domingo, fevereiro 10, 2013

Affonseida


OCTAVIO DE MEDEIROS
capa de Emmerico [Nunes]

Lisboa, 1925
ed. Autor / Imprensa Lucas & C.ª
1.ª edição
25,5 cm x 20,1 cm
4 págs. + 132 págs.
subtítulo: Poema Heroe-Comico
exemplar com restauro nas capa e lombada; miolo limpo e fresco
peça de colecção
50,00 eur

Em seis Cantos de saborosas oitavas o Autor arruma de vez a História sua contemporânea. O motivo de anedota é o então mais alto representante do republicanismo, Afonso Costa. E o conhecido “atentado” de que este foi “vítima” em 1915 é, pois, assim descrito:

«[...] Seguia o meu Doutor tranquillamente
P’ra o palácio alugado á presidencia,
Onde iria tratar d’um caso urgente,
Qualquer questão d’uma alta transcendencia.
E, como ser modesto é mais decente,
Illudindo os pacóvios na apparencia,
Seguiu n’um carro electrico fechado
Que ao pisar deixou logo excommungado!

O carro vae ruidoso e corre a nove;
Nem sequér nas paragens tem demóra;
Guardando o seu lugar ninguem se móve,
Nenhum receio as fáces descolóra;
Mas eis que a acção diabólica promóve
Que, estalando, um manip’lo sálte fóra!
De súbito as faiscas tudo aclaram;
N’um arrastado estrondo as ródas páram!

Julgando ver seu termo alli chegado,
Que de suppostas bombas já recúa,
O destemido Affonso apavorado
Salta por la ventana e cahe na rua!
Permanéce na terra inanimado
Até que a multidão que tumultua
Lhe acóde, p’ra que alli não desfalleça,
Pois tem tremenda brécha na cabeça!

Já corre na cidade a infausta nova
Que o nosso Redemptor está moribundo...
Tem a fronte p’ra o céu e os pés p’ra a cóva;
Diz com pallidas mãos o adeus ao mundo...
Mas eis que uma esperança se renova:
– “Está salvo!” – diz o povo e, em tom jocundo
Pergunta: – “Qual é coisa, qual é ella,
Que entra p’la porta e fóge p’la janella?” – [...]»

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