domingo, abril 24, 2016

Cantares




[ZECA] JOSÉ AFONSO

Lisboa, s.d. [1967]
Edição SCIP - AAEE de Lisboa / A.E.I.S.T.
1.ª edição
20,9 cm x 13,9 cm
100 págs.
exemplar muito estimado, capa com sinais de lepisma; miolo irrepreensível
peça de colecção
110,00 eur (IVA e portes incluídos)

Incontornável edição clandestina (esforço da vanguarda das associações de estudantes), substancialmente diferente da da Nova Realidade (Tomar, 1966), ganha a importância da perseguição movida contra tudo o que levasse a assinatura de Zeca Afonso. O regime fascista foi sempre muito claro em relação ao Autor de Grândola, Vila Morena: havia que silenciá-lo!
A vertente edição vem ainda enriquecida, relativamente à outra, por novos cantares, pela reprodução de um autógrafo (desenho e versos) de Zeca Afonso, por esclarecedores comentários do mesmo em rodapé a cada poema e por um conjunto de fotografias que denunciavam a miséria dessa época. O Preâmbulo, que tem como alvo a flor universitária do ensino para a dominação, fala por si:
«[...] Coimbra tem assim constituído a praça forte do reaccionarismo a da alienação portuguesa, e, se pensarmos que foi durante muito tempo o único centro universitário do País, temos de reconhecer nela o beco da nossa cultura e um dos maiores freios ao nosso progresso sócio-económico.
Felizmente que desde alguns anos para cá um grupo de gente nova está surgindo, reduzido é certo [neste pequeno círculo se deve incluir o bardo dos Cantares], mas cada vez mais numeroso e servindo de suporte a uma mentalidade diferente, sensível às realidades que nos cercam e aberta para os dramas que atormentam o mundo actual. [...]
E se algum qualificativo quiséssemos utilizar, que melhor reunisse as qualidades destes Cantares, diríamos que eles são eminentemente cultos. Não é de facto a cultura uma relação viva do homem com a realidade circundante? Por serem cultos é que muitos destes cantares andam nas bocas do vulgo, ilustrando assim esta verdade tão singela como frequentemente esquecida: que a arte para ir direita ao povo tem de brotar do seu húmus. [...]»
Segundo a página electrónica da Associação José Afonso, as fotografias reproduzidas são do moçambicano Ricardo Rangel e o preâmbulo, atribuído apenas às iniciais A. F., é da autoria de Flávio Henrique Vara; por seu turno, os referidos versos, manuscritos por Zeca Afonso, são da autoria do pintor António Quadros.

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