sexta-feira, agosto 09, 2013

As Máscaras Finais


URBANO TAVARES RODRIGUES
capa de Luís Filipe Abreu

Lisboa, 1963
Livraria Bertrand, S.A.R.L.
[1.ª edição]
19,1 cm x 12,5 cm
276 págs.
exemplar por abrir, apresentando a lombada descorada por acção continuada da luz
30,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Apenas uma passagem do pungente fiel retrato de um regime político que se evidenciou pela vileza:
«[...] no fim do espectáculo serei preso.
É verdade: vou ser preso. Cartas anónimas me avisaram da iminência dos castigos que sobre mim impendem. Ontem, ainda, um telefonema caliginoso a prevenir-me. Hoje, um amigo, do lado de lá da muralha do ódio (nascem assim, às vezes, raízes parenteadas nos terrenos mais aversos), a avisar-me, a oferecer-me a casa, como abrigo. Se eles soubessem o que vai em mim, o farrapo que eu sou, apesar de continuar a dizer “Não!”
Já os vi, cá dentro, arreganhados, atentos à minha insignificante pessoa, em meio deste mistifório. Agora tenho a certeza. Vi os que mandam e os que executam. Uns sorriem, os outros afiam o dente. É hoje, com certeza.
Mas a liberdade, agora, a minha, que me importa!
Uma cela estreita, sem luz, tão estreita e tão escura que nela nem poderei ler a marca do alfaiate no forro do casaco. Ou a sala de espera, sempre igual, e um agente horas e horas a olhar para mim, disposto a acordar-me à bofetada, com desculpas polidas, se eu adormecer. E depois outro, e outro, que o hão-de revezar. Não me consentirão que durma, pelo menos durante os primeiros dias, três ou quatro, em que talvez me dêem a comer feijões podres, macarrão e pão azedo – o rancho. E terei de suportar esses degradantes interrogatórios... E hão-de sujeitar-me à violência contínua dos focos luminosos. E o silêncio há-de sufocar-me, por fim. Porque só concebo evidentemente o silêncio, a partir de então... [...]»

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