terça-feira, novembro 22, 2016

Saias Curtas


LUIZ D’OLIVEIRA GUIMARÃES
capa de Cunha Barros

Lisboa – Porto – Coimbra – Rio de Janeiro, 1925
“Lvmen” – Empresa Internacional Editora
1.ª edição
19,3 cm x 12,3 cm
XII págs. + 272 págs.
subtítulo: A saia curta foi para as pernas das mulheres o que a Revolução Francesa foi para os direitos do homem
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR AO ESCRITOR LUÍS DEROUET
25,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se de uma badalhoquice machista disfarçada de crónica-ensaio acerca dos costumes citadinos. Um triste exemplo, que envolve, não só a crítica reprovadora, mas gulosa, ao corpo da mulher, como pretende impor a tirania do mando patronal do homem no mundo do trabalho:
«[...] A criada de Lisboa vem quási sempre da província, do Minho ou da Beira, do Alentejo ou do Algarve. Nunca andou de combóio. Nunca viu nada. Não sabe dizer duas palavras seguidas. Com a sua saia de roda, com a sua blusa de chita, com o seu lenço de ramagens atado na cabeça, dá-nos a impressão exacta de uma simples guardadora de ovelhas. Mas deixem-na estar dois ou três meses em Lisboa – e então é que é vê-la – espartilhada, frisada, com a sua blusa de seda, com o seu sapato de verniz, com a sua mantilha de renda posta como uma touca, com a sua infalível sombrinha, aberta sempre como um cogumelo preto – ela, pobre plebeia, que toda a vida andou à esturreira do sol! Não parece a mesma. Lisboa teve a arte de lhe ensinar todas as perversidades e todos os vícios. Pinta-se. Deita pó de arrôs na cara. Discute com os amos a propósito de tudo. Por qualquer coisa ameaça despedir-se, orgulhosamente. [...]»
Resta acrescentar aqui que as esposas destes intelectuais burgueses pintavam-se, vestiam-se e calçavam-se exactamente pelo mesmo figurino, sendo elas o nefasto modelo inspirador das ditas serviçais.

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