quinta-feira, setembro 24, 2015

Avieiros


ALVES REDOL
capa de Manuel Ribeiro de Pavia

Lisboa, 1942
Livraria Portugália
1.ª edição
19,1 cm x 12,3 cm
308 págs.
capa impressa a duas cores directas e resina
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
40,00 eur (IVA e portes incluídos)

«Talvez tenha sido em 1937 que Redol está num Domingo de manhã na taberna de António Vitorino e entra um homem cujo comportamento é distinto dos demais. Questionado, Vitorino diz-lhe que é um avieiro e que faz parte de um grupo social que vem da zona de Vieira de Leiria, que pesca no Tejo e que vive nos barcos. O então candidato a escritor desconhece tal grupo. Note-se que, percorrendo o Mensageiro do Ribatejo, não se encontra qualquer referência a esta gente. E, em Vila Franca ainda é geralmente desconhecida, mesmo para quem, como Redol, tudo procura sobre a vida do povo, se dá com muitas pessoas e tem uma família que trabalha em ramos de comércio por onde passam muitas e variadas populações. Alves Redol interessa-se pelo assunto, sabe mais através de Jerónimo Tarrinca que o leva à Toureira, onde estabelece amizades, o que não é nada fácil, tratando-se de avieiros, gente fechada, individualmente e como comunidade, que só casam uns com os outros.
Durante quatro anos percorre as aldeias avieiras. [...] Nas férias de 1941 [...] consegue instalar-se na aldeia da Palhota a convite da comunidade local, que reúne o seu conselho de anciãos para tomar a decisão. Existe acordo, mas desde que a mulher o acompanhe. Assim, Redol e Maria instalam-se em casa de Manuel Lobo. Os dois vão pescar com Manuel Guerra e Maria experimenta remar o barco, tal como as mulheres avieiras fazem: enquanto os maridos lançam e recolhem as redes e o peixe apanhado, elas remam. [...]
No início do ano [de 1942] sai à estampa o romance Avieiros, em edição da Livraria Portugália. É um novo êxito de público e a grande maioria das críticas são entusiasmadas, apesar das objecções de Mário Dionísio. Acha que a forma usada não é a mais adequada ao Neo-Realismo. Acha que existe muita retórica. Mas em 1943 sai a 2.ª edição, em 1944 a 3.ª e em 1945 a 4.ª. É um romance em que, pela primeira vez na literatura portuguesa, uma mulher tem papel de liderança.» (António Mota Redol, «A história do ceifeiro rebelde – Uma Biografia de Alves Redol», in Alves Redol – Horizonte Revelado, Assírio & Alvim / Museu do Neo-Realismo, Lisboa / Vila Franca de Xira, 2011)

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