segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos


MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS

Lisboa, s.d. [1953]
Edições Contraponto [de Luiz Pacheco]
2.ª edição*
25 cm x 19,2 cm
8 págs. (in 4.º)
impressão a duas cores sobre papel tipo “manteigueiro”
exemplar estimado, discreto restauro na dobra interior; miolo limpo
75,00 eur (IVA e portes incluídos)

Diz-nos com grande propriedade a Nota do Autor:
«[...] “Simplificar” Fernando Pessoa, tomando de empréstimo alguma da sua linguagem, e reduzi-lo ao voto de um barco para o Barreiro, é coisa em que cada um só deve cair uma vez. Fique, pela parte que me toca, o molde da queda e o valor da experiência: as pessoas sabidas descobrirão depressa onde é que está o logro e onde pôde anichar-se autenticidade. As outras, não sabidas, (entusiastas, estas!) servem-me o apetite de dizer para já alguma coisa do que o poema não diz:
Que Fernando Pessoa é um grande poeta. Viajou sempre em primeira classe, mesmo quando estava parado.
Só as pessoas que não viajam ganham ódio às classes que o comboio tem. Quem alcança viajar, mesmo só em terceira, vai sempre radiante. Não anda lá a prender-se com essas coisas.
As pessoas que não viajam também têm as suas qualidades, são como os chefes de estação: bondosos, diligentes, aplicados. Mas não viajam, pronto. Para que nos querem convencer que viajam?
Assim como a Poesia não é para um par de sapatos, assim Fernando Pessoa não é para todos os dias. Não consta, porém, que Pessoa haja querido monopolizar os dias. Se déssemos a Pessoa os dias que ele tem, faríamos como ele – e até podíamos, como ele, ser grandes, com muitos dias para ele e para muitos de nós, seus iguais num desastre
Que não convêm nomear


* Inclui na última página a longa recensão crítica que António Ramos Rosa então escreveu, distinguindo-se da edição original apenas por isto.

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