domingo, junho 30, 2013

Engrenagem


SOEIRO PEREIRA GOMES

Porto, 1951
Edições SEN
1.ª edição
20,7 cm x 14,7 cm
264 págs. + 1 extra-texto (retrato do Autor a preto e branco)
composto manualmente e impresso sobre papel avergoado
exemplar manuseado mas muito aceitável, miolo limpo; somente a capa apresenta algum desgaste e sujidade
45,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do Autor afirmou Urbano Tavares Rodrigues [in Avante!, n.º 1359, Lisboa, 16 de Dezembro, 1999]:
«[...] Engrenagem é um esplêndido romance, que apenas carecia da revisão (porventura da reelaboração de algumas passagens) que Soeiro não pôde levar a cabo, para nos surgir simultaneamente como incisiva análise das relações económicas e humanas numa vila ribatejana e numa grande fábrica de ferro e aço (semelhante nalguns aspectos à dos Cimentos-Tejo, onde o autor foi chefe de escritório) e verdadeira epopeia das lutas do operariado industrial.
Extremamente dotado para o diálogo, Soeiro faz-nos ouvir os rudes proletários dessa fábrica paradigmática, tal como os camponeses das hortas e os filhos da miséria que desaguam na estrada em construção e, sob a ríspida orientação do empreiteiro, suam todos os venenos, britando pedra de sol a sol. Maços e picaretas de uma escravatura consentida. [...]
É patente nas páginas de Engrenagem a familiaridade e o lúcido conhecimento que Soeiro tinha do carácter, das manhas, da revolta e do sofrimento dos proletários de Alhandra, o pequeno grande mundo que ele amava. Basta ver como no-los apresenta e revela em acção; um deles até sacrifica um dedo da mão para obter o seguro de trabalho. Mas a grande pintura colectiva, em tons afogueados, quase excessivos, é a do motim em que os operários, na fúria do protesto, ameaçam, como já disse, tudo arrasar. Além desta cena, é ainda muito impressionante o inspirado segmento textual em que o narrador externo pinta por palavras o ventre da fábrica. [...]»

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