sexta-feira, maio 01, 2015

Aden-Arábia


PAUL NIZAN
introd. Jean-Paul Sartre
trad. José Borrego

Lisboa, 1967
Editorial Estampa, Lda.
1.ª edição
21,7 cm x 15,5 cm
2 págs. + 208 págs.
capa impressa sobre cartolina martelada
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo, por abrir
discreta assinatura de posse na página de ante-rosto
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

«Eu tinha vinte anos e não permitia a ninguém que dissesse ser essa a mais bela idade da vida.
Tudo ameaça com a ruína um jovem: o amor, as ideias, a perda da família, o ingresso entre os grandes. É muito duro obter a sua parte no mundo.
[...] Mais ou menos por toda a parte, havia gente nos campos e nos subúrbios: mas nós, olhávamo-nos para fazermos como os nossos mestres e os nossos pais, acocorados nos cantos, levantando-se às vezes para fazer rir os patrões, encomendar-lhes ilusões, argumentos ou justificações. Palhaços, cúmplices: ofícios do espírito. De tempos a tempos, pediam que fôssemos pacientes: o mundo iria em breve ser salvo. [...]
Imaginai: eis-nos deixados aos vinte anos num mundo inflexível, munidos de algumas artes de adorno: o grego, a lógica, um extenso vocabulário que nem sequer nos dá a ilusão de ver claro. Estamos perdidos na galeria das máquinas dos nossos pais, em que todos os recantos mal iluminados dissimulam recontros sangrentos, guerras nas colónias, terror branco nos Balkans, assassinatos americanos aplaudidos por todas as mãos francesas: a terrível hipocrisia dos homens do poder não chega para pôr um véu sobre a presença das desgraças que não compreendemos: sabemos somente que existem, que em qualquer lugar há sofrimento. Não nos digam que é para nosso bem. Não se contentem em acusar o destino, em fazer eternamente o gesto de Pilatos. [...]»
Assim abre aquela que é uma das mais pungentes narrativas de identificação geracional. Aquela que ficou como um cântico do mal-estar dos filhos da Segunda Guerra Mundial, maiormente verbalizado.

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