sábado, fevereiro 04, 2017

Lisboa no Anno Três Mil



CANDIDO DE FIGUEIREDO

Lisboa, 1892
Livraria Ferreira
1.ª edição
18,3 cm x 12 cm
128 págs.
subtítulo: Revelações arqueólogicas [sic], obtidas pela hipnose e publicadas por [...]
encadernação de amador em sintético e papel marmoreado
aparado, sem capas de brochura
exemplar estimado; miolo limpo, verso da folha de ante-rosto com repintagem tipográfica
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Aos quarenta e cinco anos, aquando da publicação deste Ano 3000, já Cândido de Figueiredo dera à estampa trinta e uma obras. Tão diversas como poesia, teatro, pedagogia, tradução, memórias, geografia, história, linguística… Precisamente as três séries de Lições Práticas da Língua Portuguesa (a par da Estilística da Língua Portuguesa de Rodrigues Lapa) ainda hoje podem ser consideradas modelares, num país tomado de assalto por uma escrita light (escrita lixo). Tal, ainda, o caso do seu Dicionário da Língua Portuguesa.
E é este, já então co-fundador, em 1876, da Sociedade de Geografia, que introduzirá na nossa cultura literária, sibilinamente, um certo relatório da (futura) devastação de Portugal. Inquietar-nos-á nesta sua visão nem ter sido necessário o milénio que ele nos deu de avanço: largas passagens do seu livro de antecipação são agora status quo. Ou, citando num resumo – porque a actualidade no-lo permite concluir: «[…] assim como em tempos remotíssimos houvera brâmanes e sudras, espartanos e ilotas, patrícios e plebeus, a sociedade portuguesa, em homenagem aos seus avoengos da Índia, Grécia e Roma, dividia-se, nos seus últimos tempos, em duas classes: ovelhas e pastores. [...]»
Ou, selando presságios avisados: «[...] Portugal, um país microscópico, de origem neo-visigótica, pôde manter a sua autonomia por dez séculos. Meado porém o século XXI, já quase nada existia daquela nacionalidade, que teve na história alguns momentos de robustez e prestígio. [...]»
Vistas as coisas de um prisma distinto, Lisboa no Anno Três Mil patenteia, no modo peculiar do fim do século XIX, uma modernidade equiparável a clássicos recentes de utopias negras. Citem-se apenas duas, no que elas também têm a ver com a linguagem: Fahrenheit 451 de Ray Bradbury e Alphaville de Jean-Luc Godard.

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