segunda-feira, dezembro 25, 2017

Sobre as Feiticeiras


JULES MICHELET
trad. Manuel João Gomes
pref. Roland Barthes
posf. Afonso Cautela, MJG, Maria Alzira Seixo e Maria Teresa Horta

Lisboa, Novembro de 1974
Edições Afrodite – Fernando Ribeiro de Mello
1.ª edição
18,6 cm x 13,5 cm
XVI págs. + 432 págs.
ilustrado
exemplar como novo
55,00 eur (IVA e portes incluídos)

Do excelente texto de Maria Alzira Seixo:
«[...] Como princípio feminino, ela [a feiticeira] é a base da criação pura. Partindo da solidão, fechada na casa nua e fria, trabalhando no repetitivo (maquinal, não criativo), ela (a mulher medieval) cria os espíritos que vão constituir-lhe o sonho; e sendo o sonho aqui essencialmente fantasmático, ele integrará forçosamente a figura suprema, quente e protectora que lhe falta – mas Deus está longe, fecha-se no castelo com os grandes senhores e prega-lhe, pela voz dos seus clérigos, a penitência, o sofrimento e a resignação; votos que o sonho quente repele – e eis que os espíritos a levam ao seu deus, o da revolta, o do riso, o da alegria. É o grande encontro da feiticeira (que passa assim de princípio feminino a princípio sortílego) com Satanás. A criação, o sonho, o desejo (do outro-deus) são as matérias complexas que fundamentam o sortilégio. [...]
Mas a atenção sociológica de Michelet fixa um segundo aspecto desta transformação pela via sortílega – a do nascimento da medicina, vinda dos longes das tisanas e das mezinhas, passando pelos unguentos, detendo-se na consideração do fenómeno psicossocial, caminhando a passos largos para a cirurgia criminosa (sobre, e a partir da mulher-sortilégio): descoberta de um mundo, alargamento e evolução das eras. [...]»

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