quarta-feira, junho 15, 2016

O Processo das Virgens


[MARTA CASTRO ALVES, selecção, coord. e nota prévia]
comentários de José Augusto Seabra, José Carlos Ferreira de Almeida, José Martins Garcia e Maria Alzira Seixo
capa de Henrique Manuel

Lisboa, 1975
Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite
1.ª edição
21,2 cm x 15 cm
360 págs.
subtítulo: Aventuras, venturas e desventuras sexuais em Lisboa, nos ultimos anos do fascismo
exemplar estimado; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Socorrendo-nos da imprensa clandestina da época, assim noticiava o Portugal Socialista no dia 1 de Janeiro de 1968, num artigo intitulado «Ballet Rose»:
«Por Ballet Rose ficou conhecido e foi divulgado o último “escândalo sexual”, ocorrido em Lisboa, na primavera passada, com a partecipacão de alguns “profissionais do vício”, de mistura com destacados membros da nobreza (marquês da Graciosa, condes de Caria e da Covilhã), homens da alta finança (Espírito Santo, Miguel Quina e Teodoro dos Santos) e o portentoso e “atiradiço” Ministro da Economia (Dr. Correia de Oliveira) já apelidado de “Profumosinho português”...
Para o Ballet Rose, e por intermédio de consabidos proxenetas, eram atraídas raparigas de menoridade, “filhas-famílias”, primeiro como assistentes e depois como comparsas do regabofe e da prática das mais variadas perversões sexuais. [...]»
Maria Alzira Seixo, ao concluir da leitura dos processos jurídicos que constituem o vertente livro, sublinha como este «[...] recorda imediatamente uma realidade próxima e abafada, e que assim assume ao mesmo tempo a condição de denúncia política e de análise objectiva da sociedade contemporânea como Zola a enunciaria. [...]» Prosseguindo mais adiante: «[...] Na verdade, e se descontarmos a monotonia repetitiva das fórmulas de inquirição, toda esta série se pode ler como se de um romance se tratasse, romance “sui generis” mas que, quer pela expressão, quer pelo conteúdo, tem antecedentes aproximados na história da literatura. Não me refiro apenas à matéria de natureza erótica veiculada por meios de depravação susceptíveis de sujeição penal mas, sobretudo, a um processo indirecto de narração que poderemos aproximar do romance epistolar do século XVIII, do tipo de As Ligações Perigosas [...].»
Trabalho exemplar de recolha e denúncia levado a cabo por Marta Castro Alves, pseudónimo do escritor Amadeu Lopes Sabino.

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