terça-feira, fevereiro 07, 2017

Edoi Lelia Doura – antologia das vozes comunicantes da poesia moderna portuguesa



HERBERTO HELDER, org.
capa de Manuel Rosa

Lisboa, 1985
Assírio e Alvim – Cooperativa Editora e Livreira, CRL (dir. Hermínio Monteiro)
1.ª edição [única]
26,9 cm x 17,1 cm
316 págs.
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
175,00 eur (IVA e portes incluídos)

Ajustando um modelo antológico, ou organizativo, que no magazine Nova havia ficado em esboço – até pela contingência de tratar-se de uma publicação periódica datada, e não uma antologia pessoal –, o poeta Herberto Helder dá a conhecer, finalmente, aquilo que na cultura portuguesa do século XX constitui o filão do verdadeiro ouro poético. E justifica: «[...] Todo o livro vai sendo o seu prefácio, e o posfácio, a inacessível e prontamente acessível evidência. E assim quero eu pôr em escrito rápido que ele, livro, com as suas vozes comunicantes, incita quem puder a poder encontrar a razão das razões, pessoal, pessoais, e o fundamento agora inabalável de uma figura da realidade que, apenas manifesta, se torna encontrada como única. O que se faz segundo as posses dos encontros. Neste sistema de vozes não deixa a natureza que entrem outros veios: é uma clepsidra para ajuste de certas horas, porventura nocturnas, marcando a dominação e os passos de um sol negro magnificante. Fique indiscutível que é uma antologia de teor e amor, unívoca na multiplicidade vocal, e ferozmente parcialíssima. Quando os lemos lado a lado, a todos estes poetas e poemas, sabemos estarem eles entregues ao serviço de uma inspiração comum, a uma comum arte do fogo e da noite, ao mesmo patrocínio constelar. [...]»
Daqui não podemos deixar de inferir que, por exemplo, ao acaso, é inviável juntar uma Chiote, um Pires Aurélio ou um Miranda Rocha a par com contemporâneos, deles, como António José Forte, Manuel de Castro, Ernesto Sampaio, Luiza Neto Jorge ou António Gancho. E se fizermos, no vertente florilégio, o caminho ao contrário na cronologia, ainda encontraremos valores poéticos de maior peso: António Maria Lisboa, Mário Cesariny, Natália Correia, Carlos de Oliveira, Vitorino Nemésio, Edmundo de Bettencourt, Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Teixeira de Pascoaes, Ângelo de Lima, Camilo Pessanha e Gomes Leal. Será justo e correcto acrescentar a este «veio» intemporal o nome do próprio Herberto Helder.

pedidos para:
telemóvel: 919 746 089