quarta-feira, junho 17, 2015

De Profundis, Valsa Lenta


JOSÉ CARDOSO PIRES
introdução de João Lobo Antunes
capa (desenho) de Mário Eloy
grafismo de Emília Abreu

Lisboa, 1997
Publicações Dom Quixote, Lda.
1.ª edição
23,3 cm x 14,2 cm
72 págs.
ilustrado
encadernação editorial em tela com sobrecapa impressa sobre papel avergoado
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Assim começa este livro muito especial, tanto para um escritor maior da cultura portuguesa como para o vulgar cidadão do mundo:
«[...] Ainda hoje estou a ouvir aquele “é”. Espantoso como bruscamente o meu eu se transformou ali noutro alguém, noutro personagem menos imediato e menos concreto.
Nesta introdução à perda de identidade que um transtorno do cérebro tinha acabado de desencadear, o que me parece desde logo implacável e irreversível é a precisão com que em tão rápido espaço de tempo fui desapossado das minhas relações com o mundo e comigo próprio. Como se acabasse de dar início a um processo de despersonalização, eu tinha-me transferido para um sujeito na terceira pessoa (Ele, ou o meu nome, é) que ainda por cima se tornava mais alheio e mais abstracto pela imprecisão parece que. Além disso, a circunstância de ter respondido à Edite com o apelido e não com o meu primeiro nome, o mais cúmplice entre marido e mulher e o único que nos era natural, é outro indício do distanciamento provocado pelo golpe de azar que me destituíra de memória e de passado. [...]»
Na linha de tradição cultural dos escritores que fizeram da sua biografia profissão de fé, Cardoso Pires conta, após um acidente vascular cerebral, o seu regresso do vazio absoluto, do nada, ao equilíbrio das faculdades humanas que nos permitem verbalizar o ser.

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