segunda-feira, setembro 12, 2016

Combate Desigual




FRANCISCO DE SOUSA TAVARES

Porto, 1960
Edição do Autor
1.ª edição
22 cm x 15,8 cm
204 págs.
subtítulo: Ensaios de Sociologia Portuguesa
exemplar manuseado mas aceitável, capa suja; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

O autor (marido da poeta Sophia de Mello Breyner Andresen) é aquele senhor de que bem nos lembramos, numa foto* que correu a imprensa da época, empoleirado numa guarita à porta do quartel do Carmo a incitar a multidão expectante que o poder não caísse na rua. Podemos, portanto, saber onde esteve o autor no 25 de Abril... Mas é curial sabermos onde ele estava antes. Algo em que o vertente livro basto nos esclarece, a saber:
«[...] quando se restaurou o voto, quando se fez apelo por imposição da consciência política ao princípio da soberania e da legitimidade, confundiram-se os planos, e confundindo-se as Instituições políticas duma Nação com uma obra administrativa, buscou-se o voto consagrador, o voto que fosse a legitimação do facto, o voto que mascarando a inexistência de instituições, representasse contudo a perpétua legitimação dum Regime, que a si próprio se apelidou de Revolução.
[...] O Direito natural do Homem prevalece contra o direito positivo dos homens.
Não admitimos pois que se queira defender a liberdade e a dignidade do homem pelo desenvolvimento puro e simples do processo de governo democrático da maioria absoluta, porque a democracia de raiz positivista não encontra fronteiras nem fundamento para uma permanente e total defesa dos valores humanos. [...]
Se hoje preconizamos a ressurreição do princípio hereditário da chefia do Estado é porque cremos ser ainda o princípio monárquico a melhor base para criar em Portugal uma constitucionalidade verdadeira e moderna.
Pensamos ter a Monarquia a virtualidade única de criar e manter a Unidade da Pátria por sobre a diversidade estuante do pensamento político.
A Unidade republicana é sempre uma unidade de sujeição; ela traz sempre no ventre a eventualidade dum regime de força, a suposta justificação hegeliana da vontade nacional e a exaltação dos chefes.
Dilacerada entre a divisão partidária, que rasga até ao tutano nacional, e a monotonia trágica do Estado ou do Partido Redentor, a República não pode competir intelectualmente com a clara harmonia, a elasticidade evolutiva, o simbolismo preciso e unitário, o magnífico sentido de liberdade, respeito e tolerância que a Monarquia contém. [...]»

* Foto apenas documental, não incluída no lote.

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