domingo, abril 13, 2014

A Obra Intangível do Dr. Oliveira Salazar


CUNHA LEAL

Lisboa, 1930
Editor: O Auctor
1.ª edição
19 cm x 12,3 cm
144 págs.
exemplar muito oxidado pelo tempo e com restauros toscos na lombada; miolo limpo
20,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se de uma concisa desmontagem da “contabilidade criativa” do responsável pela pasta das Finanças, contra cuja actuação Cunha Leal assumirá pela vida fora um combate sem trégua:
«[...] Teve o dr. Oliveira Salazar a boa sorte de subir ao Poder em condições excepcionalmente favoráveis para desenvolver uma acção proveitosa para o país. A ditadura levara êste à ruína; e o exército, vendo nesta ruína a sua derrota, entregou-se-lhe, como disse, confiadamente, de corpo e alma. Por outro lado, os monárquicos, vendo no seu advento o raiar duma nova aurora, souberam rodeá-lo duma atmosfera de esperanças e de simpatia.
O dr. Oliveira Salazar, que no fundo não passa dum manobrador político, resolveu não tocar nos interêsses imediatos das fôrças activas que o apoiavam, e preferiu sacrificar a nação. Solucionou o problema – é certo, mas solucionou-o mal, e sabe Deus por quanto tempo! [...]
Antes, porém, de atacar, directamente, o assunto, chamarei a atenção dos leitores para uma circunstânciaa digna de relêvo. O dr. Oliveira Salazar contacta com os fiéis por meio de encíclicas financeiras em que vai estabelecendo, periòdicamente, o confronto entre os milagres que êle tem feito e os desastres que os outros tinham ocasionado. Ora, quem tiver lido êsses documentos, deve ter observado que o dr. Oliveira Salazar toma sempre, como têrmo das suas comparações, o ano económico de 1927-1928.
Mas a ditadura teve o seu início em 28 de maio de 1926 e, daí até ao comêço do ano económico de 1928-1929, vão 2 anos e 33 dias. Esta scisão da ditadura em dois anos de boa e dois anos de péssima administração pode aceitar-se para o efeito da separação das responsabilidades dos homens que, dentro dela, as vagas do acaso arrojaram ao Terreiro do Paço. Mas, quando se examinam os benefícios ou malefícios que, para o país, resultaram dêste período de anormalidade, é preciso fazer o somatório das responsabilidades dos bons e dos maus administradores.
O dr. Oliveira Salazar integrou-se tanto dentro da ditadura que hoje está transformado no expoente do seu mais puro e intransigente espírito. [...]»

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