terça-feira, dezembro 08, 2015

O Comum dos Mortais


AGUSTINA BESSA-LUÍS

Lisboa, 1998
Guimarães Editores, Lda.
1.ª edição
20,5 cm x 14,7 cm
368 págs.
acabamento com capa impressa a negro e sobrecapa a cor
exemplar em muito bom estado de conservação; miolo limpo
40,00 eur (IVA e portes incluídos)

Na altura da publicação deste notável romance, escreveu Torcato Sepúlveda, na revista Ler do Círculo de Leitores (Verão / Outono 1998, n.º 43), as seguintes acutilantes palavras:
«Agustina Bessa-Luís publicou um novo romance, O Comum dos Mortais, sobre Salazar [Mazarino] e o salazarismo. O retrato do ditador e seus acólitos é tão negro que uma questão se levanta: como é que todo um povo se deixou governar por semelhantes espantalhos? [...]
Dá-se o caso simples de o seu olhar impressionista ser mais lúcido do que o de muitos investigadores sociais que vão trabalhando sobre o tema. A escritora sabe que quer Salazar, quer os portugueses são mortais comuns. Neste aspecto, Agustina Bessa-Luís é também uma mortal comum com o seu bom-senso, com a sua observação ao nível rasteiro dos sentimentos e das coisas. A autora sabe que Salazar era pequenino, de sentimentos mesquinhos, medroso ante a evolução das classes e das ideias; mas sabe também que a arquitectura intelectual e moral do ditador correspondia à pusilanimidade de todo um povo. [...]
[...] O Comum dos Mortais é um romance sarcástico, atravessado por personagens mais ou menos pícaras: a mulher de Salazar / Mazarino lembra irresistivelmente Supico Pinto; António Ferro era desprezado por Salazar, como fora desprezado, no tempo do Orpheu, por Fernando Pessoa; de Fernanda de Castro, nem falemos; a Cerejeira não é dada qualquer importância. Só Bissaya Barreto é tratado com a elevação correspondente à dignidade que sempre soube manter na sua vida.
O Comum dos Mortais é um grotesco cortejo de sombras, que impressiona mais pelo ridículo do que pelo terror que personalidades aqui retratadas causaram em vida aos seus concidadãos. Como foi possível que todo um povo se deixasse governar por espantalhos destes? Uma pintura tão cruel de Salazar e do salazarismo, só Agustina Bessa-Luís a poderia ousar. Os escritores de esquerda foram incapazes.»

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