quarta-feira, junho 21, 2017

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* em cumprimento da Lei n.º 144/2015, de 8 de Setembro – Resolução Alternativa de Litígios de consumo (RAL), artigo 18.º, cabe-nos informar que a lista de Centros de Arbitragem poderá ser consultada em www.consumidor.pt/


Antologia do Humor Negro


ANDRÉ BRETON [org.]
tradutores: Aníbal Fernandes, Ernesto Sampaio, Isabel Hub, Jorge Silva Melo, Luiza Neto Jorge e Manuel João Gomes
capa de Sérgio Guimarães
plano gráfico de António Sena

Lisboa, 1973
Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite
1.ª edição [única]
21 cm x 14,4 cm
XXIV págs. + 456 págs.
as primeiras dezasseis páginas são impressas em off-set sobre papel encorpado (semi-cartolina), todas as outras são linotipadas
exemplar estimado; miolo limpo
ostenta colado na pág. II o ex-libris de Carlos J. F. Vieira
70,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da nota de badana:
«O regime de Vichy foi forjado por Hitler em 1940, depois de as suas tropas terem entrado vitoriosas na França: era o grande sinal de que a Grande Guerra fora ganha pela Alemanha nazi.
O regime de Vichy era constituído por quatro franceses (Pétain, Pucheu, Barthélemy, Brinon) que colaboraram com o nazismo durante quatro anos e fielmente cumpriram as ordens que Berlim mandava: processaram judeus, guilhotinaram comunistas, eliminaram chefes sindicalistas.
E a primeira edição da Antologia do Humor Negro (1939) foi por eles retirada do mercado logo que apareceu. O humor negro não será a melhor prova de que a estupidez e o crime nunca ganharam qualquer guerra?
O humor negro é mais que o riso, é mais que a ironia: é a crueldade destrutiva que abala os alicerces de todos os regimes – é uma ameaça constante ao império da irracionalidade, ao domínio da injustiça, ao crime organizado.
É por isso que os textos desta Antologia se apresentam sempre como literatura de vida ou de morte: é por isso que os autores escolhidos por Breton são quase todos daqueles homens que nenhum governo de Vichy recuperará. [...]»
Tal texto foi redigido em pleno regime de São Bento.

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frenesilivros@yahoo.com
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Anthologie de l’Humour Noir


ANDRÉ BRETON [org.]

Paris, 1970
Jean-Jacques Pauvert / Le Livre de Poche
4.ª edição [2.ª edição neste editor]
16,5 cm x 11 cm
448 págs.
corte carminado
exemplar muito estimado, sem qualquer quebra na lombada; miolo limpo
assinatura de posse no frontispício
22,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Coisas


aa.vv.

Lisboa, Fevereiro-Março de 1974
& etc – Publicações Culturais Engrenagem, Lda.
1.ª edição [única]
17,5 cm x 15,3 cm
176 págs.
ilustrado
capa impressa a uma cor sobre o lado rude de cartolina duplex, sobrecapa a duas cores sobre o lado mate de papel kraft
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
PEÇA DE COLECÇÃO
95,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se do primeiro livro editado pela casa & etc, até aí unicamente responsável por publicação periódica homónima. Dado o carácter globalmente agreste, linguagem a condizer, desenhos não menos acutilantes, e porque traz data de impressão anterior ao 25 de Abril que correu com a polícia política e a censura, foi obra que ainda se viu sujeita às técnicas de venda de mão em mão e por baixo dos balcões. Reúne intervenções escritas e ilustrações de Adelino Tavares da Silva / [Carlos] Ferreiro, António [Tavares] Manaças / Eurico [Gonçalves], Baptista-Bastos / Lud, Carlos Porto / Figueiredo Sobral, José Martins / João Rodrigues, Nelson de Matos / Ana Machado, Paulo da Costa Domingos / Gonçalo [Duarte], Pedro Oom / Lud, Virgílio Martinho / [Maria] Aurélia, Vitor Silva Tavares / Aldina [Costa].

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Amarrado ao Pelourinho


ANSELMO BRAAMCAMP FREIRE

Lisboa, 1907
Ed. do Autor
1.ª edição
30 cm x 21,5 cm
80 págs.
encadernação com lombada e cantos em pele, nervuras e ferros a ouro; exibe etiqueta da Livraria Académica de J. Guedes da Silva (Porto) colada no canto superior esquerdo do verso da pasta anterior
folhas-de-guarda e primeira e última folhas do miolo com fortes sinais de antiga humidade; no restante o miolo está impecável e foi somente aparado à cabeça, conservando largas margens em torno da mancha tipográfica
sem capas de brochura
falta de papel na pasta das costas (vd. destaque na imagem junto)
60,00 eur (IVA e portes incluídos)

É um dos escassos 150 exemplares impressos fora da tiragem normal inclusa no Archivo Historico Portuguez de Junho desse ano. Trata-se do regresso a uma violenta polémica que Freire sustentou contra José Caldas a propósito de um livro deste, História de um Fogo Morto..., onde são proferidas algumas «imposturas» históricas, e surge assim publicada «para que, quando da obra de José Caldas só tiverem noticia os vermes dos cantos escuros das bibliotecas, os seus processos de critica, os seus destemperos de linguajem, subsistão para justa apreciação do seu caracter. [...]»
Bramcamp Freire foi, não só historiador, mas também activista republicano, e nesta qualidade chegou a presidente da Câmara Municipal de Lisboa em 1908, sendo o primeiro republicano a assumir os destinos da cidade.

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Antologia [1945-1961]



EUGÉNIO DE ANDRADE
ensaio de Eduardo Lourenço
desenho de Dordio Gomes

s.l., 1961
Delfos
1.ª edição
19,5 cm x 13 cm
232 págs.
impresso sobre papel avergoado
exemplar muito estimado, apresentando sinais de traça na contracapa; miolo irrepreensível
60,00 eur (IVA e portes incluídos)

Reúne aqui o Autor o melhor da sua produção poética, abrangendo os excepcionais livros As Mãos e os Frutos, Os Amantes Sem Dinheiro, As Palavras Interditas, Até Amanhã, Coração do Dia e Mar de Setembro. O magnífico ensaio do filósofo Eduardo Lourenço constitui a introdução à leitura que qualquer poeta desejaria.

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Teoria da Tributação


CARLOS WALLENSTEIN

Lisboa, 1966
Sociedade de Expansão Cultural
1.ª edição
21,4 cm x 15,7 cm
capa de Júlio Gil
exemplar em bom estado de conservação, miolo muito limpo e por abrir
20,00 eur (IVA e portes incluídos)

Diz o poeta Pedro Tamen na sua nota de abertura à reunião póstuma das Obras Completas – 1, Poesia de Wallenstein (Edições Salamandra, Lisboa, 1998):
«[...] o seu nome estava, para mim, sobretudo ligado ao teatro, ou, melhor, a uma zona literário-teatral confusamente conectada com os meios surrealistas.
[...] E foi então que, com os olhos paradoxalmente clarividentes que o afecto proporciona, aprendi a amar a sua poesia nos dois livros dela que publicou (a Teoria da Tributação, que me escapara nove anos antes e o Corpo Conflito, que me surpreenderia oito anos depois).
Verifiquei então, nessas leituras mais atentas, e independentemente do conhecimento que fui tendo de outras coisas que escrevera e publicara, sobretudo de teatro, como no seu verbo poético se exprimia, a um nível de realização formal geralmente brilhante, um diálogo com o mundo cujas características originais igualmente, e noutro plano, transpareciam na sua vida quotidiana: um humor corrosivo e destruidor perante uma sociedade impossível de levar a sério, traduzido numa linguagem sacudida e transgressora – e aqui, em ambas as coisas, é indiscutível a familiaridade com os surrealistas –, lado a lado com uma afectuosíssima, comovida, quase infantil e não contraditória relação com as pessoas e o mundo [...].»

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Boa Noite


PEDRO PAIXÃO

Lisboa, 1993
Edições Cotovia, Lda.
2.ª edição
20,5 cm x 13 cm
80 págs.
exemplar em bom estado; miolo limpo
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

O autor, para além da sua actividade como agente publicitário, desenvolveu nos anos 80 do século passado intensa intervenção literária, podendo a sua prosa ser considerada à altura da dos seus congéneres internacionais, de que Menos Que Zero (Bret Easton Ellis) foi modelo.

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terça-feira, junho 20, 2017

Das Leben zwischen der Geburt und dem Tode als Spiegelung des Lebens zwischen Tod und neuer Geburt


RUDOLF STEINER

Dornach [Suíça], 1935
Philosophisch-Anthroposophischer Verlag
[1.ª edição ?]
20,5 cm x 13,6 cm
56 págs.
subtítulo: Gebete für Mütter und Kinder
encadernação editorial, impressão sobre a tela
exemplar com a capa suja do manuseio, miolo muito limpo
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

Salvo melhor versão, pode traduzir-se título e subtítulo desta obra do esoterista Rudolf Steiner por O Amor para a Vida e a Morte como um Reflexo da Vida entre a Morte e o Renascimento. Orações para Mães e Filhos.

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Emmène-moi au bout du monde!...

BLAISE CENDRARS

Paris, 1956
Éditions Denoël
1.ª edição (tiragem comum)
18,5 cm x 11,9 cm
304 págs.
exemplar manuseado mas muito aceitável; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

De seu nome próprio Frédéric Louis Sauser, o aventureiro e escritor suíço é conhecido entre nós desde, pelo menos, a publicação em 1917 de um conjunto de poemas seus no Portugal Futurista. A sua atenção ao idioma português levou-o mesmo a pegar de frente o mais importante romance de Ferreira de Castro, A Selva, e, ao traduzi-lo para francês, a dar-lhe uma notável e invulgar volta, transformando-o numa peça literária merecedora de, a partir daí, voltar a ser trazida para português.
Da nota de contracapa:
«Pour la première fois dans son œuvre, Blaise Cendrars publie un roman ou le personnage central est une femme.
Comédienne vieillie, mais toujours triomphante, Thérèse va interpréter le rôle le plus étonnant de sa carrière: Madame l’Arsouille. C’est que ce rôle – ou presque – elle le joue quotidiennement dans l’existence. Aucune sensation, aucun vice ne lui est étranger. Ses amants, ses amis, se recrutent dans tous les milieux. Elle brûle non seulement les planches du Théâtre, mais celles de la Vie. Elle entraîne le lecteur parmi les drames, les jalousies, les rivalités des coulisses, et en même temps le fait pénétrer dans le Paris Interdit où souteneurs, drogués, artistes de génie, ratés, gens du monde et du demi se côtoient et sont mêlés, aujourd’hui à un fait divers crapuleux, demain à la plus brillante des générales. [...]»

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Mémoires d’Hadrien suivi des Carnets de Notes des Mémoires d’Hadrien



MARGUERITE YOURCENAR

Paris, 1974
Éditions Gallimard
s.i. (segundo a edição Plon de 1958)
20,5 cm x 13,6 cm
6 págs. + 362 págs.
exemplar estimado; miolo limpo
assinatura de posse do escritor surrealista Ricarte Dácio
30,00 eur (IVA e portes incluídos)

Tentativa de forjar uma “autobiografia” do imperador romano a partir dos documentos que nos chegaram. Mas, mais do que História, é a força poética da autora o que nos prende.
Uma conhecida passagem, a que fecha o livro, quando a morte do biografado se avizinha:
«[...] Un instant encore, regardons ensemble les rives familières, les objets que sans doute nous ne reverrons plus... Tâchons d’entrer dans la mort les yeux ouverts...»

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Dans un Mois Dans un An


FRANÇOISE SAGAN

Paris, 1957
René Julliard
1.ª edição
18,6 cm x 12 cm
192 págs.
exemplar manuseado mas em bom estado de conservação
17,00 eur (IVA e portes incluídos)

É o primeiro romance da escritora francesa, que veio a notabilizar-se logo com o romance seguinte, Bonjour Tristesse.

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segunda-feira, junho 05, 2017

De la Peine de Mort



F. [FRANÇOIS] GUIZOT

Bruxelas, 1838
Société Belge de Librairie, etc. – Hauman et Compagnie
Imprimerie Judenne
«nouvelle édition» (2.ª edição)
16,8 cm x 11 cm
XVIII págs. + 158 págs. + 2 págs.
exemplar muito estimado, capa e contracapa espelhadas sobre gravura antiga; miolo limpo
assinatura de posse no frontispício
50,00 eur (IVA e portes incluídos)

François Pierre Guillaume Guizot (1787-1874), historiador, liberal conservador partidário da ideia de uma monarquia constitucional, foi ministro da Educação, ministro dos Negócios Estrangeiros e mesmo Primeiro Ministro de Luís-Filipe I de França, tendo resignado à beira das barricadas parisienses de 1848, não sem dar ordens militares de neutralização dos revoltosos. Todavia, são produto da sua reflexão histórica conceitos produtivos como sociedade de massas, classes sociais, igualdade dos cidadãos, conceitos de que Marx e Engels se apropiarão levando-os a um outro nível de leitura da vida quotidiana.
A questão da pena de morte é, assim, tratada como vã pretensão dos governantes a dominarem os povos. No seu entendimento, desde que a acção dos indivíduos se tornara num comportamento massificado expresso em tumultos sociais colectivos (revoluções), deixara de resultar, como medida de aviso, o castigo individual. Bem pelo contrário, a guilhotina iria virar-se contra os seus promotores, ninguém mais estaria ao abrigo dos instrumentos de morte por si criados.

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Escravatura: A Empresa de Saque – O Abolicionismo (1810-1875)


JOSÉ CAPELA
grafismo de João Machado

Porto, Outubro de 1974
Edições Afrontamento (ed. José Soares Martins)
1.ª edição
19,3 cm x 12,4 cm
308págs.
ilustrado
exemplar muito estimado, apresenta um vinco na capa, embora sem qualquer sinal de quebra na lombada; miolo limpo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

Algumas passagens do ensaio:
«[...] Antes de Marcelo Caetano, já Oliveira Martins [...] justificara a escravidão com a inferioridade das raças índias do Brasil e das africanas. A guerra teria estado na origem da escravidão desde toda a antiguidade e foi também “a causa imediata da escravização dos indígenas no Ultramar”. O carácter próprio da escravatura moderna não lhe advém da espécie de cativeiro duro imposto a vencidos, mas sim de: “A exploração e o comércio do negro, como máquina de trabalho, eis aí o que é peculiar dos tempos modernos, e não o facto da existência de classes na condição de escravos dentro de uma sociedade”.
O mesmo autor acha que não temos de que nos envergonhar por termos sido os primeiros no tráfico, porque “sem negros, o Brasil não teria existido; e sem escravos nação alguma começou”. [...]
Não há dúvida que se génio houve no Infante foi o de negociante que soube arquitectar, prever e esperar uma exploração inteiramente nova de tráfico intercontinental, a uma escala jamais observada. E que agia calculadamente está patente no facto de, logo aos primeiros resultados da expedição, ter a coroa portuguesa requerido ao Papa a legitimação da empresa, o que fez a Eugénio IV. [...]
A primeira [bula] autoriza o rei de Portugal a atacar, conquistar e subjugar pagãos e outros infiéis, a capturar seus bens e territórios; a reduzir suas pessoas à escravatura perpétua e a transferir as suas terras e propriedades para o rei de Portugal e seus sucessores. [...]»
Até à sua extinção, a escravatura manter-se-ia como a maior, quase única, fonte de receitas públicas, nas colónias africanas. [...]»

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Os Ovos d’Oiro


ARMANDO DA SILVA CARVALHO
capa e grafismo de Fernando Felgueiras

Lisboa, 1969
Publicações Dom Quixote
1.ª edição
18,1 cm x 11 cm
88 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação, sem qualquer sinal de quebra na lombada; miolo limpo
30,00 eur (IVA e portes incluídos)


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O Comércio dos Nervos

ARMANDO DA SILVA CARVALHO

s.l. [Tomar], 1968
Nova Realidade
1.ª edição
21 cm x 12,2 cm
100 págs.
capa em cartolina preta revestida por sobrecapa de cujo inteligente desenho se ignora o autor
exemplar manuseado mas com o miolo limpo à excepção da folha de ante-rosto, em que sucessivos livreiros por onde o livro terá passado foram ou colando novos e arrancando velhos talões, ou escrevendo e apagando preços (o último canhoto visível remete para a livraria da Assírio & Alvim)
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Trata-se do segundo livro do poeta. E é um conjunto de versos que já denotava a fuga do escritor das águas contidas da Poesia 61 para o rio revolto do Surrealismo.
Apenas uma passagem:

«[...] Forçaste-me à renúncia
silogística do verso, à metáfora
gorda, ao corrimão num pulo
porque te estendes, inchas
e cobres tudo com teus lençóis abstractos.

Falar contigo é devolver-te
o uso descarado das palavras: apoiar
as vísceras sensíveis nos teus ombros
o peso da beleza quando se quer dinheiro
o riso dividido quando se quer um corpo
o sémen do futuro quando se quer morrer. [...]

Ouve cansaço: apalpo-te as orelhas
que intensas e comovendo os fracos
me tapam o nariz.
O cheiro da comida é assunto diário
em cada bairro
e todos temos pressa.
Um faro luminoso acode-nos ao sangue
mastigamos-te o mais prosaicamente:
– tu tens de recuar.»

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Em Nome da Mãe



ARMANDO SILVA CARVALHO

Porto, 1993 [aliás, 1994]
Edições Afrontamento
1.ª edição
22,9 cm x 14,4 cm
252 págs.
exemplar em muito bom estado de conservação, sem qualquer sinal de quebra na lombada; miolo irrepreensível
VALORIZADO PELA DEDICATÓRIA MANUSCRITA DO AUTOR A MARIA JOÃO SEIXAS
40,00 eur (IVA e portes incluídos)

«Armando Silva Carvalho, que com Portuguex (1977) nos havia dado o romance “esquizo-histórico” da nossa identidade revista pelo 25 de Abril, dá-nos com Em Nome da Mãe (1994) a continuação não menos esquizo-histórica da nossa submissão à CEE, naquela que é uma das mais violentas caricaturas do capitalismo avançado visto a partir do nosso olhar mendigo e ao mesmo tempo guloso.» (Fonte: Luís Mourão, in Óscar Lopes / Maria de Fátima Marinho, História da Literatura Portuguesa – As Correntes Contemporâneas, vol. 7, Publicações Alfa, Lisboa, 2002)

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Lírica Consumível


ARMANDO DA SILVA CARVALHO

Lisboa, 1965
Editora Ulisseia
1.ª edição
18,4 cm x 10,3 cm
108 págs.
orientação gráfica do pintor Espiga Pinto
com sobrecapa em papel de alcatrão
é o n.º 9 da prestigiada Colecção Poesia e Ensaio
exemplar como novo
35,00 eur (IVA e portes incluídos)

O autor veio do grupo da Poesia 61 e alçou-se a um tom poético mais próximo do surrealismo populista de Alexandre O’Neill. Um exemplo, ao acaso:
«[...] Há quem ponha as mãos no peito
e diga como uma criança
que aponta o mar:
o ar está liso
a superfície seca.
Vão para dentro e depois encostam o poema
às tábuas do silêncio – apertam as palavras
no sangue já nativo, conspícuo
de uma sincopagem;
enxugam os vocábulos ao descalçar
as meias variáveis
e colocam os pés num espaço exíguo. [...]»

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Portuguex


ARMANDO SILVA CARVALHO
capa de Maria José Oliveira

Lisboa, 1977
Diabril, Cooperativa Editorial
1.ª edição
19 cm x 13,9 cm
272 págs.
subtítulo: Romance Esquizo-histórico
exemplar estimado; miolo limpo
27,00 eur (IVA e portes incluídos)


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Portuguex


ARMANDO SILVA CARVALHO
pref. Maria Estela Guedes
capa de Vitorino Martins

Lisboa, 1981
Moraes Editores
2.ª edição
20 cm x 14 cm
248 págs.
exemplar muito estimado; miolo irrepreensível
25,00 eur (IVA e portes incluídos)

Da Apresentação de Estela Guedes:
«[...] Neste domínio, o da História, “Portuguex” ilustra exemplarmente o estado de confusão e incoerência que se seguiu, a meu ver naturalmente, aos acontecimentos políticos de 74.
A realidade sociopolítica é vista em estado de fragmentação, fragmentação reflectida no romance pela própria técnica de sequência de mosaicos. Quer dizer, a brusca desagregação da aparente solidez de um empresa hipoteticamente chamada Portuguex vai espelhar-se no despedaçamento da empresa romanesca. [...]»

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