quinta-feira, julho 06, 2017

A India Portugueza


MANUEL FERREIRA VIEGAS JUNIOR

Porto, 1910
Livraria Moreira (deposit.)
1.ª edição
21,3 cm x 14,8 cm
204 págs.
subtítulo: O que é – o que poderá ser: Estudo estatistico, economico e agricola
ilustrado no corpo do texto
exemplar estimado, contracapa manchada, rótulo colado ao baixo na capa; miolo limpo
ocasionais carimbos da biblioteca do Regimento de Infantaria 20
40,00 eur (IVA e portes incluídos)

Uma passagem do prefácio do autor:
«[...] A nossa India, esta meia duzia de palmos de terra que ainda aqui possuimos d’esse vasto Imperio de Affonso d’Albuquerque, deixou ha muito tempo de ser a India das especiarias, deixou ha muito tempo de mandar para a metropole essas numerosas armadas carregadas de riquissimos productos orientaes que fizeram de Lisboa, durante muito tempo, um deposito de phantasticas riquezas, de El-Rei D. Manuel I, um Rei negociante, e dos Vice-Reis, agentes de negocios.
Ha já muito tempo que os Vice-Reis deixaram de ir ao Mandovy assistir á partida de expedições que iam em demanda de novas conquistas que vinham juntar ao já vasto Imperio mais alguma rica mina prenhe de productos orientaes, ou á partida das naus que, com os porões atulhados de especiarias, se dirigiam para Lisboa. [...]
Ha já muito tempo que nem, sequer, as ruinas existem dos antigos paços, arsenaes, fundições, estaleiros, mosteiros, aljubes, bazares, collegios, hospitaes, pelourinhos, templos, casas da moeda, da inquisição, da Misericordia, do senado, e de consideravel numero de habitações que constituiam essa Rainha do Industão, essa opulenta Gôa, de quem se dizia que – “quem viu Gôa não tem necessidade de vêr Lisboa”. Tudo se perdeu, tudo se arruinou depois de nos ter arruinado, depois de nos ter perdido. [...]
Continuamos a viver muito satisfeitos embora já, em 12 de março de 1839, tivessemos soffrido de Howard Woldesse, ministro da Inglaterra, a affronta de nos offerecer 500 mil libras pela compra d’este retalho da nossa querida Patria.
Hoje, que é tristissima a nossa situação financeira, e que até já nalguns jornaes de diversos paizes apparecem ameaças d’ingerencia estrangeira na nossa administração, verdadeiros insultos á nossa autonomia, se amamos a nossa Patria, é tempo de todos nós, portuguezes, concorrermos com a nossa parcella de trabalho intellectual, moral e mesmo physico, se tanto fôr necessario, para que, uma nação como a nossa que deu leis ao mundo inteiro, não morra amarrada ao poste d’essa administração estrangeira.
O momento é de trabalho; por isso, se continuarmos a viver, como até aqui, sómente da contemplação do passado, teremos fatalmente de ser esmagados e absorvidos por essa pleiade de luctadores constituintes da guarda avançada da civilisação, que representam o progresso, que dominam o presente e seguem á conquista do futuro. [...]»

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