segunda-feira, julho 17, 2017

Os Gatos


FIALHO DE ALMEIDA
selec. e pref. José Lins do Rego

Rio de Janeiro, 1942
Edições Livros de Portugal, Ltda.
1.ª edição brasileira
23 cm x 15 cm
336 págs.
encadernação modesta meia-francesa em sintético e papel de fantasia com gravação a ouro na lombada
conserva as capas de brochura
exemplar em bom estado; miolo limpo
assinatura de posse na folha de ante-rosto
é o exemplar n.º 845 de uma tiragem não declarada
27,00 eur (IVA e portes incluídos)

Fialho surgiu num contexto literário em que tudo parecia já haver acontecido, «[...] aperecia após a rajada de metralhadora que foram “As Farpas”, depois das sondagens profundas de Oliveira Martins, depois do romance de Eça de Queiroz, depois do grande Antero.
O homem de machado na mão chegara à floresta e encontrava a derrubada feita. Ele queria derrubar e tudo já tinha ido abaixo. [...]» (do notável prefácio de Lins do Rego). Esta contrariedade nunca o abandonou, obrigando-o a um exagero estilístico no retratar a sua época. (Lins do Rego, uma vez mais:) «[...] Havia uma sociedade impregnada de uma felicidade construída em falso. Era todo o fim do século XIX dormindo ao som das valsas de Viena, deleitando-se nos cancãs de Paris, vendo Santos Dumont alçar voos para o céu. Os germes das guerras infernais já germinavam dentro da terra; os homens tinham plantado as sementes diabólicas. Portugal tinha rei constitucional, ministros, pobres ministros. Os ingleses impunham-lhe regimes de restrições. Fialho de Almeida então propunha-se a dissecar este mundo português como se não fossem vícios do mundo inteiro os que andavam por sua casa. O rei D. Carlos seria uma de suas vítimas favoritas, a casa de Bragança, os ministros, os poetas, os artistas, tudo enfim teria que sofrer as suas arranhadas de gato. [...]
Procurando as suas melhores coisas no “Os Gatos” eu tomei o partido de apresentar um Fialho de Almeida que não fosse aquele das pequenas coisas, dos mexericos locais, das insignificâncias do tempo, um Fialho que discutia ministros e pretendia entender de política. Este está tão morto quanto os ministros que combateu.
O Fialho desses trechos do “Os Gatos” é o menos efémero dos Fialhos. É aquele que se debruçou sobre os grandes temas, sobre a vida e a morte. É o que vê o rei D. Luiz morto e o que vê Bordalo Pinheiro vivo.»

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