quinta-feira, setembro 05, 2013

O Anti-Christo



FREDERICO NIETZCHE
trad. Carlos José de Menezes

Lisboa, 1916
Guimarães & C.ª – Editores
[1.ª edição ?]
20,5 cm x 13,7 cm
162 págs.
subtítulo: Estudo critico sobre a crença christã
exemplar estimado; miolo limpo
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

Palavras de Nietzsche no capítulo conclusivo:
«[...] Os allemães impediram na Europa a ultima grande colheita de cultura que é possivel alcançar: a da Renascença. Comprehende-se finalmente, chega-se por fim a comprehender o que era a Renascença? A transmutação dos valores christãos; a tentativa emprehendida com todos os meios, com todos os instinctos, com todo o genio, para dar a victoria aos valores contrarios, aos valores nobres... [...]
Que succedeu? Um frade allemão, Luthero, chegou a Roma. Este frade, sobrecarregado com todos os instinctos de vingança de um sacerdote desgraçado, rebellou-se em Roma contra a Renascença... Em vez de comprehender, cheio de reconhecimento, o prodigio que se effectuára, o christianismo vencido na sua mesma séde, o seu odio não soube tirar d’este espectaculo senão o seu proprio alimento. O homem religioso não pensa senão em si mesmo. Luthero viu a corrupção do papado, quando devia aperceber-se do contrario; a antiga corrupção, o peccatum originale, o christianismo não estava já sentado na cadeira papal. Estava substituido pela vida, o triumpho da vida, o grande sim com respeito a todas as coisas elevadas, bellas e audazes!... E Luthero restabeleceu a Egreja: atacou-a... [...] Estes allemães, confesso-o, são meus inimigos, desprezo n’elles toda a especie de sugidade de ideias e de valores, de fraqueza ante a probidade de cada sim e de cada não. Ha mil annos approximadamente que obscureceram e embrulharam tudo em que tocaram com as suas mãos, teem sobre a consciencia todas as coisas feitas a meio – nas suas tres oitavas partes! – de que se queixa a Europa, e egualmente pesa sobre a sua consciencia a especie mais enxovalhada do christianismo que possa existir, a mais incuravel, o protestantismo... Se não se acaba com o christianismo, serão os allemães que terão a culpa... [...]
A Egreja christã não economizou a sua corrupção por parte alguma [...]. Supprimir uma miseria era contrario ao seu mais profundo utilitarismo; viveu de miserias, creou miserias para se eternizar... [...]»

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