sexta-feira, julho 04, 2014

A Sua Magestade a Rainha a Senhora Dona Maria Pia


THOMAZ RIBEIRO
FRANCISCO PALHA
MANUEL D’ASSUMPÇÃO
JOSÉ DE SOUSA MONTEIRO

Lisboa, Abril de 1884
Imprensa Nacional
1.ª edição
28,4 cm x 20 cm
12 págs.
impresso sobre folhas de cartolina, dobradas e encasadas apenas com uma laçada de cetim
exemplar estimado, capa empoeirada, laçada recente; miolo limpo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Sendo este o ano, 1884, em que por tratados e traições internacionais começava a definir-se a partilha do continente africano pelas potências ocidentais, e em que Portugal tudo fazia, por meio de expedições “científicas” (Serpa Pinto, Capelo, Ivens, etc.) para assegurar a sua presença nos lugares até onde chegara em primeiro lugar, ou o ano em que, por exemplo, se inaugurou em Lisboa o elevador do Lavra, – alguns notáveis do país gastavam as suas energias e uma boa parte dos recursos financeiros a tecer elogios literários a uma muito celebrada «kermesse na tapada da Ajuda», sendo a vertente brochura uma das dezenas de publicações congéneres de louvaminhas. Diz, à época, a revista O Occidente (n.º 193, Lisboa, 1 de Maio de 1884):
«Esta magnifica festa de caridade, promovida sob os auspicios, inspiração e iniciativa de S. M. a Rainha a sr.ª D. Maria Pia [de Sabóia, a italiana esposa do senhor Dom Luís, mãe do senhor Dom Carlos...], ainda se não poude realisar em consequencia do mau tempo. [...]» Mesmo assim, os preparativos não acabavam de se “preparar”: «Além de muitas offertas valiosas, de que as folhas diarias dão conta, ha um chalet, ou como lhe queiram chamar, barraca da Associação das Creches, que vae ser o maior atractivo da festa. É construida em guisa de castello da Edade-Media, tendo uma torre á altura de dezesete metros [...]. O projecto é dos srs Manini e Leandro de Souza Braga [...].»
Finalmente, a 21 de Maio, o mesmo periódico dá notícia dos “festejos de caridade”, notícia de o evento ir de vento em popa, dando-nos a ideia de uma época em que os ricos já se divertiam a angariar dinheiro para os pobres, suprindo a falta de instituições públicas como, por exemplo, a segurança social, ou o serviço nacional de saúde, ou os planos de poupança-reforma, ou o banco alimentar.
Voltando à vertente brochura, trata-se de um notável exemplo de artes decorativa e tipográfica portuguesas.

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