domingo, janeiro 25, 2015

A Reacção Ultramontana em Portugal ou a Concordata de 21 de Fevereiro



A.[LEXANDRE] HERCULANO

Lisboa, 1857
Na Typ. de José Baptista Morando
1.ª edição
22,9 cm x 14,4 cm
2 págs. + XII págs. + 58 págs.
exemplar estimado, com restauros na capa nomeadamente na lombada; miolo limpo
peça de colecção
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

Temos aqui um dos grandes textos do liberalismo, em que Herculano afirma a sua oposição relativamente às “políticas” da Igreja católica, do mesmo modo que se distancia da perniciosa influência desta última na formação mental do povo português. Mas o que estava, sobretudo, aqui em jogo era a discussão do tratado nacional a vir a ser assinado com a Santa Sé, e que enquadraria deveres religiosos nacionais a gosto da reacção absolutista. Num dos seus múltiplos aspectos, esse tratado – a Concordata – destinava-se a atrofiar a ambição imperial portuguesa na Ásia. Diz Herculano, a dado passo, nas suas Palavras Preliminares:
«[...] A guerra é com a usurpação estrangeira e com o jesuitismo e ultramontanismo ad hoc de certo grupo de reaccionarios, fezes de todos os partidos, mas principalmente das facções liberaes.
O catholicismo, ainda o mais fervoroso, é estranho á contenda. Não se tracta hoje da crença que herdámos de nossos pais e que devemos transmittir intacta a nossos filhos: tracta-se do direito: tracta-se de manter os limites do sacerdocio e do imperio. [...] O que não somos obrigados a acceitar é os erros e abusos dos seus [da Igreja romana] ministros ou a deslealdade dos nossos; o que não podemos tolerar é a insaciavel ambição de dominio da curia romana, incapaz de se desenganar de que as doutrinas de Gregorio VII ácerca da supremacia politica de Roma sobre os reis e sobre os povos não triumpharão jámais. [...]»
Estava, pois, outra vez reaberto – os dois primeiros volumes de Da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, em 1854-1855, haviam sido um primeiro episódio – o aceso e vasto debate de ideias que sedimentaria nos republicanos, mais tarde, o seu espírito anticlerical.

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