sábado, outubro 21, 2017

A Mitologia Fadista


ANTÓNIO OSÓRIO
capa de Moura-George

Lisboa, 1974
Livros Horizonte, Lda.
1.ª edição [única]
17,8 cm x 11,7 cm
120 págs.
exemplar como novo
37,00 eur (IVA e portes já incluídos)

Alguns dos nossos poetas conservadores também já foram progressistas. O vertente ensaio do poeta António Osório atesta, em tom maior, uma rara lucidez sobre a cultura popular alfacinha.
O fado, apesar da sua toada de inspiração árabe-andaluz, «[...] surgiu em Portugal com o regresso da corte em 1822 [...]», vinda do Brasil após as invasões francesas. «O fado tocado à guitarra iniciou-se, ao que parece, depois do miguelismo no poder (1828), propagando-se em Lisboa, de modo crescente, durante o período das lutas liberais. [...]»
«[...] O desespero impotente de um Antero, de um Eça, de um Oliveira Martins, de tantos outros, não se compreenderá porventura melhor, em toda a sua dimensão aniquilante, se o associarmos ao atraso tremendo do seu povo, patente sem sofismas nos fados? Uma sociedade revela-se verdadeiramente através dos seus espectáculos, dos seus jogos, das suas canções. E trai-se tanto mais quanto maior for o carácter opressivo das instituições. Ora depara-se-nos no fado o escoadoiro de tudo (ou quase tudo) o que temos de pior, é uma verdadeira descida ao inferno da vida portuguesa. O saudosismo, “os fumos da índia”, o sebastianismo, os “espectros do passado”, a petulância marialva, a predisposição lacrimante, a inércia e a indiferença cívicas, o narcisismo derrotista, a tacanhez, o desgosto da vida, a opacidade do futuro, isto tudo supura na “moral” do fado e na sua vivência básica de um Destino inelutável, perante o qual se mostra nulo o poder da vontade e do pensamento racional – o mito supremo e, ao cabo, o pressuposto dos demais. Longe de ser um fenómeno apenas “popular”, afluem no fado as tendências ideológicas que têm pervertido a vida do País nos últimos cento e cinquenta anos. Por isso o estudo do fadismo oferece a particularidade de lançar um jorro de luz sobre o todo, ao mesmo tempo que nos dá ainda um resumo perfeito das nossas fatalidades. [...]»

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