domingo, agosto 24, 2014

O Mysterio da Estrada de Cintra




EÇA DE QUEIROZ
RAMALHO ORTIGÃO

Lisboa, 1885
Livraria de António Maria Pereira, Editor
2.ª edição (em livro, «retocada e precedida d’um prefácio»)
20,2 cm x 14,4 cm
X págs. + 244 págs.
subtítulo: Cartas ao Diario de Noticias
encadernação modesta de amador em pele e papel de fantasia, com rótulo e gravação ouro na lombada
ligeiramente aparado, sem capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo
110,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se efectivamente da 3.ª edição do texto, dado que, além das edições em livro, o mesmo foi antes publicado em folhetins no Diário de Notícias. Porém, Eça de Queirós considerava este livro «emendado, quase refeito», e considerava isso de forma tão entusiástica que daqui lhe veio a ideia de um «novo» Fradique Mendes, vontade expressa em carta da época a Oliveira Martins.
Do livro propriamente, deve destacar-se o ser o primeiro assinado, sem reserva de coutadas, por dois escritores, e logo no género “policial”. Dizem eles num Prefácio que data de catorze anos volvidos sobre a edição princeps:
«[...] sem plano, sem methodo, sem escola, sem documentos, sem estylo, recolhidos á simples “torre de crystal da Imaginação”, desfechámos a improvisar este livro, um em Leiria, outro em Lisboa, cada um de nós com uma resma de papel, a sua alegria e a sua audacia. [...]» E aqui já encontramos três marcos de referência para qualquer escritor, que se queira, nos nossos dias: Imaginação (com letra grande), alegria e audácia. Mas há mais, nesse Prefácio:
«[...] a publicação d’este livro, fóra de todos os moldes até o seu tempo consagrados, pode conter, para uma geração que precisa de a receber, uma util lição de independencia.
A mocidade que nos succedeu, em vez de ser inventiva, audaz, revolucionaria, destruidora d’idolos, parece-nos servil, imitadora, copista, curvada de mais deante dos mestres. Os novos escriptores não avançam um pé que não pousem na pégada que deixaram outros. Esta pusilanimidade torna as obras tropegas, dá-lhes uma expressão estafada; e a nós, que partimos, a geração que chega faz-nos o effeito de sahir velha do berço e de entrar na arte de muletas. [...]»

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