sexta-feira, dezembro 09, 2016

Baladas


RUI SANTOS
capa de Mário Eloy

Lisboa, 1933
UP da Sociedade Gráfica, Limitada
1.ª edição
19 cm x 12,3 cm
110 págs.
exemplar manuseado, com acentuado restauro da capa; miolo limpo
PEÇA DE COLECÇÃO
40,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Conjunto de pequenos contos. Segundo nota do escritor Pedro da Silveira, apensa ao exemplar que se encontra na Biblioteca Nacional: «Este livro foi apreendido, por ordem de Salazar. Motivo: a História que vem a páginas 95-98. A capa de Mário Eloy é a única que fez este pintor.» História que vale a pena transcrever na íntegra:
«Naquele país muito rico morria-se de fome. Mas todos os cidadãos esfregavam as mãos de contentes, porque tinham a certeza de que o seu país era rico.
Um dia, na praça pública, caiu um jovem.
Acercaram-se dêle um profeta, um filósofo e um coxo.
O resto era a multidão...
(E só a multidão olhou a sua desgraça – sem a ver: porque a multidão só sabe olhar!)
O filósofo meditou na afinidade que existia entre o nariz e a côr pálida do jovem e a indiferença, mais anciosa do que o costume, daquela gente para com a sua história – a sua fome.
E fez uma teoria!
O coxo, perante o moribundo, recordou todo o seu passado num pé só.
Não acreditava que se pudesse morrer, a não ser por falta dum pé.
E preguntou curioso:
– O que tem êste homem?
Respondeu-lhe o profeta:
– Tem a cara do ministro das finanças...»

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