segunda-feira, março 07, 2016

Mundo Literário – Semanário de Crítica e Informação Literária, Científica e Artística




Lisboa, 11 de Maio de 1946 a 3 de Maio de 1947 (52 números); 1 de Maio de 1948 (último número)
dir. Jaime Cortesão Casimiro e Adolfo Casais Monteiro
ed. Luís de Sousa Rebelo
propriedade da Editorial Confluência, Lda.
53 números (colecção completa)
29,7 cm x 21,4 cm
51 x 16 págs. + 2 x 20 págs. + 1 folha-volante
profusamente ilustrados, texto distribuído por três colunas
acabamento com um ponto em arame
exemplares muito estimados; miolo limpo
apresentam-se na forma original de comercialização *, fascículos soltos acondicionados num elegante estojo de confecção manual recente
380,00 eur (IVA e portes incluídos)

Revista literária a que a censura salazarista pôs termo. Passou-se assim, tal como evoca Jaime Cortesão Casimiro (ver Daniel Pires, Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX – 1941-1974, vol. II, 1.º tomo, Grifo, Lisboa, 1999):
«[...] A escolha dos colaboradores norteava-se por um critério obviamente não declarado, mas que não era difícil de inferir: o de não apoiarem ou colaborarem com o Estado Novo, tendo a maioria deles subscrito as famigeradas listas do MUD contra o Governo.
Não faltaram problemas com a Censura, que me cabia contactar nessas situações e, para evitar uma primeira suspensão, fomos forçados por ela a “Declaração” publicada no n.° 6.
A colaboração era remunerada e, em Maio de 1947, as dificuldades financeiras e dívidas acumuladas impuseram a suspensão, que anunciámos no n.° 52, de 3 de Maio de 1947. Consegui, ao fim de quase um ano, o apoio da Editorial Cosmos, gerida por Manuel Rodrigues de Oliveira, após contacto com o Prof. Bento de Jesus Caraça, e o n.° 53 surgiu em 1 de Maio de 1948, no qual se assinalava que Casais Monteiro abandonara o Corpo Directivo, continuando a dar-nos a sua colaboração. Foi o pretexto para a Censura decidir acabar com o semanário, invocando o que considerava uma intolerável guinada para a esquerda e denunciando em especial a sua falta de confiança no novo corpo directivo e na reportagem “Alfambras, Terras Perdidas” de Maia de Jesus [acerca da miséria da população algarvia]. Desde então, a Censura recusava-se a devolver, visadas ou cortadas, as provas dos textos a publicar. E quando insistíamos por carta para saber as razões da sua atitude, era-nos respondido apenas que confirmavam o que sobre o assunto haviam dito ao director Jaime Casimiro.
Ainda cheguei a procurar António Ferro que me remeteu para Luís Forjaz Trigueiros, salvo erro ao tempo Director do Diário Popular. Ao contactar este último, tornou-se claro que se pretendia tutelar por este meio o Mundo Literário. Desistimos então. [...]»

* Os exemplares que chegaram até nós assim preservados não devem ser aparados, cosidos ou encadernados, dada a importância do seu testemunho físico, enquanto peças para a história das artes tipográficas e editoriais; a sua conservação dentro de estojos, de que o vertente exemplar constitui modelo, é a mais correcta.

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