quinta-feira, junho 29, 2017

Discurso Directo


DAVID MOURÃO-FERREIRA

Lisboa, 1969
Guimarães Editores
1.ª edição
20,3 cm x 14,2 cm
208 págs.
subtítulo: Crónicas
exemplar em bom estado de conservação
assinatura de posse na folha de ante-rosto
45,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Arnaldo Saraiva, no seu Elogio de David Mourão-Ferreira (in Colóquio / Letras, n.º 145-146, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Julho-Dezembro 1997), aponta, entre outras constantes temáticas que percorrem a vastíssima obra do escritor:
«[...] a visão cosmopolita mas fundamentalmente trabalhada pelas matrizes culturais europeias: não deixa de ser expressivo o facto de já em 1963 se ter dado conta de problemas a que só muito recentemente chegaram alguns políticos, que por isso não souberam prever situações tão dramáticas como as que viveram a Bósnia e algumas das antigas repúblicas soviéticas. Com efeito, há em Discurso Directo uma passagem que diz o seguinte:
“Tortuosos são os caminhos que levam da barbárie à civilização, da fúria fratricida ao ideal de fraternidade – e bem longe estamos ainda de o ter atingido. Todavia, no que respeita a esta parcela da ‘terra dos homens’, a esta convulsionada zona do continente europeu, já vêm de longa data o apelo e o sonho da unidade. Mas o problema concreto continua a ser este, que logo se esboçara depois da morte de Carlos Magno: saber se é possível a conservação de um regnum Europae ou se, pelo contrário, teremos de eternamente nos resignar à existência de múltiplos regna Europae; saber, em suma, se a unidade será possível a despeito da natural diversidade (melhor: com o respeito pela natural diversidade) ou se não pode extirpar-se, do inconsciente europeu, um pertinaz fermento de desagregação. Têm falhado, com efeito, os mais ambiciosos planos de unidade europeia, mas justamente porque se baseavam na violência e através dela se puseram em prática: é caso, portanto, para repudiar o meio, não o fim.” [...]»

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