quarta-feira, maio 06, 2015

Antologia da Poesia do Período Barroco


NATÁLIA CORREIA, selec., introd. e notas
[capa de José Escada]

Lisboa, 1982
Moraes Editores
1.ª edição
20,1 cm x 15,4 cm
344 págs.
da prestigiada colecção Círculo de Poesia
exemplar novo
45,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do lúcido prefácio da organizadora:
«[...] O culto da obscuridade – uma poesia que se oculta para seduzir – concorre para imprimir à poesia de Seiscentos esse carácter minoritário em que alguns críticos vêem o código de uma elite intelectual espanholizada, hostil ao paladar do povo. Uma poesia, portanto, impopular? Sim e não. Impopular na medida em que a retórica cultista sobrecarrega essa poesia de virtuosismos que reduzem a sua comunicabilidade a uma esfera de iniciados. Observe-se contudo, que este círculo mais hermético onde se apertam as malhas do tecido da literatura barroca não é um exclusivo da poesia seiscentista. [...]
Restringir a poesia da época barroca a um ensimesmamento aristocrático releva de uma restrição crítica que valoriza a leitura histórico-literária em detrimento de uma leitura poética, a única que permite autentificar, mesmo no quadro mais hermético da poemática cultista, fulgurações de um entusiasmo e engenho líricos que nos contagia e seduz, amortecendo a nossa prévia resistência a uma fachada aristocrática que, franqueada a entrada, se simplifica e justifica como introdução no mundo de surpresas e revelações que o interior nos reserva. Estranheza semântica? Sem dúvida, mas funcional, ou seja, com função de extrair um sentido de combinações inusitadas, e não “arte pela arte” como sentenciam as avaliações crítico-racionalistas da perceptiva extrapoética.
Quem rasgar os horizontes da poesia barroca, com olhos limpidamente poéticos, colherá momentos de grande poesia, apenas prejudicada por um estilo comum que, à distância, homogeniza a família barroca como acontece com o lirismo galego-português onde a diferenciação se faz pela qualidade. [...]»

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