sábado, agosto 01, 2015

Onde a Noite Se Acaba



JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS

Rio de Janeiro, 1946
Edições Dois Mundos / Livros de Portugal, Ltda.
1.ª edição
21,6 cm x 14,6 cm
236 págs.
encadernação da época em tela encerada com elegante gravação a ouro na lombada
corte carminado à cabeça, sem capas de brochura
exemplar (n.º 1.016) naturalmente envelhecido pelo tempo mas bem conservado; miolo limpo
assinatura de posse na folha-de-guarda
45,00 eur (IVA e portes incluídos)

Escreve o seu amigo e biógrafo, o jornalista Mário Neves (ver José Rodrigues Miguéis – Vida e Obra, Editorial Caminho, Lisboa, 1990):
«[...] As preocupações resultantes da conjuntura perturbavam naturalmente o sossego espiritual do escritor, prejudicando o rendimento do seu trabalho criador. [Miguéis já se encontrava radicado nos Estados Unidos, nessa altura em que a guerra assolava a Europa...]. Embora tendo sofrido uma curta pausa, não suspendeu, porém, completamente a actividade literária e aproveitou até esse período para reunir material já pronto ou para lhe introduzir alguns retoques com vista a publicação futura. Uma das obras que preparou então foi o livro de contos Onde a Noite Se Acaba, com o qual reatava a tradição interrompida com o seu primeiro volume Páscoa Feliz e que as Edições Dois Mundos se propuseram lançar no Rio de Janeiro, incluído na Colecção Clássicos e Contemporâneos, dirigida por Jaime Cortesão e sob a responsabilidade de Danton Coelho. Foi este que, dados os entraves provenientes da censura militar, obteve a remessa do manuscrito para o Brasil, por mala diplomática. Tal intervenção amiga justifica a carta do autor, publicada à laia de prefácio do livro, com algumas explicações interessantes que, a propósito de um dos trechos do volume, definem essa prosa como “resíduo de longos anos em que a acção e dificuldades objectivas, viagens e exílio, estudos e trabalhos, queimaram as asas de um sonho primordial... documento das torturas a que o espírito se sujeita para persistir”. Prosseguindo a sua justificação, esclarece: “Estas novelas estão longe, no seu conjunto, de reflectir a minha personalidade, as minhas ideias, a minha incontável experiência destes anos.” E acrescenta: “Algumas destas histórias têm, por certo, um mórbido sabor, flutuam num mundo de íncubos e sombras. Mas era mórbida, já o disse, doentia e sem esperança, a atmosfera desses anos portugueses. Respirava-se ilusão gorada, sonho putrefacto.” Prosseguindo, diz ainda: “Outras são inspiradas imediatamente do real. Já me têm chamado escritor subjectivo, proletário, impressionista, neo-realista, e não sei que outras coisas. Pouco importa. Não é o rótulo que me interessa, mas a substância. E dessa ainda eu não dei a prova definitiva.” [...]»

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