domingo, dezembro 27, 2015

Animais Falantes


ABEL BERRÃO
capa e grafismo de [José] Vilhena

Lisboa, s.d. [pós 1974]
Edição do Autor / Specil (dist.)
[1.ª edição]
16,1 cm x 11,7 cm
160 págs.
subtítulo: Fabulinhas Mansas – Obra de fantasia e zoologia para adultos, com sérias reservas
exemplar estimado; miolo limpo
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

Aludindo a Esopo e Fedro, como deve ser nos intróitos a livros do vertente jaez, o escritor humorista José Vilhena (nasc. 1927), sob inequívoco pseudónimo, fala-nos da moralidade dos animais do costume, que por cá andam, por cá ressonam, por cá dirigem. Um exemplo (manso), de passagem:
«O ar melancólico dum burro desperta sempre a curiosidade e origina diversas apreciações, dependentes da conta em que tenhamos os burros. Para uns um ar melancólico deve-se ao excesso de raciocínio, ao sobrecarrego de responsabilidades e encargos. Assemelha-se, dizem, às rugas de certos ministros e diplomatas. Para outros, a melancolia tem origem na ausência de raciocínio, ou melhor, no reconhecimento por parte dos pobres asnos da estupidez animal de que são legítimos donos e únicos usufrutuários. Os que assim pensam, comparam a melancolia dos burros à melancolia que assalta certos cidadãos que, não tendo seguido a carreira de ministros, comentam os humanos erros e perdoáveis tergiversões dos que ascendem a tal posto com frases como esta: “Assim, também eu era ministro!...” [...]»
E segue a fábula com a desdita do animal, que, sendo roubado ao dono, se lhe apresentam duas hipóteses de fim de vida: uma, que em nada difere dos tormentos a que o sujeitava o antigo dono, porque «Quem nasce burro burro morre»; a outra, já envolte certas mordazes subtilezas:
«[...] Das mãos dos ladrões passou às de ciganos, destas às de um domesticador. Com ele o burro aprendeu, sem grande esforço, as boas maneiras de um burro sábio. Sabia contar até 10, escrever o nome, zurrar ao som da Marcha Triunfal e muitas outras habilidades que lhe deram justa fama e o tornaram conhecido e admirado pelos circos do Mundo. Lumbal, o burro-sábio, morreu na abundância.
Moralidade especial para evolucionistas: Quem nasce burro pode morrer catedrático.»

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