quinta-feira, março 09, 2017

Caligula em Angola


CUNHA LEAL
capa de Almada [Negreiros]

Lisboa, 1924
s.i. [ed. Autor]
3.º milhar
22,2 cm x 14,4 cm
XX págs. + 208 págs. + 1 folha em extra-texto [inserta entre as págs. 202-203]
composto manualmente
exemplar manuseado mas aceitável, restauro tosco na lombada; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

«[...] O Snr. Norton de Matos não conhece meios termos no exercicio das suas violencias. A imprensa incomoda-o? Extingue-a por processos de fôrça ou de coacção. Os indigenas reclamam contra extorsões imorais, praticadas pelas autoridades ou pelos particulares afectos ao Snr. Norton de Matos? Manda, como fez em Catéte, razziar a região dos protestantes, e prende e deporta, a seguir, os nativos de maior inteligencia, ou mais influentes. Nem as proprias bestas escapam á sua furia de tirano. Porque, um dia, um cavalo teve, no Lubango, a audacia sacrilega de deitá-lo abaixo, o Snr. Norton de Matos, em vez de dizer, filosoficamente, como o personagem de Gil Vicente: “Antes quero burro que me leve do que cavalo que me derrube” – manda abater a tiro a pobre alimária, para exemplo dos outros irracionais.
No Snr. Norton de Matos, não ha sequer as generosidades que, ás vezes, existiam até num Caligula, homem que sempre respeitou o seu cavalo Incitatus. [...]
No Snr. Norton de Matos, o reverso da violencia consiste na extrema generosidade e complacencia para com a sua feliz clientela. [...]» –
Assim trata Cunha Leal aquele que era, na altura, Alto Comissário na referida colónia.

pedidos para:
telemóvel: 919 746 089