quarta-feira, outubro 05, 2016

Imagination & Ironie [junto com] Imaginação & Ironia



COSTA PINHEIRO
fotog. Sabine Costa

Munique / Lisboa, 1970 e s.d.
Starczewski Verlag / Livraria-Galeria 111 (separata)
1.ª edição (ambos)
texto em alemão e português
[21,5 cm x 16,2 cm] + [20 cm x 15,2 cm (separata)]
[2 págs. + 84 págs.] + 60 págs. (separata)
profusamente ilustrado
encadernação editorial com sobrecapa
acabamento da separata com um ponto em arame
exemplares estimados, sinais de traça nas duas primeiras folhas do livro; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Falecido em Munique, sob o quase absoluto silêncio do jornalismo português, Costa Pinheiro (1932-2015) fez parte do grupo KWY cuja mostra na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em 1960, sugeria uma viragem estética à pintura lisboeta.
Passagem de uma entrevista concedida a Adelino Gomes, em 2008 («Costa Pinheiro: Muitos dos meus quadros continuam silenciosos, lá no atelier», in Público, Lisboa, 5 de Maio):
«[...] Esteve preso três meses em Caxias. Quando e com que fundamento?
Por ter assinado um papel enviado ao Presidente da República, Almirante Américo Tomás, acusando de crime o assassinato do pintor Dias Coelho [pela Pide, em 1961].
Um dia vim a Portugal com a família. No regresso, deixaram-me sadicamente chegar no comboio até à fronteira, em Vilar Formoso. Aí dizem-me: “O senhor tem que voltar para Lisboa. A sua senhora pode seguir, com o miúdo.” Assim, com este tom displicente. A minha mulher teve o bom senso de correr para um telefone a avisar alguns amigos em Lisboa e quando regressei lá estavam eles na estação. O Pide que ia a acompanhar-me ficou extremamente comprometido, não estava nada a gostar daquela coisa.
Foi para a António Maria Cardoso e daí?
Para Caxias. Fiquei 3 meses. Acusado de ter assinado o tal abaixo-assinado.
Esteve com quem, em Caxias?
Com gente ligada ao golpe de Beja. Havia lá camponeses, operários do Barreiro, corticeiros. Conheci ao nível humano a qualidade das pessoas. Os corticeiros eram impressionantes. O interesse deles pelas coisas! Criámos dentro da cadeia a “Universidade de Ciências Políticas”. O Alfredo Margarido falava de história política, acho; eu estabelecia um diálogo com eles sobre as funções que a arte pode ter no sentido político e revolucionário. Estava também lá o Edmundo Pedro, que acabou por ir parar ao PS. Independentemente das diferenças, estabeleceu-se entre nós todos um diálogo irmão, neste sentido: “O inimigo não está entre nós; o inimigo está do outro lado”. Foi uma experiência muito singular. Primeiro passei um mês num curro. Não vi o sol durante esse tempo.
Por causa de ter assinado um papel... [...]»

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