sexta-feira, junho 26, 2015

Esboços e Perfis


EDUARDO DE NORONHA

Coimbra, 1913
F. França Amado, Editor
1.ª edição
19,4 cm x 12,9 cm
200 págs.
subtítulo: Extractos e Compilações dos Acontecimentos e Livros de Maior Sensação dos Ultimos Tempos
encadernação modesta em tela com ferros a ouro na lombada, guardas em papel kraft, muito pouco aparado
conserva as capas de brochura
exemplar em muito bom estado de conservação
25,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se de uma miscelânea de crónicas em que os assuntos – seja um episódio da vida de Cleópatra, sejam os eventos históricos do 9 Termidor, sejam as coscuvilhices de alcova de madame Pompadour – são todos tratados no estilo ligeiro e descontraído de almanaque. O seu autor, aliás, foi essencialmente jornalista.
Bruxas e o «sabbado da bruxaria», por exemplo, são matéria de algumas páginas deliciosas acerca da Inquisição:
«[...] Outr’ora em qualquer paiz, pela menor suspeita, por causa de um animal doente, de uma meda de palha que ardera, denunciava-se... toda a gente. E quando os tribunaes tinham alguem seguro, a repressão era terrivel. Os juizes submettiam primeiro o accusado á tortura. Á terceira ou quarta cunha, confessava.
Mas como acreditar na palavra de um christão que se entregara ao diabo? Tornavam-se necessarias outras provas. Principiava-se por lardear o paciente com picadas de agulha por todo o corpo até se descobrir “a marca”, o logar insensível que era de alguma forma a assignatura de Satanaz. Achava-se sempre. Só depois d’isso a bruxa ou o lobishomem, devidamente persuadidos, eram condemnados a ser queimados vivos.
[...] no começo do seculo XVIII, no prebostado de la Marche, um accusado, Thomas Gaudel, intimado a revelar os nomes dos seus companheiros de regalorios diabolicos, [teve] a ingenuidade de denunciar os seus juizes: vira, n’uma reunião sabbatica, comendo fraternalmente com o demonio, todos os magistrados presentes na audiencia, desde o procurador geral até o escrivão. E, como jurava pela sua saúde eterna que dizia a verdade, foi preciso suspender a audiencia. O caso apresentava-se tão embaraçoso que o submetteram aos mais afamados sabios da visinhança. Thomas Gaudel não subiu ao cadafalso e o seu estratagema esfriou muito o excessivo zelo dos juizes inquisidores.
Desde essa época queimaram-se menos bruxas, e – coincidencia singular! – tambem houve menos affluencia aos diabolicos saraus. [...]»
Livro interessante, na celebração dos 150 anos do seu nascimento.

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