terça-feira, janeiro 20, 2015

O Mundo Que o Português Criou & Uma Cultura Ameaçada: a Luso-Brasileira


GILBERTO FREYRE
pref. António Sérgio
capa de Cândido Costa Pinto

Lisboa, s.d.
Livros do Brasil, Limitada
2.ª edição portuguesa
21,8 cm x 15,3 cm
224 págs.
subtítulo: Aspectos das Relações Sociais e de Cultura do Brasil com Portugal e as Colónias Portuguesas
exemplar estimado; miolo limpo
restauro na folha de rosto
20,00 eur (IVA e portes incluídos)

Admirável e arguto ensaio, em que Gilberto Freyre bem caracteriza a índole dos portugueses e a sua capacidade como povo colonizador, devido «[...] à sua própria formação psicológica e social, bastante distanciada dos traços comuns às outras sociedades da Europa, bem anti-europeia nas suas raízes mais espontâneas e mais profundas [...]. Creio mesmo que até hoje não se definiu com suficiente clareza esse desajustamento profundo do carácter português em relação ao ambiente europeu que o envolve. [...] Na verdade, não há nada mais anti-europeu do que a psicologia do Português e do que a sua própria vida social, em tudo o que ainda não sofreu a influência definitiva das outras culturas europeias... Os seus méritos de colonizador consistiram precisamente nos seus defeitos como nação europeia, considerada do ponto de vista europeu. [...]» E segue referindo a «falta de rigidez» e a doçura trágica de um povo virado para o Atlântico, para o ignoto, por força da existência de um tampão, que a Espanha para nós sempre foi. Gilberto Freyre, se fosse vivo ainda hoje, concluiria que apenas o desenvolvimento selvagem dos meios de comunicação para as massas – a rádio, a televisão e os jornais – veio modificar, sobretudo nos últimos quarenta anos, essas louváveis características da povoação portuguesa, não no sentido de a tornar mais europeia, mas no sentido de a amolecer e tornar indiferente ao seu próprio destino como nação.

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