerada e sobrecapa impressa
exemplar em bom estado de conservação, com muito discreto restauro no topo superior esquerdo da sobrecapa; miolo irrepreensível
75,00 eur

Obra-prima da sátira política portuguesa. O seu carácter subversivo traça o melhor retrato que se conhece da transição do poder das garras de Salazar para as de Caetano, episódio dos mais risíveis da história contemporânea.

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Sexta-feira, Agosto 24, 2012

O Domingo Illustrado – Archivo de Historia Patria




Lisboa, Maio de 1897 a 1900
dir. J. Garcia de Lima
256 números em 5 volumes (vols. 4 e 5 juntos) (colecção completa)
35,5 cm x 24,5 cm
1.060 págs. (numeração contínua)
ilustrado, paginação a duas colunas
exemplares estimados; miolo limpo
brochados em 4 tomos, apenas dois com as capas editoriais, e acondicionados num estojo próprio de confecção recente
a entrada do vol. 5.º faz-se na passagem da pág. 868 para a seguinte; inclui o respectivo Appendice ao Domingo Illustrado após a pág. 1.036
535,00 eur

Rara publicação de carácter corográfico e heráldico, que reúne vastos artigos de «apontamentos historicos, relativos ás cidades, villas e parochias do reino; sua fundação, successos mais notaveis, descripções de monumentos, brazões d’armas (quando os possuam), lendas, tradições que as acompanham, etc.». O seu interesse para o “poder local” faz dela uma incontornável peça de conhecimentos vários. Pode ser comodamente consultada como uma enciclopédia, dado quer a sequência alfabética do seu conteúdo, quer os índices remissivos. Entre os seus colaboradores científicos (na esmagadora maioria anónimos) e literários, por exemplo, podemos encontrar breves presenças de Guerra Junqueiro, João de Deus, Júlio Diniz, Angelina Vidal, Gonçalves Crespo, Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Soares de Passos, João Diniz...

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Quinta-feira, Agosto 23, 2012

Os Vinculos em Portugal


D. ANTONIO DE ALMEIDA

Lisboa, 1852 a 1857
Imprensa Nacional
1.ª edição
4 folhetos (completo)
25,6 cm x 17,9 cm
24 págs. + 32 págs. + 44 págs. + 76 págs.
títulos:
primeiro folheto – Os Vinculos em Portugal
segundo folheto – Reflexões Sobre os Vinculos
terceiro folheto – Breves Considerações Sobre os Vinculos
quarto folheto – A Reforma dos Vinculos
acabamento em cadernos dobrados e cosidos à linha
exemplares em bom estado de conservação; miolo limpo, por abrir
encontram-se no estado em que circularam na época, agora acondicionados num elegante estojo de confecção manual recente
80,00 eur

A estrutura da propriedade fundiária em morgados, ou património familiar inalienável e indivisível, é aqui discutida por uma “última vez” antes da sua “abolição” em 1863. Reconhecidamente incompatível com uma noção de propriedade mais fragmentada, que a burguesia ascendente do século XIX vinha impondo à nobreza em declínio, acabou este antigo instituto por ceder mais por via das dívidas da nobreza a essa burguesia capitalista do que por força da Lei.


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Quarta-feira, Agosto 22, 2012

João Abel Manta – Gráfica [catálogo]





OSVALDO DE SOUSA
grafismo de Sebastião Rodrigues

Vila Real, 1988
Edição Prémio Stuart-Regisconta
1.ª edição
21,2 cm x 25,2 cm (oblongo)
32 págs. + 12 estampas em extra-texto (inclusas em bolsa própria no verso da contracapa)
profusamente ilustrado a preto e a cor, no corpo do texto e em separado
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor
40,00 eur

Da sua obra diz-nos João Paulo Cotrim no álbum que assinala a mais recente consagração artística de Manta (o novo Prémio Stuart, mas agora sob a égide do El Corte Inglés), João Abel Manta – Caprichos e Desastres (Assírio & Alvim / El Corte Inglés / CML – Museu Bordalo Pinheiro, Lisboa, 2008):
«[...] Em João Abel Manta cruzam-se, além das disciplinas da pintura e do design, que convoca amiúde para o seu labor de livre comentador, um agudo sentido de observação, o desejo de intervir muito para além do acto criativo, a persistência na abordagem de questões-chave como a condição humana, tocada pelo absurdo, e uma obsessão com as questões da nacionalidade, no que constitui uma relação bastante dúbia com os acontecimentos. Além de uma rara capacidade para traduzir interpretações em imagens poderosas, que o foram em datas concretas, contribuindo em muito para um imaginário colectivo da sociedade portuguesa do pós 25 de Abril. [...]»

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Sábado, Agosto 18, 2012

Monsanto – A Aldeia mais portuguesa de Portugal



FRANCISCO BARBOSA PEREIRA CORREIA
fotos de Luís Filipe Camejo

Lisboa, 1986
s.i.
2.ª edição
22 cm x 16,5 cm
24 págs.
subtítulo: Roteiro: O seu Castelo – As suas lendas – Como Monsanto ganhou o “Galo de Prata”
acabamento com dois pontos em arame
exemplar como novo
17,00 eur

Breve monografia desta “aldeia” situada no concelho de Idanha-a-Nova e melhor designada por Monsanto da Beira. Foi-lhe atribuído, em 1938, um prémio do Estado, sob a égide cultural de António Ferro, que pretendeu pôr em destaque tradições populares e folclóricas nacionais e nacionalistas. Monsanto já carreava no seu velho castelo uma história de resistência ao invasor espanhol, e agora, certamente, pelo menos em símbolo senão na prática, constituía posto de vigilância à fuga desesperada dos perseguidos da guerra civil no país vizinho.

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Monsanto – Etnografia e Linguagem


MARIA LEONOR CARVALHÃO BUESCU
capa de Rui Ligeiro


Lisboa, s.d. [1984]
Editorial Presença
2.ª edição
24 cm x 17 cm
328 págs.
ilustrado no corpo do texto
exemplar estimado, miolo irrepreensível
25,00 eur

Situada perto de Idanha-a-Nova (Beira Baixa), pela sua autenticidade Monsanto foi considerada pelo SNI – Secretariado Nacional de Informação, em 1938, a aldeia mais portuguesa de Portugal com a atribuição do Galo de Prata, cuja réplica os monsantinos exibem ainda hoje no cimo da Torre de Lucano. O estudo da autora, datado de 1958, veio conferir propriedade a esse prémio, e constituiu a sua tese de licenciatura em Filologia Clássica.

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Quinta-feira, Agosto 16, 2012

Elementos para um estudo da Casa dos Bicos




HELDER CARITA
JOÃO PAULO CONCEIÇÃO
MIGUEL PIMENTEL

Lisboa, 1983
Pisa – Babel
1.ª edição
22,8 cm x 31,7 cm (oblongo)
74 folhas impressas apenas retro + 5 vegetais em extra-texto
cartonagem editorial em tela crua no lombo e pastas em papel avergoado impresso a duas cores e armado sobre cartão
exemplar estimado; miolo limpo
45,00 eur

Rara abordagem histórico-arquitectónica do estranho edifício quinhentista na ribeira de Lisboa atribuído a Braz de Albuquerque. Citando os autores: «[...] A aparente ambiguidade na concepção arquitectónica da Casa dos Bicos, entre um programa medieval e uma aspiração renascentista, esconde uma temática mais profunda, fundamental para a compreensão desta casa e de toda a arquitectura portuguesa; o conflito entre uma concepção espacio-temporal oriental, descontínua e estática, e uma concepção europeia, essencialmente contínua e dinâmica. [...]
Já nas iluminuras dos princípios do séc. XVI, atestando uma tradição e costume anterior, Lisboa aparece pontuada de largas varandas-galerias, desaparecidas posteriormente da gramática arquitectónica portuguesa.
Duma notável qualidade urbana e vivêncial, as vastas galerias e loggias, aparecem fechadas a partir do séc. XVII por um rigoroso luto urbano e cultural, ligado sem dúvida às reformas religiosas e ao omnipresente poderio jesuítico. Ficou assim apagado um dos elementos importantes para a compreensão da estrutura dos espaços domésticos portugueses, relegando para a loggia italiana renascentista uma tradição profundamente portuguesa. [...]
A descoberta do páteo da Casa dos Bicos e da sua função como núcleo de distribuição, organizador do programa arquitectónico, vem aproximar a Casa dos Bicos do grupo de casas dos séc. XVI e XVII de raíz mediterrânica-árabe. [...]
No núcleo da arquitectura doméstica portuguesa, a Casa dos Bicos é talvez a primeira transposição formal duma simbiose entre duas visões espaço-temporais distintas, a fachada-muro.
Esta concepção manifesta-se por uma aproximação virtual da casa pelo exterior, através duma fachada que se mantém contudo pouco fenestrada, por vezes quase cega ao nível das entradas, mas abrindo-se generosamente sobre o jardim lateral ou páteo. [...]»

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Terça-feira, Agosto 14, 2012

História da Cultura em Portugal



ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA

Lisboa, 1950 [1952], 1953 [1955] e 1962
Jornal do Fôro
1.ª edição
3 volumes em 48 fascículos (ou cadernetas) com as respectivas capilhas (completo)
26,8 cm x 21,2 cm
[800 págs. + 11 folhas (ilustrações) em extra-texto + 3 folhas-volantes (avisos e publicidade)] + [756 págs. + 6 folhas (ilustrações) em extra-texto] + [722 págs. + 2 folhas-volantes (avisos e publicidade)]
profusamente ilustrado no corpo do texto e em separado
composto manualmente em Elzevir
apresentam-se na raríssima forma original de comercialização *, protegidos por três elegantes estojos de confecção manual recente, forrados a tela
incluem as capas para as respectivas projectadas brochuras
exemplares em bom estado de conservação, com restauros ocasionais nalgumas capilhas com fita não ácida; miolo limpo
o volume II inclui as duas variantes conhecidas do frontispício, uma datada de 1953 e a outra de 1955
PEÇA DE COLECÇÃO
380,00 eur

Obra de grande fôlego, inicialmente projectada como edição do Autor, rápido o Jornal do Fôro toma a seu cargo a iniciativa. Da nota editorial ao plano da obra:
«[...] Se é certo haver já publicadas inúmeras histórias da literatura portuguesa, mais ou menos completas, mais ou menos perfeitas, a verdade é não existir ainda, entre nós, uma obra que nos dê o panorama global e complexo da evolução da cultura portuguesa através os tempos – uma obra, enfim, que responda às exigências impostas por uma autêntica história da Cultura em Portugal.
Esta grave lacuna vai agora ser suprida, e de certo ninguém mais autorizado que o dr. António José Saraiva poderia, entre nós, tomar a seu cargo tarefa de tão pesada responsabilidade. [...]
Através da sua já vasta obra estrutura-se um pensamento crítico agudo e consequente, para o qual o fenómeno cultural, longe de ser uma abstracção ou um compartimento estanque, se insere logicamente num todo, em função do homem e das relações sociais que no-lo dão na sua verdadeira estatura. Assim, a História da Cultura em Portugal representará como que o vértice da obra antecedente do dr. António José Saraiva. Ao longo das suas páginas perpassarão, devidamente concatenados, a literatura, o pensamento científico e filosófico, as escolas, universidades, academias e outras instituições culturais, o público, as condições sociais e históricas da cultura portuguesa, e as suas grandes personalidades.»
* Os exemplares que chegaram até nós assim preservados não devem ser aparados ou encadernados, dada a importância do seu testemunho físico, enquanto peças para a história das artes tipográficas e editoriais; a sua conservação dentro de estojos, de que o vertente exemplar constitui modelo, é a mais correcta.

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Para a História da Cultura em Portugal


ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA

[Lisboa, 1946]
Centro Bibliográfico
1.ª edição
19,5 cm x 13,3 cm
XX págs. + 254 págs.
exemplar manuseado mas estimado e limpo no miolo, capa com ocasionais picos de humidade
30,00 eur

Livro mítico do co-autor da História da Literatura Portuguesa de referência no ensino, este agora veio a ter importância não somente pela redefinição de uma metodologia no seu texto de abertura, mas pelo ensaio intitulado «Para uma Sociologia da Literatura Portuguesa», abordagem inovadora em que se sublinha como a cultura é algo anterior, mais profundo, e que subjaz às manifestações culturais como seja, por exemplo, a literatura. A um outro nível da leitura destes ensaios iremos encontrar o trigo que se devia, nessa época como hoje, peneirar do joio patrioteiro e das conveniências da dominação política do país. Nem era inédito um tal raciocínio: já muito antes Alexandre Herculano, semelhantemente, se havia posicionado ao demolir o dogma milagreiro que até aos seus dias envolveu a História pátria.

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Para a História da Cultura em Portugal [edição em 2 volumes]


ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA

Lisboa, 1961
Publicações Europa-América
2.ª edição + 1.ª edição
2 volumes (completo)
18,7 cm x 12,5 cm
276 págs. + 368 págs.
capas do pintor António Domingues
exemplares como novos
35,00 eur

Nos anos 60 do século passado, a convite do editor Francisco Lyon de Castro, volta AJS a publicar não só o há muito desaparecido volume original desta obra, como a acrescentar-lhe uma necessária continuação, que testemunha o evoluir de um pensamento e de uma erudição coesos.

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Dicionário Crítico de Algumas Ideias e Palavras Correntes


ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA

Lisboa, 1960
Publicações Europa-América
1.ª edição
19 cm x 12,7 cm
216 págs.
exemplar como novo, quase integralmente por abrir, sem sinais de quebras na lombada
30,00 eur

Livro de imediato proibido e apreendido pela polícia do governo da ditadura [ver Livros Proibidos no Estado Novo, Assembleia da República, Lisboa 2005], dada a contundência das suas observações acerca das matérias tidas por tabu nesse século passado... Muitas delas ainda hoje se manterão sob idêntica ou renovada reserva, a saber, por exemplo, o «Laicismo
[...] Importa entendermo-nos sobre esta expressão “laico” e derivadas. “Laico” não quer dizer “ateu”. Há Estados e até religiões ateias. Mas não é esse o caso dois numerosos Estados que seguiram nas relações com o culto o paradigma do Estado francês pós-revolucionário. “Estado laico” é aquele que considera como assunto privado o culto e as opiniões religiosas dos cidadãos. Melhor do que “ateu”, a palavra “tolerante” caracteriza a expressão “laico” quando referida a Estado. Mas, na medida em que estabelece a igualdade dos cidadãos perante a lei, destrói os privilégios feudais, centraliza e unifica a autoridade, o novo Estado torna impossível a dualidade de poderes. Dentro do Estado laico, a Igreja deixa de ser um poder, uma entidade com jurisdição, autoridade pública, direito a cobrar impostos, etc. Deixa de haver dualismo, não porque o poder civil absorvesse o poder eclesiástico, mas porque deixou de haver poder eclesiástico, porque as questões religiosias passaram a ser assunto privado, porque existe uma única jurisdição aplicável a todos os cidadãos.
Em resultado desta evolução, resumidamente exposta, o Estado laico, isto é, o Estado que reconhece por igual a cada um dos cidadãos o direito a praticar o seu culto, sem reconhecer a qualquer deles privilégios particulares, tornou-se, durante o século passado e o presente, uma das feições mais características da chamada “civilização ocidental”. [...]»

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A Política de Discriminação Social e a Repressão da Heterodoxia


ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA

Lisboa, 1958
Jornal do Fôro
separata da História da Cultura em Portugal
1.ª edição (em brochura)
23,6 cm x 19 cm
8 págs. + 186 págs.
ilustrado no corpo do texto
exemplar estimado, com picos de oxidação na cartolina da capa; miolo limpo
30,00 eur

Interessante pequena história da Inquisição em Portugal.

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A Vida de Dante


MICHELE BARBI
trads. António Fiorillo, Jiacinto Manuppella, Erilde Realí, Maria Helena Bettencourt Antunes e Elsa Maria Quaresma Pimenta
introd. Alberto Chiari

Lisboa, 1965
Editora Ulisseia Limitada
1.ª edição
bilingue (italiano / português para os poemas)
18,2 cm x 10,2 cm
XXVIII págs. + 192 págs.
orientação gráfica do pintor Espiga Pinto
com sobrecapa em papel de alcatrão
é o n.º 5 da prestigiada Colecção Poesia e Ensaio
exemplar muito estimado; miolo limpo
20,00 eur

Por alturas em que uma outra editora, a Minotauro de Bruno da Ponte, estava prestes a chegar ao termo da publicação, sob a forma de cadernetas com fascículos, de uma versão integral em versos de A Divina Comédia, Vitor Silva Tavares, então director literário da Ulisseia, fazia chegar aos leitores interessados esta breve mas concisa biografia do vate. Tratava-se de “abrir o apetite” para a magna obra do escritor clássico italiano, acto cultural sem reservas de concorrência mercantil nem cobiça de escaparate...

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Domingo, Agosto 12, 2012

Um Homem Sorri à Morte com Meia Cara



JOSÉ RODRIGUES MIGUEIS
desenhos de Tossan

s.l., s.d. [Lisboa, Julho a Outubro de 1958]
s.i. [Diário de Lisboa]
1.ª edição
13 folhetins (completo)
20 cm x 15 cm
52 págs.
ilustrado
folhas recorte de jornal dobradas ao meio, soltas e por coser, algumas impressas a duas cores
exemplar muito estimado; miolo limpo
peça de colecção
165,00 eur

Trata-se da forma original da publicação (ver Mário Neves, José Rodrigues Miguéis – Vida e Obra, Editorial Caminho, Lisboa, 1990) da conhecida novela de Miguéis, em que o autor ficciona a sua experiência pessoal durante um internamento hospitalar (José Cardoso Pires, infelizmente, passará por idêntica tragédia, de que dará notícia no seu De Profundis, Valsa Lenta).
Uma passagem da abertura:
«[...] Sim, foi para os hipocondríacos – os aterrados da doença, os obcecados do fim – que eu, sobretudo, escrevi estas páginas de jornal: para os que queiram saber como se reage num leito de hospital, quando a morte ronda. E talvez também para aqueles médicos a quem interesse saber como os vêem os seus doentes.
Procurei pintar um ambiente real: o dos hospitais duma grande metrópole moderna, onde a dor e a brutalidade, a doçura e o humor, e em particular a devoção de médicos e enfermeiras põem traços de tragédia e de epopeia, diante dos quais o caso pessoal se apaga e some. [...]»

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Onde a Noite Se Acaba



JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS

Rio de Janeiro, 1946
Edições Dois Mundos / Livros de Portugal, Ltda.
1.ª edição
21,6 cm x 14,6 cm
236 págs.
encadernação da época em tela encerada com elegante gravação a ouro na lombada
corte carminado à cabeça, sem capas de brochura
exemplar (n.º 1.016) naturalmente envelhecido pelo tempo mas bem conservado; miolo limpo
assinatura de posse na folha-de-guarda
45,00 eur

Escreve o seu amigo e biógrafo, o jornalista Mário Neves (ver José Rodrigues Miguéis – Vida e Obra, Editorial Caminho, Lisboa, 1990):
«[...] As preocupações resultantes da conjuntura perturbavam naturalmente o sossego espiritual do escritor, prejudicando o rendimento do seu trabalho criador. [Miguéis já se encontrava radicado nos Estados Unidos, nessa altura em que a guerra assolava a Europa...]. Embora tendo sofrido uma curta pausa, não suspendeu, porém, completamente a actividade literária e aproveitou até esse período para reunir material já pronto ou para lhe introduzir alguns retoques com vista a publicação futura. Uma das obras que preparou então foi o livro de contos Onde a Noite Se Acaba, com o qual reatava a tradição interrompida com o seu primeiro volume Páscoa Feliz e que as Edições Dois Mundos se propuseram lançar no Rio de Janeiro, incluído na Colecção Clássicos e Contemporâneos, dirigida por Jaime Cortesão e sob a responsabilidade de Danton Coelho. Foi este que, dados os entraves provenientes da censura militar, obteve a remessa do manuscrito para o Brasil, por mala diplomática. Tal intervenção amiga justifica a carta do autor, publicada à laia de prefácio do livro, com algumas explicações interessantes que, a propósito de um dos trechos do volume, definem essa prosa como “resíduo de longos anos em que a acção e dificuldades objectivas, viagens e exílio, estudos e trabalhos, queimaram as asas de um sonho primordial... documento das torturas a que o espírito se sujeita para persistir”. Prosseguindo a sua justificação, esclarece: “Estas novelas estão longe, no seu conjunto, de reflectir a minha personalidade, as minhas ideias, a minha incontável experiência destes anos.” E acrescenta: “Algumas destas histórias têm, por certo, um mórbido sabor, flutuam num mundo de íncubos e sombras. Mas era mórbida, já o disse, doentia e sem esperança, a atmosfera desses anos portugueses. Respirava-se ilusão gorada, sonho putrefacto.” Prosseguindo, diz ainda: “Outras são inspiradas imediatamente do real. Já me têm chamado escritor subjectivo, proletário, impressionista, neo-realista, e não sei que outras coisas. Pouco importa. Não é o rótulo que me interessa, mas a substância. E dessa ainda eu não dei a prova definitiva.” [...]»

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Quinta-feira, Agosto 09, 2012

Outubro – textos de poesia [junto com] Fevereiro – textos de poesia [junto com] Novembro – textos de poesia




aa.vv.
capas de Manuel Baptista

Lisboa, Outubro de 1971 a Novembro de 1972
dir. e ed. Casimiro de Brito e Gastão Cruz
1.ª edição [única]
3 volumes (colecção completa)
22,2 cm x 15,8 cm
72 págs. + 2 x 76 págs.
compostos manualmente em Elzevir na mítica Tipografia Ideal sita à Calçada de São Francisco, em Lisboa, e impressos a castanho sobre papel creme (I), a azul ultramarino sobre papel azul claro (II) e a laranja sobre papel branco (III)
exemplares em bom estado de conservação; miolo limpo
o primeiro volume ostenta na folha de ante-rosto o carimbo da Associação Waldorf de Lisboa e a capa tem sinais de antiga goma seca ao baixo na lombada, provavelmente de etiqueta que entretanto se perdeu
acondicionados num luxuoso estojo artístico de confecção recente
PEÇA DE COLECÇÃO
355,00 eur

Trata-se do óbvio prolongamento de um projecto poético de enfatização da palavra à custa de uma depuração abstractizante do discurso, que teve início na Poesia 61, com passagem pela colecção Pedras Brancas (Covilhã), desembocando aqui em autores – alguns os mesmos que haviam advogado a anterior contenção – já de regresso a versos de mais amplo fôlego.
Distribuem-se as notáveis colaborações, pelos três volumes, da seguinte forma:
I – Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade, Fiama Hasse de Pais Brandão, Nuno Guimarães e Ruy Belo;
II – António Ramos Rosa, Armando Silva Carvalho, João Miguel Fernandes Jorge, Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner Andresen;
III – António-Franco Alexandre, Fernando Assis Pacheco, Herberto Helder, José Gomes Ferreira e Nuno Júdice.

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Segunda-feira, Agosto 06, 2012

Viajando na Suécia [junto com Viajando na], Noruega, França, Itália, Holanda, Suíça, Inglaterra, Grécia



GEORGE L. PROCTOR
BETH HOGG
GARRY HOGG
ALEXANDER REID
DAVID RAYMOND
LIESJE VAN SOMEREN
MARIANN MEIER
GEOFFREY TREASE
trads. Maria Isabel Morna Braga, Mário Braga, Alexandre Pinheiro Torres, Helena Lousada, Álvaro Garcia Fernandes e Maria Fernanda de Brito
ilustr. Maria Helena Abreu, Eduardo Santos e Gouveia Portuense

Porto, 1960, 1962 e 1963
Livraria Civilização – Editora
s.i. [1.ª edição ?]
8 volumes [consecutivos (colecção talvez completa)]
19 cm x 13,2 cm
2 x [264 págs. + 18 págs. em extra-texto] + [236 págs. + 16 págs. em extra-texto] + [228 págs. + 18 págs. em extra-texto] + [224 págs. + 16 págs. em extra-texto] + [228 págs. + 16 págs. em extra-texto] + [256 págs. + 16 págs. em extra-texto] + [272 págs. + 16 págs. em extra-texto]
profusamente ilustrados a preto em separado
cartonagem editorial com guardas impressas a cor
composto num elegante Garamond linotipado
exemplares em muito bom estado de conservação; miolo limpo
85,00 eur

Cada livro tem como ponto de partida um rapaz e uma rapariga de visita a um país, e, à medida que avançam, vão aprendendo com os habitantes que encontram algo da história, da geografia, da língua e dos costumes locais. Breves obras concebidas para um público juvenil, num registo literário de aventuras, mas de grande interesse também para os adultos. Denotam, em comum, a particularidade de quererem mostrar à juventude o pós-guerra de uma Europa reconstruída e ordeira, como se nada se houvesse passado. Além dos volumes aqui apresentados, muitos outros a Phoenix House londrina, editor originário, terá publicado; em tradução portuguesa, cremos ser tudo quanto existe.

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Domingo, Agosto 05, 2012

Pam Partido | em pequeninos | para os pequeninos da casa | de Deos, | Breve tratado Efpiritual, em que fe inf- | true hum Fiel nos pontos principaes | da Fè, e bons coftumes




MANOEL BERNARDES, padre
da Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa

Lisboa Occidental, 1726
Na Officina de Miguel Rodrigues
[4.ª edição (segundo Inocêncio)]
2 tomos (encadernados em 1 volume) (completo)
15,3 cm x 10,3 cm
220 págs. + 2 págs. + 198 págs.
subtítulo: Ajuntaõ-fe hũa vifaõ notavel, que huma ferva  |  de Deos teve dos tormentos do Inferno, e hu-  |  mas Meditações fobre os Noviffimos
encadernação da época inteira em pele, com nervuras e gravação a ouro na lombada
corte marmoreado
exemplar em bom estado de conservação, discretos restauros à cabeça das págs. 159 a 176 sem afectar a mancha de texto; miolo limpo, papel sonante
dedicatória de Ayres de Carvalho na folha de resguardo do verso da capa anterior
250,00 eur

Dizem-nos António José Saraiva / Óscar Lopes (ver História da Literatura Portuguesa, 15.ª ed., Porto Editora, 1989):
«[...] Nascido de uma ligação irregular, talvez de pai judeu, recebeu ordens sacras e professou em 1674 na Congregação do Oratório de S. Filipe Néri, que o padre Bartolomeu do Quental trouxera para Portugal seis anos antes e que tão grande papel desempenhará nas reformas pedagógicas do séc. XVIII entre nós. [...]
Ideologicamente, e apesar da sua vasta informação literária e teológica, a obra de Bernardes é a de um cristão simples, sem problemas filosóficos, a quem a vergonha materna, as leituras ascéticas e o confessionário inculcaram a ideia de que o mundo secular está profundamente corrompido. Na sua prosa macia, com uma delicadeza eufemística e dir-se-ia que voluptuosa, perpassam abundantes casos que dão da mulher, mesmo da mãe, irmã ou freira, o juízo mais pessimista. Mas ao lado dessa podridão, de cujo contacto Bernardes afasta habilmente a fímbria da sua prosa imaculada, o mundo foi e é sempre, para ele, um teatro de constantes e ininterruptos prodígios miraculosos. [...]
Não se lhe pode, no entanto, contestar certa perspicácia psicológica em todas as fases dos exercícios de ascese ou de expansão mística. São sensíveis as suas afinidades com a mística quietista, pela importância que atribui à contemplação extática, embora evite as teses, entretanto condenadas, de Molinos, assim como as dos Alumbrados.
Contudo o grande mérito de Bernardes é o de artista da prosa narrativa. As explicações didácticas, as análises doutrinais que, sobretudo nos tratados ascéticos, se carregam do lastro, para nós incómodo, das citações escriturárias, patrísticas, escolásticas ou literárias, revelam já o estilista; mas é quando procura atingir o grande público através de narrativas muito chãs e impressivas, seguidas de comentários moralistas, que Bernardes revela os seus melhores dons artísticos. [...]»

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Luz, e Calor



MANOEL BERNARDES, padre
da Congregaçaõ do Oratorio

Lisboa, 1758
Na Officina Patriarcal de Francifco Luiz Ameno
4.ª edição («Quarta impreffaõ»)
20,6 cm x 15,7 cm
16 págs. (frontispício, dedicatórias, licenças de impressão e sumário) + 660 págs. (38 das quais com o índice remissivo)
subtítulo: Obra espiritual para os que tratam  |  do exercicio de virtudes, e caminho de perfeiçaõ,  dividida em duas partes.  |  Na primeira fe procura communicar ao entendimento Luz de muitas verdades im-  |  portantes, por meyo de Doutrinas, Sentenças, Induftrias, e Dictames ef-  |  pirituaes. Na fegunda fe procura communicar à vontade Calor do Amor  de Deos, por meyo de Exhortações, Exemplos, Meditações, Col-  |  loquios, e Jaculatorias.
encadernação antiga inteira em pele, com nervuras na lombada, rótulo e gravação a ouro
aparado, corte carminado
exemplar em bom estado de conservação; miolo muito fresco e, no geral, limpo
sem sinal de traça
a folha-de-rosto ostenta no canto inferior esquerdo pequeno desenho infantil; ao longo das margens de algumas páginas da obra, apesar de já desvanecidas, surgem ocasionais linhas de apontamento sem afectar o corpo do texto
dedicatória de Ayres de Carvalho na primeira folha-de-guarda
95,00 eur

Inocêncio Francisco da Silva, no seu Diccionario Bibliographico Portuguez (tomo V, Imprensa Nacional, 1860), dá fé da existência de Bernardes assim:
«Presbytero da Congregação do Oratorio de Lisboa, cuja roupeta vestiu aos trinta annos de edade, sendo já graduado pela Universidade de Coimbra nas Faculdades de Canones e Philosopbia. – N. em Lisboa a 20 de Agosto de 1644, e m. na casa do Espirito‑sancto, a 17 de egual mez de 1710, havendo perdido inteiramente o siso dous annos antes. [...]»

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Sábado, Agosto 04, 2012

Grande Livro de S. Cipriano ou Tesouros do Feiticeiro



[S. CIPRIANO]
ilustrações de Martim Avilez
grafismo de José Marques de Abreu
comentários de Álvaro Miranda Santos (padre), António Alçada Baptista, António José Forte, Avelino Rodrigues (padre) e Fernando Calixto

Lisboa, 1971
Edições Afrodite – Fernando Ribeiro de Mello
1.ª edição (na presente forma)
18,5 cm x 13,6 cm
360 págs.
profusamente ilustrado, impresso a cores
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo irrepreensível
60,00 eur

Colectânea de textos clássicos com diversas proveniências, todos referindo a existência e os prodígios heréticos do bruxo e nigromante S. Cipriano, que foi bispo de Cartago mandado para a fogueira pelo imperador Valeriano. Para além do insólito, que as populações analfabetas e crentes de todas as épocas tornaram um êxito de procura no Ocidente cristão, contraponto luciferino à dominação religiosa oficial, este livro é hoje legível com o mesmo espírito pueril que reveste os contos de fadas.

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Quinta-feira, Agosto 02, 2012

Primeiro Manual de Esperanto [junto com] Dicionário Esperanto-Português [junto com] Demandaro al la Bildoj de la “Gaja Lernolibro [junto com] Karlo







ISMAEL GOMES BRAGA
C. WALTER
EDMOND PRIVAT

Rio de Janeiro, 1940, 1956 e s.d.
Livraria da Federação E.[sperantista] Brasileira
1.ª edição (todos)
[15,7 cm x 11,7 cm] + [16,1 cm x 12 cm] + [11,9 cm x 15,7 cm (oblongo)] + [15,8 cm x 11,5 cm]
48 págs. + 160 págs. + 16 págs. + 44 págs.
exemplares estimados, um deles [3] envelhecido mas aceitável; miolo limpo
25,00 eur

Língua pretensamente universal criada pelo eslavo Ludwik Lejzer Zamenhof nos finais do século XIX, o esperanto singrou e ainda hoje é tida em consideração.

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Terra Quente


ALEXANDRE CABRAL
desenho de Manuel Ribeiro de Pavia

Lisboa, 1953
[ed. Autor]
1.ª edição
19,2 cm x 12,4 cm
144 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
25,00 eur

Produto de vivências africanas do autor, a vertente novela neo-realista merece atenção, se bem que Alexandre Cabral venha a colher atenções quase somente como sendo o mais rigoroso investigador da obra de Camilo Castelo Branco.

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Quarta-feira, Agosto 01, 2012

Símbolos & Mitos



FIDELINO DE FIGUEIREDO
capa de Ibolya Salkovits

Lisboa, 1964
Publicações Europa-América
1.ª edição
18,7 cm x 13,5 cm
196 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo limpo
30,00 eur

Da nota editorial na contracapa:
«[...] Símbolos & Mitos, escrito num estilo puríssimo e calmo de filólogo e filósofo, de escritor e pensador, é uma longa meditação sobre os últimos acontecimentos nos mais variados ramos da ciência, da literatura, da filosofia, onde o autor rememora o estilo de cultura em que se formara, o considera derrubado, e corajosamente se propõe enfrentar uma nova visão do mundo, uma nova explicação científica, uma nova interpretação estética e filosófica.»

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Revoada Romantica



FIDELINO DE FIGUEIREDO
capa e ilust. de [Roberto] Nobre

Porto, s.d. [1929]
[edição do magazine] “Civilização”
1.ª edição *
18,1 cm x 11,8 cm
32 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
20,00 eur

Breve narrativa, entre a ficção e a crónica, mas espelho de um escritor vastamente culto.
* A BNP dava, em 1989, notícia da existência, na biblioteca da Faculdade de Letras de Lisboa, de uns «recortes de jornal» de Pernambuco datados de 1926, a que atribui o princeps desta novela.

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Um Coleccionador de Angústias



FIDELINO DE FIGUEIREDO

Lisboa, 1953
Guimarães & C.ª Editores
2.ª edição
19,1 cm x 12,5 cm
328 págs.
capa impressa a três cores e relevo seco
exemplar estimado, com antigas manchas de humidade na capa e nas primeira e última folhas; miolo limpo, por abrir
valorizado pela dedicatória manuscrita do Autor ao escritor humorista Armando Ferreira
30,00 eur

Trata-se de uma espécie de autobiografia literária em que Fidelino de Figueiredo vai reflectindo, ao longo da sua cronologia pessoal, nos problemas sociais, culturais, filosóficos por que passou.

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A Luta pela Expressão



FIDELINO DE FIGUEIREDO

Lisboa, 1960
Edições Ática Limitada
2.ª edição [prólogo em 1.ª edição]
16,4 cm x 11,9 cm
208 págs.
subtítulo: Prolegómenos para uma Filosofia da Literatura
exemplar muito estimado; miolo limpo
assinatura de posse no canto superior esquerdo do frontispício
20,00 eur

Este livro surge num contexto em que os estudos filosóficos literários da escola de Ermatinger e do grupo da revista Helicon cedem a sua influência à ligeireza da “literatura comparada”, cujo interesse é para Fidelino de Figueiredo «quase novelesco, mas inesgotável e jamais susceptível de sistematização». E insurge-se mesmo contra a universalização do comparativismo, porque «[...] [desaparecem] as últimas esperanças de se chegar a alguma solução dos problemas gerais ou fundamentais da literatura. Tal amplitude estonteante equivale à decomposição estilística dos textos para apreender a essência do fenómeno literário. Dará trabalho para exércitos de eruditos, sustentará cátedras inúmeras e pretextará congressos sucessivos, suas excursões, seus discursos e seus banquetes, mas não contribuirá para o alargamento do verdadeiro saber, porque a sistematização filosófica esperará indefinidamente pela integração documental dos factos. [...]»

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Como dirigi a Bibliotheca Nacional


FIDELINO DE FIGUEIREDO

Lisboa, 1919
Livraria Clássica Editora, A. M. Teixeira
1.ª edição
22,5 cm x 15 cm
128 págs.
subtítulo: Fevereiro de 1918 a Fevereiro de 1919
exemplar estimado com restauro na lombada; miolo limpo parcialmente por abrir
35,00 eur

Assim começa Fidelino:
«Escrevo estas breves linhas de introducção ao relatorio da minha direcção da Bibliotheca Nacional no dia em que, pela dissolução do Parlamento, de que fazia parte, se fecha o período da minha vida aberto pela revolução de Dezembro, chefiada por Sidonio Paes. A situação politica, que dessa revolução se derivou e que hoje está relegada para o mundo das recordações, fez-me chefe de gabinete da instrucção publica, director da Bibliotheca Nacional e deputado. Servi os dois cargos e o mandato parlamentar com desinteressada dedicação que foi sempre até ao sacrificio.
[...] Como me desempenhei do cargo de bibliothecario, que o Presidente Sidonio Paes e o Ministro da Instrucção me confiaram, digo-o no presente relatório, cujo conteúdo esteve para ser exposto na Camara dos Deputados sob a forma mais viva de interpellação a um ministro. Para que essa interpellação se não fizesse, envidaram-se diligencias activas que não excluiram ameaças. O golpe de Estado facilitou a realização do designio dos adversarios da justiça e dos que põem as rivalidades pessoaes e as solidariedades partidarias acima dos altos interesses do paiz. [...]»
É neste contexto, e numa Biblioteca ainda (mal) instalada no convento de São Francisco da Cidade, onde hoje se encontra a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, que o erudito historiador e ensaísta desenvolve a sua primeira gestão. Voltará às mesmas funções mais tarde, em 1927.


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The Rosicrucian Cosmo-Conception [junto com] The Effects of Suicide [junto com] recibo de assinatura da revista «Rosacruz»



MAX HEINDEL

Londres, 1971
L. N. Fowler & Co., Ltd.
26.ª edição
19,8 cm x 14,2 cm
[706 págs. + 5 folha em extra-texto] + [14,9 cm x 8 cm] + [10 cm x 15,5 cm (oblongo)]
volume ilustrado
encadernação editorial em tela impressa
exemplar em bom estado de conservação; limpo muito limpo
25,00 eur

Juntaram-se ao volume uma folha-volante estigmatizando o suicídio e um recibo de assinatura do boletim rosicruciano português, à data de Fevereiro de 1974, e autenticado pelo respectivo administrador Francisco Marques Rodrigues.


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The Rosicrucian Philosophy in Questions and Answers


MAX HEINDEL

Londres, s.d. [1922 ?] + 1947
L. N. Fowler & Co., Ltd.
volume I – 3.ª edição (7.ª tiragem)
volume II – 1.ª edição
2 volumes (completo)
19,8 cm x 14,2 cm
[432 págs. + 1 folha em extra-texto] + [608 págs. + 1 folha em extra-texto]
encadernação editorial em tela impressa
exemplares em bom estado de conservação, acusando o mais antigo algum desgaste cromático na lombada; limpo muito limpo em ambos
55,00 eur



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A Literatura Indo-Portuguesa

VIMALA DEVI
MANUEL DE SEABRA


Lisboa, 1971
Junta de Investigações do Ultramar
1.ª edição
2 volumes (completo)
23,3 cm x 18 cm
372 págs. + 452 págs.
subtítulo do vol. 2: Antologia
exemplares bem conservados, miolo limpo
120,00 eur

É um trabalho de investigação antológica e ensaística séria realizado sobre fontes primárias – isto, dado nada existir até então, apesar de tanto século de ocupação imperial portuguesa... Da leitura destes volumes sobressai uma expressão nova da língua portuguesa, aqui patente na força estética e histórico-social de perto de setenta autores reunidos no segundo volume. Mereceu um tal trabalho, à época, o Prémio Abílio Lopes do Rego da Academia das Ciências.
Do casal de autores, se Seabra ficará mais conhecido como tradutor poliglota (catalão, esperanto, etc.) cujas escolhas de seu gosto divulgou a um ritmo regular ao longo de anos, já Vimala Devi é um caso de intervenção cultural espraiado por domínios que vão da ficção à poesia, da divulgação do folclore goês à pintura, etc., etc.


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