terça-feira, maio 09, 2017

Os Incuráveis


AGUSTINA BESSA LUÍS
capa de Ribeiro

Lisboa, 1956
Guimarães Editores
1.ª edição
20,1 cm x 13,6 cm
484 págs.
exemplar muito estimado; miolo limpo, por abrir
125,00 eur (IVA e portes incluídos)

Relativamente a este romance, afirmou o escritor Alberto Velho Nogueira (pág. electrónica Homem à Janela, 29 de Janeiro, 2015):
«[...] a questão principal não é a de escrever sobre personagens mas do estilo memorial que as coloca como seres mortos – e que, de facto, fazendo a narração de um passado em relação a mil novecentos e cinquenta e seis, já estão mortas – que, socialmente falando, não tiveram nenhuma intervenção prestável; a única intervenção delas é a de serem personagens de romance que conservam os valores das famílias ricas e que confirmam os valores da autora. Agustina Bessa-Luís nunca seria vista como criadora de uma “Entartete Kunst” (arte degenerada) se tivesse escrito no período nazi. Escreveu num outro período sujeito a cargas e a descargas complexas na qual a sua literatura se englobou e se deixou englobar. O facto de ter publicado na editora “Guimarães” era, mais do que hoje mas ainda hoje, uma relação da autora com uma certa maneira de ver o mundo e de reflectir sobre a realidade socio-política. [...]
Agustina Bessa-Luís não foi muito seguida durante os anos 50 e 60 em Portugal. Escritora de escrita conservadora, editada pela Guimarães, entre a geração “presencista” (sobretudo Régio) e escritores como Vergílio Ferreira, a literatura de Bessa-Luís ganhou definitivamente prestígio literário depois do 25 de Abril de 1974. A sua literatura coaduna-se com a ausência de partidos de oposição na clandestinidade, sobretudo de esquerdas, já que se fala da oposição ao regime de Salazar, e, principalmente, do Partido Comunista português. Legalizado o Partido Comunista, a aparente ausência de afirmação e de carácter políticos da sua literatura adquiriu um estatuto de soi-disant “arte pela arte” que a clandestinidade partidária de oposição não permitia, acusando-a de escritora “burguesa” não directamente favorável a uma intervenção que mudasse o regime. Por outro lado, a estabilização da democracia em Portugal deu-lhe a possibilidade de reafirmar-se como uma escritora de uma escrita aparentemente não partidária. Daí o ter escrito sobre Salazar e o seu amigo Cardeal Cerejeira num estilo e proposta neutros como se pegar em tais personagens-pessoas pudesse fazer-se com neutralidade. Agustina Bessa-Luís fê-lo!, descrevendo mais a psicologia de uma pessoa da História portuguesa recente do que a de um ditador cuja ferocidade era abalada, enganadoramente, pela “domesticidade” católica rural e pelo temperamento anti-guerra, pela cultura pessoal anti-Franco: o militar caçador contra o professor catedrático de Finanças. (Sem esquecer o apoio táctico e político que Portugal e o regime de Salazar forneceram à Espanha durante a guerra civil.)»

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