sexta-feira, março 31, 2017

Alternativa Zero [catálogo]



ERNESTO DE SOUSA [org.]
et alli
prefácio de Eduardo Prado Coelho

Lisboa, 1977
Galeria Nacional de Arte Moderna – Belém
1.ª edição [única]
24 cm x 16,8 cm
32 págs. (não numeradas, caderno agrafado com a apresentação teórica) + 188 págs. (não numeradas, desdobráveis) + 1 cartão (convite para a conferência de António André Gomes)
subtítulo: Tendências Polémicas na Arte Portuguesa Contemporânea
coordenação gráfica de João Melo (catálogo)
cartão editorial com impressão em relevo seco
exemplar imperfeito, com falta do índice e do cromo réplica do cartaz; estojo de cartão amolgado, miolo irrepreensível
95,00 eur (IVA e portes incluídos)

Inclui colaboração dos seguintes artistas: Helena Almeida, José Manuel Costa Alves, Alvess, Pedro Andrade, André [Gomes], Armando Azevedo, Vítor Belém, Júlio Bragança, João Brehm, Fernando Calhau, Constança Capdeville, Alberto Carneiro, Manuel Casimiro, [E. M. de] Melo e Castro, Noronha da Costa, Graça Pereira Coutinho, Da Rocha, Ernesto de Sousa, Lisa Chaves Ferreira, Robin Fior, Carlos Gentil-Homem, Ana Hatherly, [António] Lagarto, [Nigel] Coates, Álvaro Lapa, Clara Menères, Albuquerque Mendes, Leonel Moura, Jorge Peixinho, Jorge Pinheiro, Vítor Pomar, José Rodrigues, Joana Almeida Rosa, Túlia Saldanha, Julião Sarmento, António Sena, Sena da Silva, Ângelo de Sousa, Salette Tavares, Artur de Varela, Mário Varela, Ana Vieira, João Vieira e Pires Vieira.
Paralelamente a esta gigantesca intervenção, também o Living Theatre de Julian Beck marcou por cá a sua presença.
Do texto com que Ernesto de Sousa apresenta o projecto:
«O “salon”. A permanência de termos franceses denuncia bem a presença de um certo modo europeu nos arraiais da cultura portuguesa; as “vernissages” e outras manifestações afins tiveram fortuna diversa mas segura até hoje – talvez porque a sua cobertura pôde ser garantida por um número reduzido de pessoas, que constituíam precisamente o “milieu”: micro-classe social mais ou menos auto-suficiente, com suas reservas conservadoras, suas internas vanguardas. Em Portugal “somos trezentos a fingir de cultos”, dizia pitorescamente um escritor nos anos 40. Mas os “outros” não ficariam inteiramente de fora, na medida em que no “milieu” artístico alcançavam um conhecimento distanciado mas prestigioso, substituto quási das histórias áulicas, gozado com maior ou menor autenticidade. De facto, e àparte o persistente e ridículo francesismo português, este fenómeno não é apenas nacional, e podemos descrevê-lo como extensivo a uma evolução da sociedade moderna onde a cultura se desgarra dos grandes mitos moribundos e tenta a aventura de uma autonomia, dilacerada porque no limite, incompossível. [...] Digamos pois que esta hipostasia de que o “salon” é um símbolo (e o museu, em geral, outro) pode ser vivida pelo comum de muitas maneiras, que vão do orgulho proprietário – há disso em certas formas do esperpento espanhol; até à falsa ilusão da posse – modo kitsch que afecta sobretudo as classes médias.
Mas voltemos ao “salon”. Como continua a ser vivido em Portugal? Como noutros domínios, num pasmo de se querer competir com os organismos socio-culturais avançados (sem um mínimo conhecimento crítico), os países ricos e suas frágeis abundâncias; simultaneamente, não se querendo acertar pelas virtudes e pelas misérias materiais e “sprituais” próprias de um país ainda subdesenvolvido – nisto copiando porventura paralelas hesitações políticas, económicas, etc., de outras super-estruturas. O resultado é continuar a viver e imitar piamente o que noutros países ainda existe, é facto, aí também irremediavelmente condenado a bolorenta reserva conservadora: as bienais e o seu espírito “salonard”, os júris muito competentes, as críticas sentenciosas... O resultado é ainda uma ignorância arrogante dos avanços positivos e gigantescos desenvolvidos no domínio estético, nesses meios tecnologicamente avançados; e um atraso na teoria e na prática que se vai tornando catastrófico e sem remissão. [...]
Neste contexto, as poucas pessoas que neste país têm investigado melhor ou pior as novas linguagens, as tendências realmente modernas do nosso tempo fazem-no rigorosamente isoladas, quási nada conhecendo umas das outras; desligadas de qualquer necessidade local profunda, desligadas portanto de um mínimo sentido nacional ou regional. [...]
Alternativa Zero surge como resposta à necessidade profunda de acabar com aquele duplo isolamento, combatendo a fórmula “salon” (e as suas falsas aparências democráticas) por uma perspectiva crítica, e uma responsabilidade totalmente assumida. [...]»

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