sexta-feira, abril 19, 2013

Memoria Politica sobre a situação publica de Portugal na actualidade dirigida a Sua Magestade El-Rei o Senhor Dom Luiz I



ANTONIO JOAQUIM DE FIGUEIREDO GUIMARÃES

Lisboa, 1861
Typographia de J. [Joaquim] G. [Germano] de Sousa Neves
1.ª edição
23 cm x 16 cm
40 págs.
exemplar estimado, com pequenas falhas de papel na capa; miolo limpo, por abrir
valorizado pela dedicatória manuscrita (não assinada) do Autor ao conselheiro cartista José Bernardo da Silva Cabral (1801-1869), irmão de Costa Cabral
27,00 eur

O vertente relatório dá fé do estado da nação ao rei D. Luiz, acabado de ascender ao trono por morte de seu pai D. Pedro V. Assim, avivando um estilo bem português que, desde então, em nada mudou:
«[...] Senhor! Portugal não póde continuar n’este despinhadeiro, impelido como vae, pela desorganisação, e pela fraquesa a que está levado. É mister sahir promptamente d’este estado. [...]
É necessario fazer justiça a este povo, o mais soffredor, o mais tolerante, e tambem o mais infeliz. Elle tem rasão para estar descontente, e para não esperar a salvação publica dos elementos politicos já experimentados, e de que elle tem pessimas impressões. [...]
Como poderemos exigir do povo que tenha crenças, se elle vê que, em quanto é preso um desgraçado por furtar para um pão, todos os dias são publicamente accusados de concussões e delapidações os proprios ministros da Coroa, attribuindo-se-lhes, ora fazer contractos para por elles se realisarem luvas de muitos contos de réis, ora fazer concessões de grande alcance por motivos torpes, ora apadrinhar empregados venaes e convencidos de roubos. O povo lê todos os dias estas accusações, que são tremendas, e que reclamam severa punição se são verdadeiras, ou prompto castigo da diffamação do poder se são falsas: e não obstante, vê continuarem os ministros docemente no poder annos successivos, sem se incommodarem com a infamia [...]»

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