quarta-feira, abril 18, 2018

O a Fazer, Faz-se [...]


RUY CINATTI
vinheta de Maluda

Lisboa, 1974 [aliás, Fevereiro de 1976]
ed. Autor [Grafilarte, Artes Gráficas, Lda. – Águeda]
[1.ª edição]
21,5 cm x 16 cm
40 págs.
subtítulo: [...] antes que o Cálculo nos disfarce & digamos que não é bem assim o que foi assim mesmo & O a fazer deixe de fazer-se & O que escrevi sobre esta modesta Meditação quotidiana deixe de publicar-se & Ninguém saiba o que um Poeta está ruminando sobre os pós-Tempos do 25 de Abril & os verídicos & fantasiosos Acontecimentos que Os preencheram. Com variadas Modalidades a-propósito – Pessoas, Coisas, Animais – & outras Considerações oportunas e proféticas Tudo disposto para Referência aos Momentos cronológicos & corrigido em Estilo poético pelo dito Ruy Cinatti Testemunha atenta, veneradora e obrigada Cidadão Eleitor desta Cidade com Firma na Ilha de Timor Comparticipante em dois Movimentos & Autor de Borda d’Alma e Cravo Singular
capa impressa retro e verso
acabamento com dois pontos em arame
exemplar em bom estado de conservação; miolo irrepreensível
45,00 eur (IVA e portes incluídos)

Por vezes os escritores excedem tudo quanto se esperava deles. Para bem deles e dos leitores, mas, por vezes, também para mal de toda a gente. O seu radicalismo, o mais das vezes, se não consegue ser esteticamente complementado, joga do lado do ideólogo enganador. Ezra Pound, Céline, Cioran e até o nosso Pessoa apostaram na pior política das suas épocas – mas nem isso os diminuiu à luz de uma leitura menos redutora e menos maniqueísta. Ruy Cinatti é um caso assim. A sua opção histórica, que o levou a pôr a arte poética ao serviço do panegírico bélico do militar Jaime Neves, usando de uma linguagem ressabiada de retornado, mesmo assim não o apeou do lugar que por direito lhe pertence na cultura nacional. A vertente obra pertence a esse triste núcleo de folhetos que o poeta, nos anos 1974-1976, andava pelas ruas e pelos cafés de Lisboa a impingir a quem lhe dava troco.

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