sexta-feira, março 31, 2017

O Argumento Cinematográfico [junto com] As Máquinas e o Estudo [junto com] A Realização Cinematográfica



ERNESTO DE SOUSA
MANUEL RUAS
ADELINO CARDOSO
FONSECA E COSTA
et alli

Lisboa, s.d. [1956]
Sociedade de Artes Gráficas, Limitada
1.ª edição [única]
3 volumes (completo)
18,2 cm x 11 cm
[96 págs. + 4 págs. em extra-texto] + [92 págs. + 4 págs. em extra-texto] + [96 págs. + 1 desdobrável em extra-texto]
subtítulos: 1 – Como Se Escreve um Filme; 2 – Primeira Iniciação à Técnica Cinematográfica; 3 – Noções Sobre a Realização de um Filme
ilustrados
capas impressas no verso
exemplares estimados, lombada esfolada no vol. 2; miolo limpo
acondicionados em estojo artístico próprio de fabrico recente
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

A importância de Ernesto de Sousa – o animador da vertente colecção – para o meio artístico português nos anos 50-70 do século XX ultrapassa em muito a sua intervenção quer em revistas da especialidade, quer no fomento de cineclubes. Até Eduardo Prado Coelho lhe reconheceu o mérito (in Ernesto de Sousa – Itinerários [catálogo], Secretaria de Estado da Cultura, Lisboa, s.d. [1987]):
«[...] Ser-me-ia muito difícil, até por manifesta impreparação, falar da obra de Ernesto de Sousa (no cinema, na literatura, na crítica, nas artes plásticas), se não tivesse a profunda convicção de que essa obra apenas existe sob a forma daquilo a que alguns escritores de língua francesa poderão chamar o désœuvrement, isto é, uma arte de puxar fios, desfiar as linhas invisíveis, os travejamentos ocultos, as costuras secretas, de tudo o que por momentos se consolida como instituição social ou estética, e ser capaz de instituir clareiras, lugares de encontro, de cumplicidade, de reinvenção de formas de sociabilidade e conjura. Seria manifestamente pouco dizer que Ernesto de Sousa tem sido, acima de tudo, alguém que soube, melhor de que qualquer de nós, encenar, com a participação de nós todos, o espaço da arte contemporânea em que todos estamos envolvidos. Porque o valor do trabalho de Ernesto de Sousa é muito mais do que isso. É uma permanente lição de persistência e apagamento, de presença e clandestinidade, de opções radicais e fraterno entendimento dos laços da palavra, de inovação e escuta dos valores mais discretos da arte popular ou quotidiana, de frieza e paixão, de fanatismo e distracção, de força e fragilidade. Seria difícil encontrarmos neste exíguo espaço português alguém que tanto tenha contribuído para o alterar sem nunca ter enveredado por posturas de domínio, afirmação, ocupação ou poder. Seria difícil apontarmos alguém a quem devemos tanto tendo-o encontrado tão poucas vezes e de um modo tão oblíquo. Ernesto de Sousa é certamente o mais discreto, invisível, silencioso, clandestino e apaixonado mestre de múltiplas gerações. É essa a sua imensa obra: difusa, transparente, transversal, dispersa e fluída nesse jeito inconfundível de saber como nos atravessar.»

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