sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Poesias


FAUSTINO XAVIER DE NOVAES

Porto / Braga, 1879
Livraria Internacional de Ernesto Chardron e Eugenio Chardron
[3.ª edição]
21,5 cm x 13,8 cm
352 págs.
subtítulo: Publicadas por Antonio Moutinho de Sousa
discreta encadernção editorial em tela com ferros a ouro, ao espírito da época
composto manualmente, com todas as aberturas de poema encabeçadas por elegante vinheta; ante-rosto e rosto impressos a duas cores
exemplar em bom estado, com raras e ligeiras manchas de envelhecimento do papel; assinatura de posse na folha de rosto
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Poeta romântico, que no quadro desta corrente literária fundou no Porto a folha de poesia O Bardo. Cultivou a sátira – o que constitui uma raridade entre congéneres –, e isto de tal maneira que até Camilo Castelo Branco, intelectual nada mesmo de boa boca, o elogiou em Carta que figura, de abertura, num outro volume da obra do vate:
«[...] Ha oito annos que te vi entrar no inferno das letras: já eu cá estava, quando vieste todo encolhido, e como que arrependido de haver pactuado com o demonio a troca d’uma perspectiva de commendador pelo alvará de poeta satyrico, que te fôra lavrado por Nicolau Tolentino, secretario perpetuo da academia infernal, onde fôras proposto socio pelo inimigo do deão de Evora, que está no céo (o deão) e mais o seu hyssope.
Quando te vi assim tranzido de susto, balbuciando a medo as primeiras imprecações satânicas contra os barões, e algumas até contra o genero humano, cuidei em te animar com não sei que ameigadoras esperanças de conseguires um dia o teu resgate, como S. Gil de Santarém.
Este S. Gil era um bruxo, que comprára a preço de sua alma philtros com que enfeitiçava as moças.
Tu, peor que o santo do Riba-Tejo, embruxavas as moças com certos versos que nunca publicaste, e atenazavas as velhas arreitadas com a galhofenta satyra, e punhas causticos nos peitos dos velhos opilados de coração, e obrigavas a fallar as baronezas menos correctamente que o Casti fizera fallar as tartarugas, e enfiavas a cabeça dos condignos maridos, afóra as orelhas – que isso não eras tu capaz de encarapuçar – em barretes com o nome da victima, e demais a mais com um fartum a raposinho que não podia falhar.
Eras o diabo! [...]
Dize ao seculo XXII o que era esta gente, que eu faço por cá em prosa um arremedo da tua poesia.
Se disserem que havemos de assistir aos funeraes da nossa reputação, deixa fallar os despeitados e os tolos illuminados.
Antes de assistirmos aos responsorios funebres que nos agouram os praguentos, havemos de enterrar muito lorpa, se Deus quizer. [...]»

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