sábado, janeiro 16, 2016

Manuel Cargaleiro – Obra Gravada, 1957-1978 [catálogo]

VERGÍLIO FERREIRA, introd.

Lisboa, s.d. [1978]
Galeria S. Mamede
1.ª edição
27,1 cm x 22,2 cm
48 págs.
profusamente ilustrado
impresso sobre papel de gramagem superior
encadernação editorial com sobrecapa e guardas impressas em monocromia
exemplar com sinais de antiga humidade no bordo inferior das duas primeiras folhas; miolo limpo no geral
45,00 eur (IVA e portes incluídos)

Refere o cólofon que o livro foi realizado «com a colaboração da Tipografia Manuel A. Pacheco, Lda.», o que significa que toda a execução na máquina foi conduzida e supervisionada pelo chefe de oficina João Gonçalves. Podemos, assim, mesmo sem observação a conta-fios, garantir ter havido nas páginas de côr mais do que as quatro convencionais passagens de tinta, dado o peculiar método de impressão – uma transposição da técnica serigráfica para o off-set – utilizado nessa tipografia em obras que exigissem algum rigor cromático. Neste particular, a obra-prima tipográfica absoluta executada nessa empresa estamos em crer ter sido O Papel-Moeda em Portugal, com grafismo de Sebastião Rodrigues, encomenda do Banco de Portugal em 1985.
De Cargaleiro, fala-nos com acerto o escritor Vergílio Ferreira:
«[...] Eis-me aqui em face da arte de Cargaleiro [...]. E a primeira característica que de imediato me atinge, para além da sua luminosidade, é a da sua monotonia. Mas que “o génio é monótono” é já hoje um lugar-comum – e em nada, pois, isso diminui quem génio se não pretenda. E no entanto, essa monotonia faz pensar. Porque, como em toda a arte, e submersa a ela, é como se uma realidade inatingível incitasse o artista à sua perseguição, frustrada sempre, e as breves alterações fossem a estratégia de a alcançar, fossem o breve indício ou o sinal cabalístico de que essa realidade estava lá. Invencivelmente, a monotonia de Cargaleiro traz-me o eco dessa enigmática singeleza do cantar trovadoresco, quando podia decidir-se da qualidade de uma poesia pela simples alteração de um “amigo” num “amado”. Como na velha “paralelística”, que se auto-engendra indefinidamente, esta arte reinventa-se a si mesma, recriando-se no motivo que se repete. Assim ela converte o “amigo” de um azul no “amado” de um vermelho, desdobrando pelo “leixa-pren” – o “deixa-toma” – os seus quadrados e triângulos. [...]»

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